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Náutico vive momento de “reafirmação institucional” com retorno à Série B

No Maquinistas, Luciano Leonidio, diretor-executivo do clube pernambucano, detalhou as estratégias de mercado e as perspectivas para o futebol brasileiro

Náutico conta com patrocínio máster do Esportes da Sorte - Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • Náutico quadruplica receita com naming rights do Estádio dos Aflitos ao fechar acordo de R$ 4,8 milhões para 2026-2027.
  • Clube opta por negociar direitos de transmissão diretamente com a CBF e Globo, evitando venda a investidores durante momento de baixa esportiva.
  • Náutico investe em futebol feminino com criação de departamento dedicado e busca por parcerias e leis de incentivo para equidade.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O Náutico tem na temporada de 2026 uma oportunidade de evolução esportiva, comercial e estrutural com a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro. Com intenção de aproveitar o momento, o clube tem realizado uma série de iniciativas.

A reestruturação de ativos históricos e a adoção de estratégias comerciais independentes são alguns dos caminhos encontrados para garantir a sustentabilidade a longo prazo. Durante participação no podcast Maquinistas, da Máquina do Esporte, Luciano Leonidio, diretor-executivo do Náutico, detalhou os principais pilares da gestão à frente do clube pernambucano.

“O Náutico vive um momento de reafirmação institucional. Um clube desse tamanho passando três anos seguidos na Série C impacta em muita coisa: receita, projeto, manutenção e melhora da infraestrutura. O acesso no ano passado é fundamental nesse sentido”, disse.

O executivo abordou desde o acordo atípico de naming rights até os desafios financeiros inerentes ao modelo associativo em comparação às Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs).

Comercial e mídia

Diferentemente da tendência do mercado de focar em arenas recém-construídas, o Náutico negociou os naming rights de um estádio com mais de 80 anos com o Esportes da Sorte.

O acordo uniu o patrocínio máster do clube e o da arena em um só contrato, mantendo o nome histórico “Aflitos” e foco na modernização de sua estrutura. O estatuto do clube, porém, limitou a duração desse vínculo a apenas dois anos.

“O Estádio dos Aflitos é um estádio que tem mais de 80 anos e que, ao contrário das arenas entregues prontas, é um estádio que requer uma série de adequações. Então, a lógica da construção da negociação foi exatamente inversa. Queremos reestruturar os Aflitos”, explicou o executivo.

Segundo a Máquina do Esporte apurou, o contrato atual quadruplicou os valores fornecidos ao Náutico em relação aos últimos dois anos do acordo, subindo de R$ 1,2 milhão por ano, em 2024 e 2025, para R$ 4,8 milhões, em 2026 e 2027.

LEIA MAIS: Com naming rights de estádio, Náutico quadruplica acordo com Esportes da Sorte

Na contramão de grande parte do mercado, o clube pernambucano também optou por não ceder os direitos comerciais a longo prazo aos investidores do bloco Futebol Forte União (FFU) para a Série B. 

A diretoria avaliou que seria um mau negócio fechar acordos durante um momento de “baixa” esportiva, costurando, em vez disso, um acerto direto com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e com transmissão garantida na Rede Globo.

“Um princípio básico de negociação é que, quando você tá na alta, você consegue negociar de uma outra maneira. E aí, quando surgiu a negociação com a própria CBF, entendendo que para o clube era interessante, para a gente ainda tinha também o ativo da transmissão, que seria feito a partir dos canais da Rede Globo”, destacou Leonidio.

LEIA MAIS: Globo assegura direitos de transmissão dos jogos de Náutico e São Bernardo e volta a transmitir Série B

Gestão

Para além das estratégias individuais, o clube tem liderado um movimento de aproximação com executivos dos rivais locais, como Sport e Santa Cruz, focando em pautas conjuntas para o fortalecimento do mercado e da gestão esportiva em Pernambuco.

“Nós somos adversários dentro de campo, mas temos pautas em comum. Como é que a gente vai trabalhar isso em prol do crescimento do futebol pernambucano? Porque, de fato, se a maré sobe, todos os barcos acabam subindo juntos”, defendeu o diretor-executivo.

O abismo entre os clubes estruturados como SAFs e os associativos também foi explorado na conversa. Na análise de Leonidio, o principal desafio das equipes brasileiras não é a pura escassez de recursos, mas a desorganização com o período em que o dinheiro entra e sai.

“A gente sabe que tem uma receita, mas a despesa está na porta hoje. Controlar isso no espaço do tempo, essa relação entre despesa, receita, fluxo de caixa, capacidade de investimento, talvez seja a grande vantagem de um modelo de SAF comparado ao modelo associativo”, analisou.

Fair Play

A busca por regulamentações de mercado tornou-se uma pauta relevante no futebol brasileiro após o impacto provocado pelo investimento das casas de apostas e as antecipações de receitas que inflacionaram os custos do futebol, medidas adotadas por vários clubes como forma de sobrevivência.

Nesse contexto, a gestão do Náutico vê a adoção severa de sanções do Fair Play Financeiro como uma saída sem volta.

“Particularmente acredito que esse movimento de Fair Play Financeiro não tem volta, e a gente vai de fato visualizar sanções no futuro. A partir do momento que a gente acaba beneficiando a irresponsabilidade, dificilmente vamos conseguir credibilidade”, cobrou Luciano Leonidio.

LEIA MAIS: CBF apresenta regras do Fair Play Financeiro válido para Séries A, B e C

Por fim, olhando para o futuro e aproveitando o fato de Recife (PE) ser uma das cidades-sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, o Náutico reestruturou um departamento inteiro dedicado às mulheres visando ao impulsionamento da modalidade.

“Temos buscado elementos e parcerias para poder investir cada vez mais no futebol feminino, não só com questões de orçamento do próprio clube, mas também buscando outras fontes de captação como leis de incentivo”, detalhou Leonidio.

“Temos um departamento separado de futebol feminino, não buscando desenvolvimentos diferentes, mas um princípio de equidade”, concluiu.

O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Luciano Leonidio, diretor-executivo do Náutico, já está disponível no canal da Máquina do Esporte no YouTube: