Até o início deste mês, a Liga do Futebol Brasileiro (Libra) parecia fadada a implodir, em meio às desavenças públicas aparentemente incontornáveis entre seus membros.
O divórcio era dado como uma questão de tempo, mas, de maneira inesperada, tudo se acalmou. E hoje a Libra conseguiu aplacar as desavenças internas e deve chegar alinhada para uma discussão sobre liga unificada, que começará a ser tratada com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o Futebol Forte União (FFU) no dia 6 de abril.
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O bloco comercial começou a fazer água no ano passado, quando o recém-empossado presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, passou a criticar abertamente os contratos de mídia firmados com o Grupo Globo, que foram assinados na gestão de seu antecessor e adversário político Rodolfo Landim.
Bap acreditava que o Flamengo estaria sendo prejudicado na distribuição das cotas com base no critério de audiência. A partir desse argumento, ele obteve o bloqueio judicial de um repasse de R$ 83 milhões que o Grupo Globo faria aos clubes da Libra.
Posteriormente, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) liberou o pagamento de R$ 66 milhões aos times do bloco, enquanto o destino dos R$ 17 milhões restantes será definido por uma corte arbitral.
Membros relevantes da Libra começaram a dizer que migrariam de bloco. No ano passado, Vitória e Atlético-MG anunciaram que entrariam para o FFU, mudanças que ainda não se concretizaram, já que ambos permanecem atrelados ao contrato com a Globo, válido até dezembro de 2029.
Por outro lado, a dupla vendeu percentuais de seus direitos comerciais e de mídia, pelo período de 50 anos, à investidora Sport Media Participações.
O Grêmio pretendia também migrar de bloco, mas passou a enfrentar resistência de alguns dos atuais membros do FFU, que iniciaram uma espécie de rebelião. Hoje, o clube gaúcho integra a suplência no Comitê Gestor da Libra e adiou para uma data indefinida a discussão interna sobre o ingresso no FFU.
Reuniões para selar a paz
A paz no interior da Libra começou a ser selada numa reunião realizada no começo da semana passada, na sede do Flamengo na Gávea, no Rio de Janeiro (RJ).
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A Assembleia Geral foi convocada a pedido do clube rubro-negro e também de Grêmio e Remo. Os três formaram uma coalizão interna, a fim de cobrar a valorização do contrato da Libra com o Grupo Globo, que não prevê reajustes na quantia a ser paga pela emissora, mesmo com a ampliação do total de membros do bloco na Série A do Brasileirão, que passou de nove para dez.
Na ocasião, o Flamengo garantiu assento no Comitê Gestor da Libra, com Bap, e ainda emplacou o Grêmio na suplência.
Para isso, teve de ceder espaço ao grupo rival (formado por Bahia, Palmeiras e Red Bull Bragatino), que hoje participa da gestão do bloco na pessoa de Raul Aguirre, CEO do clube nordestino.
Nesta quinta-feira (26), Bap e Aguirre realizaram uma reunião no Rio de Janeiro, que, segundo comunicado divulgado pela Libra, teria sido “marcada por diálogo aberto e construtivo”.
Segundo o bloco, o encontro representaria um “passo importante nas tratativas para avançar em um acordo sobre a divisão das cotas de direitos de transmissão”.
Vale lembrar que a Libra decidiu criar uma comissão de clubes para debater com a Flamengo a questão da arbitragem, tema que pode resultar em algum atrito futuro, dependendo do resultado que surgir dessa discussão.
Por outro lado, os membros do bloco parecem ter entendido que a união tende a se converter em um trunfo estratégico no momento atual, em que a ideia de criação da liga unificada ganhou força no Brasil, a ponto de haver sido encampada pela CBF, entidade máxima do futebol no país.
A reunião do dia 6, não se pode esquecer, atende a um pedido feito tanto pelos clubes da Libra quanto os do FFU. A coesão interna pode garantir condições mais favoráveis a cada bloco nessa negociação, que tende a ser complexa e demorada.
