A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo comunicou o afastamento temporário de John Textor da administração da equipe por determinação do Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas (FGV), especializado em resolver disputas empresariais.
Em uma nota oficial divulgada nesta sexta-feira (24), o Botafogo confirmou a nomeação de Durcesio Mello para exercer a função de diretor-geral interinamente. Mello foi o presidente do Botafogo que negociou a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) com Textor em 2022, e é considerado um aliado do empresário norte-americano.
A mudança na administração ocorre em um momento turbulento de reorganização administrativa e financeira do clube carioca, que obteve uma liminar na 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro para operar como se estivesse em recuperação judicial.
“A medida se faz necessária para assegurar a adequada representatividade da SAF no âmbito da Recuperação Judicial, junto aos órgãos desportivos competentes e demais instâncias relevantes, bem como para resguardar os interesses da empresa, evitando que eventuais interesses de terceiros se sobreponham aos da SAF Botafogo”, afirmou a nota oficial do clube.
Governança
A SAF questionou a fundamentação jurídica do afastamento de Textor, alegando que a decisão preliminar do tribunal avançou sobre temas que deveriam ser deliberados na Assembleia Geral Extraordinária (AGE), que havia sido convocada para a próxima segunda-feira (27) e foi cancelada.
“A SAF Botafogo registra que a medida de afastamento temporário de John Textor da administração da companhia não encontra correspondência nos pedidos submetidos à apreciação do Tribunal, tendo sido determinada sem requerimento específico das partes”, defendeu a SAF do Botafogo.
A AGE havia sido convocada inicialmente para a última segunda-feira (20), mas não foi realizada por falta de quórum, já que o clube social, que detém 10% das ações, não enviou representantes. O encontro discutiria um aporte emergencial de R$ 125 milhões para a manutenção do fluxo de caixa da equipe.
“Adicionalmente, a decisão avança sobre matéria tipicamente societária, substituindo, de forma excepcional e sem a devida deliberação, a vontade dos acionistas – cuja manifestação, por definição legal e estatutária, deve ocorrer em assembleia regularmente convocada”, criticou a nota oficial.
O conflito interno na governança intensificou-se após a obtenção da liminar que garantiu a recuperação judicial do clube. No processo, a SAF solicitou a suspensão temporária do direito de voto da Eagle Bidco, acionista majoritária do clube, alegando que ela estaria dificultando a entrada de novos aportes financeiros necessários para a manutenção da operação.
Venda
O cenário de incerteza administrativa é acompanhado por movimentações no mercado internacional. Recentemente, a administradora judicial responsável pelo caso colocou a SAF do Botafogo à venda no Reino Unido, utilizando um anúncio no jornal Financial Times, especialista em noticiário econômico.
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A gestão da SAF reforçou que a confidencialidade do procedimento arbitral foi violada com a divulgação pública da decisão do Tribunal Arbitral.
“A SAF Botafogo ressalta que a observância dos limites objetivos da arbitragem, bem como o respeito à confidencialidade, à autonomia privada e à governança societária, são pressupostos essenciais para a segurança jurídica e a integridade do procedimento arbitral”, informou a SAF, na nota.
Revisão
Com a entrada de Durcesio Mello, o clube busca manter a fluidez dos processos jurídicos vinculados ao plano de recuperação aos credores.
Mello presidiu o Botafogo durante a transição para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol e é considerado um nome que possui bom trânsito entre as alas política e executiva da agremiação.
A SAF informou que “adotará, com a urgência que o caso requer, todas as medidas cabíveis para a revisão da decisão” que afastou John Textor do comando do clube.
