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PEC da Segurança pode retirar do COB o equivalente aos orçamentos do judô e do vôlei

Avaliação foi feita pelo presidente da entidade, Marco Antônio La Porta, durante participação no CBC & Clubes Expo 2026

Marco Antônio La Porta visitou estande do Pinheiros no CBC & Clubes Expo 2026 - Rodrigo Ferrari / Máquina do Esporte

⚡ Máquina Fast
  • PEC da Segurança aprovada pela Câmara pode reduzir em 30% os recursos das casas de apostas destinados ao esporte brasileiro.
  • COB alerta que perda de R$ 25 milhões afetaria orçamentos anuais de esportes olímpicos como judô e vôlei.
  • Mudança no cálculo da contribuição inclui custos de manutenção das plataformas, gerando insegurança jurídica e risco de suspensão de repasses.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Considerada uma das principais apostas políticas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública tornou-se uma dor de cabeça para as entidades esportivas.

O problema está não na proposta original do Executivo, mas no texto que foi aprovado em plenário pela Câmara dos Deputados e que agora será analisado pelo Senado Federal.

A PEC da Segurança aprovada pelos deputados alterou o cálculo de distribuição dos recursos arrecadados junto às casas de apostas esportivas.

Hoje, o valor é apurado a partir do valor arrecadado pelas bets, menos a quantia paga aos apostadores e também o Imposto de Renda (IR) que incide sobre as premiações. Desse total que resta, 88% ficam para as plataformas, enquanto 12% são distribuídos para uma série de órgão públicos e privados.

Entidades como Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) e o Comitê Olímpico do Brasil (COB) estão entre as entidades que recebem recursos das bets.

As duas instituições avaliam que a proposta aprovada pela Câmara poderá acarretar numa redução de pelo menos 30% nos recursos hoje destinados pelas bets para o esporte brasileiro, por meio dessa contribuição.

Durante sua participação no painel sobre reforma tributária, ocorrido nesta quinta-feira (23), no CBC & Clubes Expo 2026, em Campinas (SP), o presidente do COB, Marco Antonio La Porta, afirmou que a mudança pode acarretar para a entidade numa perda de recursos equivalente ao orçamento anual destinado ao judô e ao vôlei, dois dos esportes olímpicos que mais acumulam medalhas (e, portanto, repasses) no país.

Novos hábitos de consumo

“Essa mudança na regra pode resultar numa perda de recursos de R$ 25 milhões ao ano, que é a soma dos orçamentos do vôlei e do judô”, disse La Porta, em entrevista à Máquina do Esporte.

Em sua participação no painel, o dirigente comentou sobre a mudança nos hábitos de consumo do público brasileiro, que têm resultado na gradativa redução dos recursos provenientes das loterias oficiais da Caixa, que são repassados às entidades via Lei Agnelo/Piva.

“Os recursos das bets são importantes, porque compensam a queda da arrecadação das loterias, que hoje atraem um público de uma faixa etária mais elevada. Os jovens optam pelas apostas on-line, feitas pelo celular”, explicou La Porta.

Pela norma atual, dos 12% repassados pelas bets, o COB recebe um percentual de 2,2%. Já o CBC fica 0,7%.

O que mudaria com a PEC da Segurança

O texto aprovado pela Câmara altera a forma de apuração da contribuição paga pelas bets. Se a regra entrar em vigor, seriam excluídos do cálculo não apenas os valores distribuídos aos apostadores e os impostos que incidem sobre os prêmios, mas também o custo de manutenção das plataformas, até o limite estabelecido por lei.

“Um problema sério do texto da PEC é saber como mensurar o custo de manutenção das bets. Isso não está claro”, afirma Felipe Cavalcanti, diretor jurídico do CBC.

Os custos das casas de apostas antes não entravam na soma. Seja qual for o limite definido por lei, a tendência é que o montante de recursos disponíveis para eventuais contribuições diminua.

Do total que sobrasse, 30% seriam destinados para a segurança pública. Só depois de descontado esse percentual é que poderiam incidir a contribuição de 12%, que destina recursos para diversas áreas, incluindo o esporte.

Na opinião das entidades, o texto aprovado pela Câmara faz o esporte pagar a conta da segurança pública.

“Não somos contra a segurança pública. Mas o esporte não pode pagar essa conta, inclusive porque possui um papel social importante, de prevenção à violência”, diz Cavalcanti.

Segundo o diretor jurídico, um temor adicional trazido pela PEC é que ela pode criar um conflito com a legislação em vigor.

“A norma constitucional se sobrepõe à lei. Então a legislação atualmente existente pode perder validade, fazendo com que os repasses às entidades fiquem suspensos, até que surja uma nova legislação regulamentando essa situação”, pondera Cavalcanti.