O vôlei brasileiro se despediu há cerca de um mês de Carol Gattaz, que anunciou a aposentadoria. Com o fim da carreira dentro das quadras, a ex-jogadora agora vive um momento de transição, em que o gerenciamento de imagem, finanças e saúde mental tem sido essencial.
Ao podcast Maquinistas, da Máquina do Esporte, a medalhista olímpica detalhou como está pavimentando o caminho para a transição de carreira, refletindo sobre o abismo financeiro vivido no esporte e o impacto das redes sociais.
Com uma comunidade de mais de 750 mil seguidores no Instagram, Carol compreendeu que o mercado atual demanda narrativas e propósitos, não apenas resultados esportivos.
“Hoje eu acredito que o atleta não é só mais uma marca. As marcas não levam o atleta só porque ele é atleta, levam por causa dos valores, pelo compromisso também, e isso a gente tem que ter em mente”, disse.
A consolidação de imagem permitiu que ela explorasse novas frentes comerciais, como a produção de conteúdo. Durante os Jogos Olímpicos de Paris 2024, por exemplo, foi escolhidas pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) para uma iniciativa voltada ao ambiente digital.
“Tive a oportunidade de ir para Paris como influenciadora do Time Brasil. Era uma coisa muito legal, porque na verdade eles nunca tiveram nenhum influenciador para trazer essas coisas, e para mim também foi uma coisa totalmente nova, um desafio”, lembrou.
Para a jogadora recém-aposentada, a gestão de imagem tornou-se uma obrigação inerente à profissão como atleta, exigindo maior atenção para o posicionamento dentro desse ecossistema.
“Nós não somos influenciadores, mas ao mesmo tempo nós somos, porque a gente também expõe as marcas e isso também faz parte do nosso trabalho”, exaltou.
O vôlei
Apesar do vôlei ser o segundo esporte em audiência e relevância no Brasil, o ecossistema nacional, no ponto de vista de Carol Gattaz, ainda é frágil e desigual. A medalhista olímpica apontou que a maioria das atletas de vôlei não consigam viver muito tempo apenas com o salário direto do esporte.
“Você vive com o salário do vôlei, mas a carreira de um atleta é curta. Então será que essa pessoa vai conseguir juntar dinheiro pro pós? Eu não acredito, porque pelo salário que elas ganham elas não conseguem”, afirmou.
No entendimento de Gattaz, o vôlei brasileiro ainda carece de princípios de gestão que são aplicados em outros países em que o esporte também se destaca.
“Eu sempre vejo o modelo americano de fazer esportes. Se o nosso vôlei começasse a se profissionalizar do jeito que é lá, obviamente a gente sabe que o dinheiro não gira aqui do mesmo jeito natural, mas se a gente conseguisse se estruturar melhor, o vôlei é um esporte que tem muitos públicos”, defendeu.
Saúde mental
Ainda que as redes sociais tenham criado novas possibilidades de conexão entre os atletas e o público, e isso gere oportunidades de ganhos financeiros para além das quadras, a proximidade aumenta as cobranças, custo muitas vezes pago pela saúde mental.
Para Carol, neste cenário, a resiliência psicológica tornou-se tão crucial quanto o preparo físico.
“Um atleta sem a saúde mental hoje não consegue performar”, concluiu.
O podcast Maquinistas, apresentado por Erich Beting e Gheorge Rodriguez, com a participação de Carol Gattaz, ex-jogadora de vôlei medalhista olímpica, já está disponível no canal da Máquina do Esporte no YouTube:
