O Flamengo e o Grêmio divulgaram comunicado conjunto nesta quarta-feira (6) para explicar os termos do rateio da verba de audiência dentro da Liga do Futebol Brasileiro (Libra). O documento fala sobre a atuação dos clubes na negociação que encerrou a divergência sobre a distribuição de 30% da remuneração sobre audiência prevista no contrato de direitos de transmissão com a Globo até 2029.
A oficialização deste entendimento ocorre em um momento de instabilidade no bloco. O ajuste financeiro, que concedeu ao Flamengo um adicional de R$ 150 milhões no contrato de TV, além de verba adicional ao Grêmio, gerou descontentamento em outros clubes.
Segundo a Máquina do Esporte apurou, a nova diretoria do Tricolor Gaúcho, presidida por Romildo Bolzan, se tornou aliada de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, na reivindicação por uma maior parcela da receita de audiência. Em 2025, o clube havia apoiado os demais clubes na disputa com o time carioca, inclusive votando conjuntamente na assembleia da Libra.
No início do ano, o Tricolor Gaúcho chegou a ameaçar migração ao Futebol Forte União (FFU), bloco de clubes rival, o que acabou não acontecendo.
Ao contrário do Flamengo, porém, o Grêmio não chegou a entrar na Justiça questionando esses repasses. O acordo entre Libra e Flamengo fará com que tais ações sejam retiradas, liberando uma verba que hoje totaliza R$ 34 milhões para ser divididas entre as equipes.
Além dos 30% de audiência, a divisão de receitas do contrato da Libra com a Globo também prevê a distribuição de 40% de maneira gualitária e 30% pela performance de cada time no campeonato.
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Palmeiras fora
O Palmeiras, liderado pela presidente Leila Pereira, comunicou sua saída da Libra momentos depois da oficialização do acordo com o Flamengo. O clube paulista informou que dará prioridade a um projeto de liga liderado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
A primeira reunião, com participação dos 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, aconteceu no início de abril, com a estruturação de um cronograma de trabalho até a finalização de um estatuto da nova liga, no final do ano.
Segundo o comunicado de Flamengo e Grêmio, as tratativas garantiram um aumento no volume de recursos destinados aos dois clubes para o ciclo que vai de 2026 a 2029. De acordo com apuração da Máquina do Esporte, porém, o acordo da Libra com o Flamengo não implica uma parcela maior ao Grêmio. Essa valorização teria sido obtida diretamente entre as diretorias de ambos os clubes.
A nota afirma que as diretorias “defenderam conjuntamente um critério de rateio da verba de audiência, prevista no contrato firmado entre a Globo e os clubes da Libra, que reconheça a capacidade de cada clube de gerar valor econômico”.
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Acordo
O texto aponta que o resultado das conversas foi um ponto intermediário entre as exigências iniciais e a vontade das demais equipes do grupo. Segundo o comunicado, “o entendimento alcançado representa um equilíbrio entre o modelo defendido por Grêmio e Flamengo e a posição dos demais clubes da Libra”.
A mudança na fórmula de cálculo impacta diretamente o fluxo de caixa das equipes nos próximos quatro anos, especialmente para a equipe gaúcha, que enfrenta problemas graves financeiros.
Grêmio e Flamengo ressaltaram que “o acordo garante que, no período de 2026 a 2029, Flamengo e Grêmio ampliarão suas participações nas receitas de audiência em relação ao modelo anteriormente proposto, assegurando receitas adicionais para ambos os clubes”.
Apesar da perda recentes do Palmeiras como membro, as diretorias mantêm o posicionamento de que a solução consensual foi necessária para a manutenção do projeto.
Na declaração conjunta, “Flamengo e Grêmio reforçam seu compromisso com a construção de uma liga forte, sustentável e alinhada às melhores práticas internacionais, destacando que o diálogo, a responsabilidade institucional e a capacidade de convergência são fundamentais para o desenvolvimento do futebol brasileiro”.
