Os clubes que integram a Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e o Flamengo oficializaram um acordo para encerrar a disputa sobre a distribuição das receitas de audiência dos direitos de transmissão. A assinatura dos dirigentes dos clubes que integram a Libra foi coletada no último fim de semana.
O entendimento foca na fatia de 30% da remuneração fixa estabelecida no contrato com o Grupo Globo, válido até 2029. As demais parcelas do total do acordo são divididas igualitariamente (40%) e por performance (30%).
Segundo a Máquina do Esporte apurou, a ação representará o desbloqueio de R$ 34 milhões que estão bloqueados pela Justiça por conta de uma ação do Flamengo questionando os valores pagos pela audiência. Se tal disputa prosseguisse nos próximos quatro anos de contrato, a estimativa era de que houvesse um bloqueio de mais de R$ 170 milhões na Justiça (considerando-se reajustes anuais do acordo com a Globo). Por isso, a manutenção do processo na Justiça foi avaliada como mais prejudicial.
Para os dirigentes da maioria das equipes da Libra, esses bloqueios trariam mais perdas financeiras do que o montante que foi cedido ao Flamengo. Alguns times, como Atlético-MG, Grêmio, Santos e São Paulo, enfrentaram problema com o fluxo de caixa em 2025 por causa dos bloqueios da verba.
Acordo
A solução entre Libra e Flamengo foi construída após meses de negociações para buscar um entendimento entre as exigências de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do time rubro-negro, e as demais equipes que integram o bloco.
A divergência teve início em janeiro de 2025, quando a nova diretoria do Flamengo assumiu o comando e passou a requisitar alterações no modelo de divisão de receitas. Para garantir o fim das divergências, houve um reajuste de R$ 150 milhões na parcela destinada ao clube rubro-negro nos contratos de mídia da Libra, diluído em quatro parcelas anuais de R$ 37,5 milhões que serão pagas até 2029.
O ponto de equilíbrio alcançado encerra um período de instabilidade institucional. Em nota oficial, o Flamengo informou que “chegou a um acordo com os demais clubes da Libra para encerrar a divergência relacionada à distribuição das receitas de audiência dos direitos de transmissão”.
A agremiação ainda destacou que a solução representa um passo para o avanço do projeto de criação de uma liga nacional.
Apesar da resolução com a equipe carioca, a Libra enfrenta divergências internas por conta do novo acordo. A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, afirmou recentemente que o clube pretende deixar o bloco para aderir a um projeto de liga estruturado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
O descontentamento palmeirense acentuou-se após o reajuste do pagamento dado ao Flamengo. À ocasião, Leila disse que não se oporia a assinar o acordo porque entendia que outros clubes estavam com dificuldade no fluxo de caixa devido à verba de TV presa por conta da ação judicial perpetrada pelo Flamengo.
LEIA MAIS: Sob efeito Libra/FFU, CBF registra queda no faturamento com direitos de TV em 2025
LEIA MAIS: Libra completa 4 anos sem liga unificada e sob risco de implosão
Liga
Com o encerramento da disputa interna, as partes afirmam que pretendem concentrar esforços nos próximos passos para a criação de uma liga nacional, projeto iniciado há quatro anos, com a criação da Libra, mas que naufragou até o momento.
Segundo o comunicado da Libra, o foco agora está no “reforço da valorização de suas propriedades e na visão de fortalecimento, avanço e melhoria do ecossistema do futebol brasileiro”.
O planejamento para a nova estrutura de competição deve ocorrer em conjunto com a CBF e as equipes que compõem o Futebol Forte União (FFU). Uma primeira reunião foi realizada na sede da entidade, no Rio de Janeiro (RJ), no início do mês passado, com o estabelecimento de um cronograma para coleta de sugestões, discussões e estabelecimento de um estatuto para a nova liga.
Esse objetivo, pretendido tanto pela Libra como pelo FFU (ex-Liga Forte Futebol e Liga Forte União) em suas ações nos últimos quatro anos, passou a ser liderado pela CBF.
