Faltam poucos dias para o início da maior celebração do futebol mundial. A Copa do Mundo movimenta paixões, países inteiros e bilhões de pessoas ao redor do planeta. Mas, enquanto os holofotes se voltam para os grandes estádios e para os maiores craques do mundo, outro evento aconteceu no México para lembrar ao mundo a essência mais poderosa do esporte: a capacidade de transformar vidas. Estou falando da Copa do Mundo das Crianças de Rua.
A Street Child World Cup acontece desde 2010, sempre no ano da Copa do Mundo da Fifa, reunindo jovens em situação de vulnerabilidade social de dezenas de países. Mais do que uma competição, o evento dá voz e visibilidade, e mostra que o esporte pode ser um caminho para transformar vidas. Nesta edição, 30 nações estiveram representadas no México, cada uma trazendo sua cultura, sua história e sua realidade para um ambiente de troca genuína.
O formato do evento diz muito sobre a sua filosofia. Além dos jogos, os jovens participam diariamente de oficinas sobre identidade, arte, cultura e sociedade. Os árbitros não apenas conduzem as partidas, mas atuam como moderadores, reunindo as equipes antes e depois de cada jogo para reforçar valores como empatia, respeito e espírito coletivo. Um elemento especialmente simbólico é o “cartão verde”, utilizado para reconhecer atitudes positivas dentro de campo. O resultado importa, mas a forma como cada atleta se relaciona importa tanto quanto.
Não é por acaso que nomes como David Beckham, Lewis Hamilton e Bono, da banda U2, escolheram associar sua imagem a esse evento. Nesta edição mexicana, o próprio Bono marcou presença na assembleia final, momento em que a presidente do México, Claudia Sheinbaum, fez um discurso impactante sobre a importância de criar oportunidades reais para que jovens possam sonhar sem limites.
Entre os países representados, o Brasil chegou com história para contar. O futebol feminino foi representado pelo projeto paulista “Em Busca de uma Estrela”, liderado pela minha amiga e empreendedora social Camila Estefano. O “Estrelas” é um projeto social de formação e desenvolvimento de base do futebol feminino focado em meninas em situação de vulnerabilidade.
Em conversa com a Camila sobre a experiência da Copa, ela disse: “A Street Child World Cup foi uma experiência muito maior do que imaginávamos. As meninas ampliaram suas visões de mundo e voltaram ainda mais conscientes do papel que podem exercer em suas comunidades. O futebol foi um caminho para fortalecer liderança, empatia e pertencimento, e aconteceu em um ambiente onde o coletivo e o respeito caminham juntos com a competição”.
Dentro do torneio, o desempenho foi à altura: o “Estrelas” venceu os EUA na final e conquistou o título da Street Child World Cup Shields. O troféu foi celebrado pelo grupo não só pelo placar, mas pela forma como aconteceu, com união, respeito e consistência ao longo de toda a jornada.
No futebol masculino, o Brasil também foi campeão. Os jovens do Street Child United Brazil (Scub), do Complexo da Penha, no Rio de Janeiro (RJ), derrotaram a Índia na final e trouxeram para casa mais um título mundial. Prova de que o potencial transformador do esporte não tem endereço fixo.
Em um ano em que o futebol volta a ocupar o centro do planeta, a Street Child World Cup lembra que o esporte mais popular do mundo tem muito mais a oferecer do que gols e títulos. O futebol que nasceu nas ruas tem a capacidade de transformar vidas e construir futuros diferentes.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Roberta Coelho é CEO da equipe de e-Sports MIBR e criadora da WIBR, ecossistema de ações que busca trazer mais mulheres para o universo dos games. Além disso, é cocriadora e ex-CEO da Game XP e ex-head de desenvolvimento de negócios e ex-diretora comercial do Rock in Rio
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