A era do Chicago Bulls nas décadas de 1980 e 1990 foi um período histórico para o basquete mundial. Não somente pelos títulos, mas principalmente pela presença de Michael Jordan, que projetou a NBA internacionalmente e conquistou uma enorme base de fãs em todos os continentes, inclusive no Brasil.
Desde então, o torcedor brasileiro dos Bulls amargou um longo período de frustrações. Foram mais de 25 anos aguardando uma notícia que trouxesse novas motivações. E não é que agora ela chegou justamente pelas mãos de um brasileiro?
O mês de junho será sempre especial na carreira de Tiago Splitter. Em 14 de junho de 1998, aos 13 anos, ele viu o Chicago Bulls vencer o sexto e último título de sua história. Agora, 28 anos depois, em 16 de junho de 2026, ele foi oficialmente anunciado como novo treinador da mesma franquia para a qual declarou ser torcedor na sua infância.
Após uma rápida trajetória de muito sucesso, Tiago chega a Chicago após uma temporada vitoriosa no Portland Trail Blazers, quando levou a franquia novamente aos playoffs após cinco anos. Antes de fazer sucesso em Portland, Splitter foi assistente técnico do Brooklyn Nets (de 2019 a 2023), do Houston Rockets (2023 e 2024) e liderou o time do Paris Basketball para o título francês como treinador principal em 2025. Nesse período, Tiago Splitter também integrou a comissão técnica da seleção brasileira no ciclo das Olimpíadas de Paris 2024.
Em uma das entrevistas que concedeu dias após assumir o comando dos Bulls, Tiago reconheceu sua ascensão meteórica como treinador, mas disse ter sido importante “estar no lugar certo, na hora certa, mas preparado para tudo que pode acontecer”. Foi assim no Portland, quando a vaga de treinador ficou em aberto, e ele assumiu como interino dias antes da temporada 2025/2026 começar.
Ser treinador de uma grande equipe ou seleção é uma enorme responsabilidade profissional, que exige profundo conhecimento técnico e, principalmente, equilíbrio emocional para o exercício da liderança e da responsabilidade de gerenciar as personalidades dos atletas da maior liga de basquete do mundo. São jogadores de elite, com diferentes formações culturais, expectativas individuais e objetivos de crescimento profissional visando novos contratos milionários.
Uma famosa frase de Phil Jackson, ex-treinador do Chicago Bulls e vencedor de 11 títulos da NBA (os seis dos Bulls e mais cinco com o Los Angeles Lakers), ilustra a complexidade da gestão desses atletas.
“Um treinador tem seis inimigos no banco e cinco em quadra”.
A expressão está no livro “Onze Anéis: A alma do sucesso” e reflete a filosofia de liderança e gestão de egos do ex-treinador.
Considerando-se o curto histórico e o currículo de Tiago Splitter como treinador, os fatos apontam positivamente para sua liderança. Tanto no Paris Basketball quanto no Portland Trail Blazers, seus atletas manifestaram publicamente admiração e respeito pelo trabalho do brasileiro, reconhecendo sua contribuição na performance do time e no desenvolvimento individual dos jogadores.
A NBA recomeçará em outubro com dois representantes do Brasil: Gui Santos no Golden State Warrios e Tiago Splitter como treinador principal do Chicago Bulls. Os brasileiros terão novos motivos para acompanhar as partidas e torcer pelo sucesso dessas duas franquias.
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Aos apaixonados pelos tradicionais Los Angeles Lakers e Boston Celtics, bem como aos empolgados fãs do Victor Wembanyama, do San Antonio Spurs, ou aos torcedores do atual campeão New York Knicks, peço desculpas antecipadas, porque minha torcida, na temporada 2026/2027, será pela pouco provável final entre Gui Santos e Tiago Splitter.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Alvaro Cotta é diretor de marketing da Liga Nacional de Basquete (LNB)
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