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Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP)

Estação Central

9 min de leitura

Análise

Osmar Stabile ainda não sabe se tentará reeleição, enquanto “Renovação e Transparência” é varrida do Corinthians

Disputa política no clube é um dos temas da coluna "Estação Central", que traz também bastidores da reunião da CBF para a criação da liga unificada

Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP) • Colunista

27/05/2026 18h22

Osmar Stabile, presidente do Corinthians, fala com a imprensa após participação na reunião da CBF com clubes das Séries A e B do Brasileirão - André Romero / Máquina do Esporte

⚡ Máquina Fast
  • O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, criticou a politização interna do clube que dificulta a gestão e evitou definir sua candidatura à reeleição.
  • A expulsão de Andrés Sanchez do quadro de associados marca o fim do Grupo Renovação e Transparência, fortalecendo a atual gestão para a eleição do Corinthians.
  • A Frente Parlamentar Mista do Congresso propõe banir publicidade e patrocínio das casas de apostas, suscitando debates sobre regulamentação e combate a plataformas ilegais.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, esteve no Rio de Janeiro (RJ), na última segunda-feira (25), para participar da reunião da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com clubes das Séries A e B do Brasileirão, sobre a criação da liga unificada no país.

O dirigente deixou o encontro antes dos demais cartolas e acabou sendo abordado por jornalistas para relatar suas impressões sobre as propostas ali debatidas e também outras questões referentes à política interna do Timão.

Àquela altura, o ex-presidente Andrés Sanchez estava em vias de ser expulso do quadro de associados do Corinthians, por conta do uso indevido do cartão corporativo para cobrir despesas pessoais.

LEIA MAIS: Andrés Sanchez é expulso do Corinthians por decisão do Conselho Deliberativo

O atual presidente optou por adotar um tom diplomático, evitando atacar diretamente o ex-mandatário.

“Eu acho que o Corinthians está muito politizado”, afirmou Osmar.

Segundo ele, o racha interno no clube tem criado empecilhos para a atual gestão buscar novas receitas.

“Existe um trabalho da oposição para dificultar as coisas no Corinthians. A gente não gostaria que isso acontecesse. A gente gostaria que todos se juntassem em prol da instituição”, disse.

Ele reconheceu, porém, que a disputa acirrada não se restringe apenas ao Timão, mas afeta outras equipes.

“Há politização enorme no país, e acaba indo para os clubes”, salientou, referindo-se, na verdade, à polarização observada especialmente na esfera federal entre os partidários de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), político, que, aliás, já contou com apoio explícito de Osmar em outros tempos.

É ou não candidato?

Osmar Stabile foi questionado pela coluna se será ou não candidato à reeleição no fim do ano.

“Acho que o momento não é da gente falar de política dentro do Corinthians, porque estamos passando por essas dificuldades financeiras. O objetivo principal é buscar condições da gente melhorar a instituição. Eu conclamo, já falei isso para todos os futuros candidatos, que aguardem o momento, um pouquinho para frente, para que a gente saia dessa situação no Campeonato Brasileiro e consiga resolver os problemas financeiros do Corinthians”, afirmou.

Reparem que ele poderia ter respondido apenas “sim” ou “não” (quem sabe “talvez”, “ainda não sei”), mas optou por pregar paz e união em favor de um bem maior.

Com esse discurso, ele tanto deixa brecha para se lançar candidato mais adiante (isso no caso de o clube engrenar bons resultados no Brasileirão, na Copa do Brasil e/ou na Copa Libertadores), com o discurso de pacificador, como também para pendurar as chuteiras como cartola, caso note que sua recondução ao cargo ficou inviável.

Expurgo Renovação e Transparência

A expulsão de Andrés Sanchez do quadro de associados do Corinthians equivale a uma espécie de expurgo final do Grupo Renovação e Transparência, que comandou o clube de 2007 a 2023, período em que o Timão conquistou a Copa Libertadores e o Mundial de 2012, além de realizar o sonho do estádio próprio (que mais tarde se converteria em sua grande fonte de endividamento).

A Gaviões da Fiel exige publicamente que o ex-presidente Duilio Monteiro Alves também seja expulso do clube. Outro que está na mira da organizada, mesmo não integrando a Renovação e Transparência, é Augusto Melo, que perdeu o mandato por conta das denúncias envolvendo o caso VaideBet.

LEIA MAIS: Corinthians: Augusto Melo vai da esperança de renovação a indiciado pela Polícia Civil no caso VaideBet

Com a derrocada da principal tendência de oposição no clube, o grupo que hoje comanda o Corinthians fica fortalecido para a disputa da eleição no fim do ano.

Armando Mendonça

Um nome que vem ganhando força nos bastidores do Timão é o do vice-presidente Armando Mendonça.

Ele integra a tendência Movimento Corinthians Grande (MCG), uma das que apoiam Osmar Stabile, que, por sua vez, é membro do grupo União dos Vitalícios.

Por enquanto, a situação ainda não definiu quem será seu candidato no próximo pleito (tanto Armando quanto Osmar estão no páreo).

Vale lembrar que o MCG é muito próximo ao ex-diretor de futebol Rubens Gomes, o Rubão, que foi o grande articulador da campanha vitoriosa da Augusto Melo na última eleição.

Qual será o futuro da Libra e do FFU?

A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, também concedeu entrevista aos jornalistas, após o encerramento da reunião da CBF com os clubes.

Desta vez, ela optou por não alfinetar diretamente seu desafeto Luiz Eduardo Baptista, o Bap, do Flamengo, mesmo quando teve a oportunidade, ao ser instada a comentar sobre a saída do Palmeiras da Liga do Futebol Brasileiro (Libra).

A resposta dela, que inicialmente poderia até ser entendida como uma espécie de ataque ao presidente do Flamengo, que se tornou também diretor do bloco comercial, na verdade representa uma análise precisa de como a condução do debate sobre a liga unificada impactará os destinos da Libra e do Futebol Forte União (FFU).

“Eu não acredito nessas ligas como a Libra e o FFU”, afirmou a presidente palmeirense, que disse confiar na CBF como única capaz de levar adiante a ideia da liga no país.

Na visão da dirigente, a saída do Palmeiras da Libra não trará impactos para o clube ou para o bloco comercial.

“O que é a Libra? Ela foi muito eficiente para negociar direitos de transmissão com a Globo. Foi o único fato positivo”, ponderou a dirigente, que se referiu às reuniões do bloco como “totalmente infrutíferas”.

Nas entrelinhas, Leila dá a entender que os dois blocos já cumpriram sua função nesse debate e que tendem a não ter tanto poder para definir os rumos da criação da futura liga.

Ausentes

Por falar em Bap, o presidente do Flamengo estava em viagem ao exterior e não compareceu à reunião da CBF. Ele foi representado por Marcelo Campos Pinto.

Dos 40 clubes das Séries A e B do Brasileirão convidados para o encontro, apenas Mirassol, América-MG, Coritiba e Botafogo-SP não compareceram.

CBC

O Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) definiu a cidade de Brasília (DF) como a sede da edição de 2027 do Fórum Nacional de Formação Esportiva e do CBC & Clubes Expo.

Os eventos serão entre os dias 21 e 24 de abril, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB). A escolha da nova sede deu-se por meio de licitação.

Vale observar que, com o evento na capital federal, a entidade e os clubes a ela associados estarão mais próximos aos locais onde são definidas as políticas que impactam a realidade dessas instituições.

A última edição do CBC & Clubes Expo, realizada em Campinas (SP), no mês passado, marcou o início da mobilização da entidade e de outras organizações do esporte, entre elas o Comitê Olímpico do Brasil (COB), em defesa de projetos que buscam reduzir os impactos da Reforma Tributária sobre os clubes associativos, evitando que eles tenham uma carga maior que a das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), a partir de janeiro do ano que vem.

LEIA MAIS: Clubes associativos se mobilizam para obter imunidade tributária na Constituição

Bets cada vez mais na mira do Congresso

Em ano eleitoral, as bets estão cada vez mais na mira dos políticos em Brasília. Desta vez, é a Frente Parlamentar Mista para a Promoção da Saúde Mental, no Congresso Nacional, que propõe um projeto buscando proibir a publicidade das empresas do setor no país.

O texto é assinado por 20 deputados e 7 senadores e deve tramitar de maneira simultânea no Senado e na Câmara. Ele veda não apenas a publicidade nos meios de comunicação, mas também o patrocínio esportivo feito pelas casas de apostas.

Os principais argumentos dos autores consistem no impacto que o jogo ocasiona no orçamento das famílias, além da questão da dependência.

Já pelo lado das casas de apostas, o argumento é de que a proibição favorece as plataformas não regulamentadas.

“Impedir a publicidade das empresas autorizadas a operar no país é um grande erro, pois, nessa fase inicial da regulamentação, fomenta o crescimento das bets ilegais e vai na contramão do caminho que foi trilhado por nações que apresentam um ambiente responsável para o jogo on-line, como Inglaterra e Itália”, acredita Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e sócio do Betlaw, escritório de advocacia especializado no setor de jogos.

Com relação à questão das bets ilegais, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda (MF), afirma ter avançado no acordo com o Conselho Digital do Brasil, que reúne empresas de tecnologia como Google, Meta, TikTok, Kwai e Amazon, para obter maior eficiência na derrubada da publicidade das plataformas não autorizadas a operar no país.

Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010

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