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Erich Beting - São Paulo (SP)

Erich Beting

5 min de leitura

Copa 2026

Brasileiro troca televisor por alimentos na Copa do Mundo de 2026

Varejo no país deve ter um acréscimo de R$ 4,32 bilhões durante o período do Mundial, mas com uma mudança grande de hábito

Erich Beting - São Paulo (SP) • Colunista

11/06/2026 08h22

Propaganda das Casas Bahia promete quitar TV se Brasil ganhar a Copa - Divulgação

Propaganda das Casas Bahia promete quitar TV se o Brasil ganhar a Copa - Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • A Copa do Mundo de 2026 deve injetar R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro, com foco em alimentos e bebidas, ao invés de eletroeletrônicos.
  • A maioria dos torcedores vai consumir em casa, impulsionando o uso de delivery, que é a preferência de 61% dos entrevistados.
  • A mudança no consumo está ligada à economia apertada e à nova distribuição de direitos de mídia, com predominância do streaming sobre a TV linear.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A Copa do Mundo de 2026 deve representar um divisor de águas para o varejo brasileiro. Se, tradicionalmente, o mercado sempre apostou nas promoções atreladas à compra de um novo televisor para acompanhar os jogos do Mundial, desta vez a história será diferente. 

É só olhar a propaganda relacionada ao torneio para perceber essa tendência. Não é por acaso que temos acompanhado cada vez mais ações ligadas a aplicativos de delivery de alimentos e visto menos movimentação de anúncios das empresas de eletroeletrônicos com televisões de altíssima definição.

LEIA MAIS: Aplicativos de delivery apostam em colecionismo e ativações para a Copa do Mundo de 2026

Uma pesquisa realizada entre 27 de abril e 5 de maio pela Offerwise Pesquisas e encomendada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) apontou que a Copa do Mundo de 2026 deve injetar R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro.

O movimento representa um aumento de cerca de 6,5% ao que foi injetado na economia do país durante a Copa do Mundo do Catar, em 2022, disputada nos meses de novembro e dezembro.

Mas, em vez das Smart TVs de última geração, o brasileiro deverá concentrar a maior parte dos gastos em produtos de giro rápido, especialmente alimentos e bebidas para serem consumidos durante os jogos.

99 milhões em ação

O levantamento projeta que 99,2 milhões de brasileiros irão às compras motivados pela Copa do Mundo. Em média, cada pessoa deve gastar R$ 619 em compras, sendo que nas classes A e B o tíquete médio sobe para R$ 784.

O setor mais beneficiado nesta Copa do Mundo deve ser o de supermercados e hipermercados com a venda de alimentos e bebidas. A pesquisa aponta para R$ 3,97 bilhões sendo gastos nesse tipo de estabelecimento (quase 70% de todo o montante). 

Entre os tipos de produtos consumidos, a preferência, pela ordem, são as bebidas não alcoólicas (68%), os petiscos (62%), as carnes para churrasco (60%) e cervejas (59%).

Depois da alimentação, o setor que mais deve faturar é o de vestuário e acessórios (R$ 803,7 milhões), com as camisas da seleção brasileira como maior motor do segmento. 

Fecham o ranking de vendas, de acordo com a pesquisa, os artefatos eletrônicos (R$ 262,6 milhões), os itens de informática e computação (R$ 198,5 milhões) e só então os móveis e eletroeletrônicos, que incrementarão apenas R$ 80,2 milhões, segundo a projeção.

Copa em casa

Outro destaque do levantamento é como será feito o consumo do torcedor durante a Copa. Com boa parte dos jogos ocorrendo no período da noite, algo que não acontecia há alguns anos, o torcedor tende a se reunir em casa para assistir às partidas. 

Por conta disso, entre os serviços que as pessoas usarão para consumir, o delivery de comida e bebida é o líder em preferência, com 61% dos entrevistados afirmando que usarão essa estratégia. Já bares e restaurantes são citados por 39% dos consumidores.

Essa movimentação explica o porquê de empresas como Amazon, iFood, Mercado Livre e Keeta estarem injetando cada vez mais dinheiro em projetos ligados ao futebol. A “guerra dos deliveries” tem ditado o ritmo das campanhas de mídia no pré-Copa.

“A Copa do Mundo de 2026 reafirma sua posição como um dos principais catalisadores do varejo brasileiro. O evento desperta um comportamento de consumo profundamente enraizado na tradição cultural do país, onde o ato de torcer é, essencialmente, uma experiência coletiva e de celebração. Para o comércio e serviços, isso representa uma oportunidade de ouro: a necessidade de o brasileiro se reunir em casa ou em estabelecimentos comerciais gera uma demanda em cadeia, consolidando o período como um pilar estratégico para o faturamento anual do setor”, afirmou José César da Costa, presidente da CNDL.

Grana curta e nova realidade

A mudança de hábito do brasileiro nesta Copa do Mundo está relacionada a dois diferentes fatores. O primeiro deles é a situação econômica do país. Com o aumento de juros e crédito mais curto, o mercado de móveis e eletroeletrônicos, que geralmente crescia bastante nessa época, deve ficar mais estagnado. 

Só para se ter uma ideia, em 2026, a busca pela compra de televisores está cerca de 15% abaixo do que foi em 2022. Mesmo com o preço médio dos televisores registrando uma queda de 18,9% entre 2022 e 2026, o consumidor recusa o parcelamento de longo prazo para a compra de produtos.

Além disso, outro fator que tem impulsionado esses números é a mudança na distribuição de direitos de mídia da Copa do Mundo. Em 2026, pela primeira vez, o principal meio para se acompanhar o Mundial será o streaming. 

A CazéTV foi quem adquiriu os direitos de transmissão de todos os 104 jogos do torneio e, com isso, a “importância” da TV linear foi para segundo plano. O Grupo Globo exibirá 52 partidas do Mundial, enquanto SBT e N Sports transmitirão 32 jogos.