A Copa do Mundo 2026 é a edição com a maior presença de jogadores nascidos fora dos países que representam. Segundo levantamento da Fifa, quase um quarto dos atletas convocados (23,4%) nasceram em outras nações. Um total de 292 jogadores dos 1248 presentes na Copa representam outro país que não o do seu nascimento.
Não bastasse isso, apenas oito equipes, incluindo a seleção brasileira, não contam com jogadores estrangeiros em seus elencos. As demais são África do Sul, Arábia Saudita, Áustria, Colômbia, Panamá, República Tcheca e Suécia.
Histórico
A relação entre migração e futebol não é nova. O primeiro inglês a disputar uma Copa do Mundo, George Moorhouse, representou os Estados Unidos na Copa do Mundo de 1930, disputada no Uruguai. A Inglaterra só estrearia em Mundiais na edição do Brasil, em 1950.
Aquela equipe norte-americana também contou com cinco escoceses que se tornaram elegíveis após se mudarem para os Estados Unidos. Multicultural, o time avançou até a semifinal. Em que pese um humilhante 6 a 1 para a Argentina na disputa por um lugar na decisão, foi a melhor participação dos Estados Unidos até hoje em Mundiais, com a terceira posição.
França
Quase cem anos depois, o maior fornecedor de pé-de-obra para a Copa do Mundo é a França. No total, 76 franceses, incluindo dez que defendem Senegal, adversário dos Bleus na estreia. Argélia (13), Haiti (12), Costa do Marfim e República Democrática do Congo também aparecem com forte representação.
A seleção de Curaçao, estreante no torneio, é formada quase integralmente por holandeses. Apenas um atleta nasceu na ilha caribenha, que integra o Reino dos Países Baixos. O time, como não poderia deixar de ser, é comandado por um holandês, Dick Advocaat.
Na histórica estreia do menor país a disputar uma Copa do Mundo, foi um desses holandeses de nascimento, Livano Comenencia, quem marcou o primeiro gol curaçauense em Mundiais, na derrota por 7 a 1 para a Alemanha.
Recordistas
No total, há 42 holandeses espalhados por nove seleções estrangeiras. É o segundo maior fornecedor de jogadores ao Mundial, atrás apenas da França.
Por outro lado, o elenco mais multicultural é o do Catar, país em que cerca de 90% da população nasceu em outro país. Contando com essa lógica, a seleção catariana conta com atletas vindos de dez nações diferentes: Argélia, Bélgica, Brasil, Egito, França, Gana, Portugal, Senegal, Somália e Sudão.
A Bósnia e Herzegovina vem logo atrás, com representantes vindos de nove países para além de suas fronteiras: Alemanha, Áustria, Croácia, Dinamarca, Eslovênia, Estados Unidos, Sérvia, Suécia e Suíça.
Brasil
O primeiro brasileiro a ir às redes na Copa 2026 também não comemorou com seus companheiros de camisa canarinho. Foi Maurício, pelo Paraguai, que fez o gol solitário na derrota por 4 a 1 para os Estados Unidos na última sexta-feira (12). Além do brasileiro, o Paraguai conta com três argentinos e um uruguaio no elenco.
Filho de pai paraguaio e mãe brasileira, Mauricio nasceu em São Paulo e chegou a defender o Brasil nas categorias de base. A proximidade de Gustavo Gómez e Ramon Sosa, companheiros de elenco no Palmeiras, acendeu o desejo de obter a dupla cidadania para defender o Paraguai e realizar o sonho de jogar uma Copa do Mundo.
Não é caso único. O zagueiro Lucas Mendes é o brasileiro do Catar (não saiu do banco na estreia contra a Suíça). Já o meia Matheus Nunes defende Portugal, que estreia na quarta-feira (17) contra a República Democrática do Congo.
Regras
As normas de elegibilidade da Fifa passaram por diversas alterações. Desde 2004, jogadores que atuaram nas categorias de base podem mudar de seleção principal, desde que tenham dupla nacionalidade e não tenham disputado partidas oficiais pela equipe adulta (amistosos não valem).
Em 2020, a entidade flexibilizou ainda mais, permitindo que atletas com até três jogos oficiais antes dos 21 anos mudem de país após três anos sem convocações.
Casos como o de Munir El Haddadi, que estreou pela Espanha em 2014 e só pôde defender o Marrocos sete anos depois, foram determinantes para a mudança. Exemplos recentes incluem Brian Gutiérrez, que trocou os Estados Unidos pelo México, e Declan Rice, que deixou a Irlanda para representar a Inglaterra.
A busca por jogadores elegíveis tornou-se sofisticada. Federações utilizam bases de dados, redes sociais e até o videogame Football Manager para identificar atletas com dupla nacionalidade e testar suas habilidades. Por outro lado, em alguns casos, o contato parte dos próprios jogadores ou seus familiares.
