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Ministério do Esporte diz ver “risco sistêmico” em negócio do FFU e quer caso no Ministério Público Federal

Nota técnica obtida pela Máquina do Esporte aponta que direitos de TV do Brasileirão pode ir parar em mãos "sem vínculo com o esporte, ou mesmo com o Brasil"

Futebol Forte União é o novo nome da antiga Liga Forte União - Divulgação

Futebol Forte União é o novo nome da antiga Liga Forte União - Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • Ministério do Esporte alerta sobre risco sistêmico na emissão bilionária de debêntures da Sports Media, investidora do Futebol Forte União.
  • Operação financeira pulveriza controle dos direitos de transmissão do Brasileirão, aumentando opacidade e risco de controle por agentes estrangeiros desconhecidos.
  • Secretaria recomenda encaminhamento do caso ao Ministério Público Federal após questionamento judicial do Amazonas sobre a emissão de debêntures.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A emissão bilionária de debêntures realizada pela Sports Media no ano passado acendeu o sinal de alerta do Ministério do Esporte em relação aos negócios da empresa, que é investidora do Futebol Forte União (FFU).

A Máquina do Esporte teve acesso a uma nota técnica elaborada pela Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor em resposta a um ofício do deputado federal Beto Pereira (Republicanos/MS), na qual o órgão afirma ver risco sistêmico na operação.

Conforme noticiou a coluna Estação Central, da Máquina do Esporte, a Opea Securitizadora S.A., empresa com sede em São Paulo (SP), realizou uma emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, em 4 de julho de 2025. Essa notícia é, inclusive, citada na nota técnica da Secretaria.

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Os títulos foram lastreados em debêntures emitidas pela Sports Media Entertainment S.A., em um total de R$ 950 milhões, divididos em duas séries (uma de R$ 700 milhões e outra de R$ 250 milhões), com vencimento para 2030 (ano em que terá início o próximo ciclo de direitos de arena das Séries A e B do Brasileirão) e remuneração atrelada à taxa de juros básica da economia (mais conhecida como DI, que costuma ser próxima à Selic) acrescida de spread (prêmio fixo oferecida pela empresa emissora aos compradores, como compensação pelos maiores riscos que existem na operação).

Posteriormente, o Amazonas ingressou com uma ação judicial, questionando essa operação realizada pela Sports Media.

LEIA MAIS: Amazonas questiona na Justiça operação bilionária da Sports Media, e Corinthians cogita deixar de negociar com FFU

Na nota técnica, a Secretaria recomenda que o parlamentar encaminhe o caso para o Ministério Público Federal (MPF).

Futebol como lastro de um produto financeiro

Segundo a nota técnica do Ministério do Esporte, a operação promovida pela investidora do FFU “converte o principal ativo do futebol em lastro de um produto financeiro negociável”.

“O risco potencial é de que, por meio dessas múltiplas camadas, não apenas se dissociaria o controle econômico dos direitos de arena da responsabilidade esportiva pela sua gestão, como se instalaria acentuada opacidade quanto à sua titularidade última, a ponto de se tornar difícil identificar quem, ao final da cadeia, efetivamente deteria o interesse econômico sobre eles”, diz o documento.

A nota lembra que os títulos emitidos pela Sports Media não têm um titular único e identificável, mas sim “a securitizadora cujos títulos, lastreados nessas debêntures, acham-se pulverizados entre cerca de 27 fundos de investimento, cujos detentores finais não constam dos documentos da operação”.

“Isto é, submetido à lógica do capital especulativo e à volatilidade do mercado financeiro, e por força dos gatilhos contratuais simples, o controle sobre os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro pode migrar para adquirentes das mais diversas naturezas e perfis, inclusive para qualquer entidade do sistema financeiro internacional, de identidade desconhecida e sem vínculo com o esporte, ou mesmo com o Brasil”, afirma o texto.

O temor do órgão federal, expresso no documento, consiste na hipótese de inadimplência dos títulos, que pode acarretar na transferência de propriedades da Sports Media para credores, incluindo direitos comerciais e de mídia dos times associados, que disputam o Brasileirão.

“Configura-se, como hipótese, o aprofundamento da financeirização do futebol e o risco sistêmico de que esse controle, submetido à lógica do capital especulativo e à volatilidade do mercado financeiro, venha a deslocar-se para agentes de identidade desconhecida e sem vínculo com o esporte ou mesmo com o País, com efeitos que se propagam, em cascata, por todo o sistema”, diz a nota.

Atualmente, a Sports Media detém percentuais dos direitos de arena de quase todos os clubes que integram o FFU, além de possuir 20% do capital do Condomínio Forte União.