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Romulo Macedo, especial para a Máquina do Esporte

Romulo Macedo

4 min de leitura

Análise

A experiência além do ingresso: O modelo norte-americano que domina a Copa do Mundo

Nos EUA, estádios são centros de entretenimento que se transformam rapidamente: camarotes viram escritórios, lounges viram espaços para coquetéis, e o gramado vira palco para shows

Romulo Macedo, especial para a Máquina do Esporte • Colunista

03/07/2026 08h00

MetLife Stadium (Nova York/Nova Jersey Stadium durante a Copa) recebeu mais de 80 mil torcedores no duelo entre França e Suécia, válido pela 2ª fase da Copa do Mundo - Reprodução / Instagram (@metlifestadium)

⚡ Máquina Fast
  • Estádios dos EUA utilizam assentos numerados para permitir liberdade e movimentação dos torcedores durante os jogos.
  • A receita dos estádios vai além dos ingressos, englobando consumo de alimentos, bebidas, produtos oficiais e experiências premium.
  • Modelos norte-americanos transformam arenas em centros de entretenimento multifuncionais para gerar experiências inesquecíveis e receitas diversificadas.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Estamos na 2ª fase da Copa do Mundo de 2026, e um fenômeno tem chamado a atenção de quem acompanha os jogos nos Estados Unidos: as imagens de cadeiras vazias minutos antes do apito inicial e também no retorno do 2º tempo.

Para o olhar brasileiro, acostumado com arquibancadas lotadas e torcedores plantados em seus lugares do começo ao fim, essa cena pode parecer estranha. Mas, acreditem, não é sinal de desinteresse. É sinal de um modelo de negócio que transformou o estádio em uma máquina de fazer dinheiro.

Quem já esteve em um estádio nos Estados Unidos sabe: o respeito à numeração do assento é sagrado. E isso não é por acaso. Quando o torcedor sabe exatamente onde ficará, ele não precisa chegar com antecedência para garantir o melhor lugar nem passar o jogo inteiro com medo de perdê-lo. Ele chega, ocupa seu espaço e, depois, tem a liberdade de ir e vir. O assento marcado dá ao torcedor a tranquilidade de explorar o estádio inteiro sem se preocupar em perder sua posição.

É exatamente isso que vemos nas transmissões da Copa: gente andando pelos corredores, comprando comida, bebida, produtos oficiais, participando de ativações de patrocinadores. As cadeiras vazias não significam ausência de público. Significam que o público está vivendo o estádio por inteiro.

A conta dos estádios norte-americanos, e agora dos estádios da Copa, não fecha só com a venda de ingressos. Fecha com o que acontece antes, durante e depois do jogo. Cada canto foi projetado para ser uma oportunidade de consumo.

Para o torcedor comum, há redes de wi-fi potentes que permitem comprar alimentos e bebidas direto do celular, estacionamento antecipado e lojas oficiais espalhadas pelos níveis. Para quem quer gastar mais, lounges, camarotes e áreas de hospitalidade oferecem serviços dignos de um hotel cinco estrelas, alta gastronomia e até encontros com ex-jogadores.

O torcedor que está no nível mais alto do estádio pode descer, comprar uma pizza no térreo, assistir a uma apresentação no piso intermediário, passar na loja oficial e voltar tranquilamente para seu assento, gastando dinheiro em cada uma dessas paradas.

Outro ponto que merece destaque é a ausência de divisórias rígidas entre os setores. Como a violência entre torcidas é praticamente inexistente e o risco de invasão de assentos mais caros é baixo, os estádios não precisam de grades ou muros internos. O torcedor circula livremente, e a setorização acontece pela oferta de serviços: cada área tem sua personalidade, seu público e seu preço.

Essa lógica permite que o estádio atenda a diferentes perfis ao mesmo tempo: a família que quer comer um cachorro-quente, o jovem que busca uma experiência mais descolada e o executivo que prefere um lounge exclusivo. Todos no mesmo espaço, todos gastando.

Na Copa do Mundo, fica claro que os estádios norte-americanos não foram feitos apenas para receber jogos. Eles são centros de entretenimento que se transformam rapidamente: camarotes viram escritórios, lounges viram espaços para coquetéis, e o gramado vira palco para shows. A conta só fecha quando a experiência é completa.

E é isso que diferencia o modelo norte-americano do que ainda vemos em muitos lugares do mundo. Vender ingresso é fácil. Mas vender experiência exige planejamento, infraestrutura e uma obsessão pelo torcedor. O investimento bilionário em arenas como o SoFi Stadium (Los Angeles Stadium durante a Copa, por conta das regras da Fifa), o AT&T Stadium (Dallas Stadium durante a Copa) e o MetLife Stadium (Nova York/Nova Jersey Stadium durante a Copa) só se justifica porque eles geram receitas que vão muito além da venda de ingressos.

Enquanto alguns estádios seguem focados em encher a bilheteria, nos EUA se vende a memória de um dia inesquecível. E memórias, meus caros, fazem o torcedor voltar e gastar de novo.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Romulo Macedo é mestre em Gestão da Experiência do Consumidor e especialista em Gestão Esportiva, com papéis relevantes em diversos eventos esportivos mundiais

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