Lá se foi mais uma edição da Copa do Mundo da Fifa. E ela trouxe ainda mais convicção sobre uma tese que tenho há algum tempo: de maneira rotineira, o torneio possui uma capacidade única de proporcionar um espírito de celebração e de unir populações inteiras em torno de um tema exclusivo, reunindo pessoas das mais diferentes religiões, raças, classes sociais e posicionamentos políticos para a mesma celebração coletiva.
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Antes de chegar ao universo maior das populações inteiras (ou quase inteiras), é preciso olhar com muito carinho para onde se inicia esse espírito: no círculo de relacionamento mais íntimo. A maior parte dos torcedores se reúne com os mais próximos para torcer. Dividem o ambiente avôs, avós, pais, mães, filhos, sobrinhos, namorados, namoradas, tias, amigos, etc. As partidas passam a ir muito além da bola rolando, criam eventos em que as pessoas passam a estar com quem têm um forte vínculo de relacionamento e, consequentemente, criam memórias afetivas para toda a vida. Obviamente, há quem não consiga ou não goste de ver os duelos com companhia, mas, em geral, são casos de exceção à regra.
Do pequeno círculo e da memória afetiva criada, os resultados expressivos das seleções unem populações inteiras em manifestações de orgulho e felicidade. Nesta edição, pudemos ver e apreciar os enormes encontros dos mexicanos na Cidade do México, a emocionante celebração paraguaia depois da vitória diante da Alemanha, as recepções das populações de Cabo Verde, Egito e Noruega no retorno das respectivas seleções aos países e a comemoração da torcida espanhola na conquista do título, entre outros momentos.
O espírito da Copa do Mundo é tão poderoso que extrapola o universo dos países classificados. Nesta edição, por exemplo, Bangladesh, Líbano, Afeganistão, Jamaica e outras nações vestiram a amarelinha e torceram em massa. A força do torneio e o passado vitorioso da seleção brasileira fortalecem a torcida dos 210 milhões de brasileiros. Aliás, o que vimos também reforça uma outra tese que tenho: de que a seleção canarinho ainda é a marca mais valiosa do futebol brasileiro. Isso, porém, é papo para a próxima coluna.
Em tempos (tristes) em que opiniões extremas sobre política, religião e outros temas dividem e chegam a separar famílias e amigos, a Copa do Mundo da Fifa é um alento. Afinal, nenhum outro evento no planeta é capaz de, rotineiramente, unir tanta gente em torno de um único fato.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
André Stepan é executivo de marketing esportivo e especialista em marketing digital, estratégia e novos negócios, além de atuar na área acadêmica como professor
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