Depois de desbravar a Fórmula 1 e conquistar o bicampeonato colocando de vez a categoria rainha no imaginário do público brasileiro, Emerson Fittipaldi fez suas malas da cena europeia e tratou de colocar a Fórmula Indy no radar nacional. O bicampeonato na Indy500, as 500 Milhas de Indianápolis, com direito a suco de laranja no lugar do mítico litro de leite, mostrou para os torcedores e patrocinadores brasileiros que corridas em ovais, aeroportos e pistas de rua sem o mesmo glamour do Principado de Mônaco são também muito legais.
A Indy teve uma fase virtuosa com o torcedor brasileiro, com dezenas de pilotos, corrida em Jacarepaguá e transmissão ao vivo pela Band, depois pelo SBT e depois voltando para a Band, sempre com grande cobertura.
Então, a categoria entrou em declínio, que foi fruto da cisão entre IRL e Champ Car, o que aliás deu brecha no mercado doméstico dos Estados Unidos para a Nascar alçar um voo inédito e buscar novas audiências.
Depois de anos de divórcio prejudicial para os dois lados, já que um deles ficou com a Indy500 e o outro com todos os demais atrativos do campeonato, inclusive os pilotos mais competentes, a Indycar novamente se unificou e voltou a despontar.
A temporada 2026, que terminará no próximo fim de semana em Laguna Seca com o espanhol Alex Palou mais uma vez consagrado campeão por antecipação, trouxe novidades animadoras, especialmente para o público brasileiro.
Caio Collet colocou a bandeira verde e amarela de volta ao grid em tempo integral com patrocínio da Combitrans e teve momentos de formidável destaque ao longo do ano. O principal foi justamente na maior corrida, a Indy500, com direito a liderança e batalha pelo Top 10 até as voltas finais da prova.
O brasileiro conquistou seu melhor resultado no pioneiro GP de Washington, em um traçado montado nas principais vias da capital do país, com direito a bandeira verde acionada por Donald Trump em meio às festividades pelo 250º aniversário da independência norte-americana. A promoção da corrida foi muito grande e bem-sucedida, o que fez da prova a de maior retorno em toda a história da Indy, à exceção das edições da Indy500.
Não foi o único novo circuito de destaque no ano. Montado no entorno dos estádios do Dallas Cowboys (NFL) e do Texas Rangers (MLB), o GP de Arlington também teve uma resposta expressiva do público texano, tanto que já tem retorno programado para a temporada 2027.
É verdade que apostas como “colar” uma corrida depois da final da Copa do Mundo não surtiram efeito e que também o empenho da categoria e da Fox em colocar todas as provas de 2026 na TV aberta acabou comprometido por atrasos por conta da chuva (os tradicionais “rain delays”), que impactaram a audiência de certos eventos (a etapa de Nashville, por exemplo, aconteceu em uma segunda-feira justamente por conta da chuva).
Apesar dos percalços, o momento da Indy é muito positivo, inclusive visando à retomada das corridas no Brasil. Cabe lembrar que, depois da já citada corrida no oval do finado Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro (RJ), vencida por André Ribeiro, o Sambódromo, em São Paulo (SP), recebeu a Indy em outras ocasiões. Agora, a bola da vez é Goiânia (GO), que, depois de finalizar as obras de repavimentação, sinaliza com sonhos internacionais mais ambiciosos que a MotoGP.
Nas pistas para a temporada seguinte, há mais brasileiros no páreo. Além de Caio Collet, que negocia para permanecer no grid, Felipe Nasr já é piloto reserva da Penske e sempre tem o nome lembrado quando surgem notícias de troca das cadeiras. E Enzo Fittipaldi é vice-líder da Indy NXT, correndo neste fim de semana pelo título que no ano passado escapou de Collet e que pode render subsídios importantes para o próximo salto rumo à categoria apresentada aos brasileiros por seu avô nos anos 1980.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Luis Ferrari é sócio-fundador da Ferrari Promo, agência-boutique com ênfase no mercado do esporte a motor, e possui formações em Jornalismo e Direito, extensão universitária em Marketing e pós-graduação em Jornalismo Literário, além de ser empresário de relações públicas
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