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SAF do Santos: Sócios da SDC Sports irão a reunião para se apresentar ao Conselho Deliberativo

Máquina do Esporte apurou com exclusividade que encontro deve ocorrer no dia 31 de agosto, mas proposta oficial ainda não será mostrada

Neymar, do Santos, vibra com o gol marcado contra o Deportivo Recoleta - Raul Baretta/ Santos

Neymar, do Santos, vibra com o gol marcado contra o Recoleta (PAR) - Raul Baretta / Santos

⚡ Máquina Fast
  • Negociações para venda da SAF do Santos à SDC Sports avançam em meio a processo eleitoral conturbado.
  • Investimento estimado envolve até R$ 1 bilhão por 80% da SAF, mais dívida de R$ 1 bilhão assumida pela SDC.
  • Oposição critica a pressa da diretoria e questiona impactos da venda em ano eleitoral.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Após meses de muita expectativa, as tratativas para a possível criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Santos, que seria vendida à SDC Sports LLC, dos Estados Unidos, voltaram a caminhar, tudo em meio ao conturbado processo eleitoral do clube.

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A Máquina do Esporte apurou que, nesta sexta-feira (7), o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, reuniu-se com membros do Conselho Deliberativo, a fim de comunicá-los sobre o andamento das negociações com a companhia norte-americana.

O período de due diligence (diligência prévia, numa tradução livre, em que as partes envolvidas em uma transação comercial realizam um processo detalhado de investigação, auditoria e análise de informações mútuas) teve início há cerca de cinco meses e foi enfim concluído.

A reportagem também apurou, com exclusividade, que o Conselho Deliberativo irá realizar uma reunião para que os sócios da SDC se apresentem aos membros do órgão. Inicialmente, a data desse encontro ficou definida para 31 de agosto.

Nessa reunião não será abordada a proposta formal de compra da SAF, que ainda é tratada com sigilo pelas duas partes, por conta de termos de confidencialidade existentes no acordo.

Sócios da SDC enfim se apresentam

Nesta semana, Michael Lipman, Jesse Fioranelli e Diego Garcia, sócios da SDC Sports, enfim se apresentaram ao público brasileiro, com uma entrevista concedida ao Pipeline, do Valor Econômico.

Embora os termos financeiros ainda sejam sejam oficialmente mantidos em sigilo, a matéria informou que o negócio deve envolver um investimento de até R$ 1 bilhão pela compra de 80% da SAF do Peixe, com a empresa assumindo ainda cerca de R$ 1 bilhão em dívidas atuais do clube.

A SDC é assessorada pelo Banco Rothschild & Co, enquanto o Santos tem a XP como parceira nas discussões.

A presença da XP é encarada por fontes ligadas à atual diretoria santista como um fator que traria mais segurança quanto à solidez dessa transação.

“O Santos é um dos clubes mais tradicionais do mundo do futebol, o clube que deu Pelé ao esporte e que, mais tarde, moldou o início das carreiras de jogadores como Neymar e Rodrygo. Poucas academias em qualquer lugar do mundo produziram um impacto tão consistente no esporte”, afirmou Lipman, ao Pipeline.

Na reportagem do Valor, os sócios esclareceram que o Santo Domingo Group, incluindo a Quadrant Capital Advisors e a Valorem, não é investidor nem tem qualquer vínculo com a St. Dominique Capital ou a SDC Sports. “Lauren Santo Domingo, em sua capacidade pessoal e não como representante de qualquer entidade do Santo Domingo Group, é cofundadora da St. Dominique Capital”, explicou Garcia.

Os empresários garantiram ainda que as famílias do jogador Neymar e do presidente Marcelo Teixeira não têm qualquer vínculo com a proposta de compra da SAF.

Cenário eleitoral torna venda complexa

Por enquanto, não existe uma proposta oficial de venda da SAF do Santos para ser analisada pelos membros do Conselho Deliberativa.

A oferta formal deve surgir apenas após a reunião com os sócios da SDC Sports. A partir daí, o Santos teria de cumprir todo um rito para que a negociação saia do papel.

O primeiro passo seria que o Conselho Deliberativo aprovasse a ideia de criação e venda do controle acionário da SAF.

O órgão atual é composto por nomes que integraram a chapa de Marcelo Teixeira na última eleição, realizada em 2023.

À época, o grupo alcançou pouco mais de 54% dos votos válidos, sendo o único a ultrapassar a cláusula de barreira de 20%, prevista no Estatuto. Com isso, garantiu 100% das vagas no Conselho Deliberativo.

Nesse cenário, Teixeira tem encontrado relativa tranquilidade para passar matérias de seu interesse, caso que ficou evidente com a recente aprovação das contas do Peixe, mesmo com o aumento do endividamento.

Não está claro, porém, se o presidente encontraria tamanha facilidade para fazer caminhar uma mudança tão drástica na gestão do clube, ainda mais em ano eleitoral.

Vale lembrar que, mesmo depois de receber aval do Conselho Deliberativo, a proposta da SAF envolveria uma mudança estatutária, que precisaria ser aprovada pela Assembleia Geral de Sócios.

Considerando-se que o Peixe está em pleno processo eleitoral, a discussão sobre a constituição e venda da sociedade anônima à SDC pode acabar por se converter em uma espécie de plebiscito sobre a gestão de Teixeira.

LEIA MAIS: Eleições do Santos têm Marcelo Teixeira indefinido e outros três possíveis candidatos

Hoje, não está definido ainda quando ocorrerá a votação para a escolha da nova diretoria. A reforma do Estatuto Social, realizada neste ano, alterou a data de dezembro para outubro. Caberá ao Conselho Deliberativo definir se a mudança será válida já para este ano ou se passará a vigorar apenas a partir de 2029.

Negociação preocupa opositores

O andamento das negociações com a SDC Sports, em meio ao processo eleitoral do clube, levanta críticas da parte de opositores de Teixeira.

Ivan Luduvice, que tem se mostrado um dos críticos mais ferozes do presidente santista, disse ter denunciado a proposta da SAF ao Ministério Público Federal.

“Ela não tem pé nem cabeça. É a última cartada de Marcelo Teixeira na tentativa de evitar a derrota para mim nas eleições do Santos”, afirmou ao pré-candidato, à Máquina do Esporte.

Segundo colocado no pleito de 2023, Maurício Maruca disse enxergar com preocupação o fato de uma decisão dessa magnitude ser tratada, na visão dele, de forma apressada.

“Vimos no futebol brasileiro casos em que modelos implementados sem a devida discussão trouxeram problemas aos clubes, e por isso uma mudança desse tamanho não pode acontecer sem a participação efetiva do Conselho e de toda a comunidade santista. Faltando menos de cinco meses para o fim da atual gestão, é legítimo questionar por que esse debate só está sendo apresentado agora e se existe tempo hábil para uma análise profunda do modelo, das garantias e dos impactos para o futuro do Santos. O torcedor merece uma decisão estruturada, que pense no clube a longo prazo, e não uma iniciativa com aparência de pressa ou interesse eleitoral”, declarou.

Para o pré-candidato, que terá Rodrigo Marino como vice, a SAF pode ser uma ferramenta importante de profissionalização, mas precisa ser construída com planejamento, transparência e responsabilidade.

Fontes ligadas à gestão de Teixeira, porém, rebatem o a versão de que a atual diretoria estaria apressando a discussão sobre a SAF por conta do processo eleitoral.

O argumento é de que, se o atual presidente quisesse de fato pular etapas, teria buscado meios para acelerar as diligências, permitindo assim que o negócio fosse fechado em um prazo menor.