O tênis sempre carregou o rótulo de esporte elitizado. E não vamos ser hipócritas: é uma modalidade de alto custo de formação. Mas o Brasil vive um autêntico “boom” nas quadras com João Fonseca e Bia Haddad Maia, entre outros atletas que vêm se destacando do juvenil ao profissional. Visto como um ambiente seguro no pós-pandemia, o esporte ganhou tração, e quase todo novo prédio de alto padrão erguido recentemente tem uma quadra para chamar de sua.
Só que a verdadeira revolução não está nos condomínios ou em quem viaja para ver um Grand Slam. Ela está nos bastidores, construindo uma engrenagem que vai da base aos megaeventos. E o motor dessa engrenagem tem nome: Lei de Incentivo ao Esporte (LIE).
O saque inicial: A base e a formação para a vida
Tudo começa na base. Recentemente, visitei a Slice Tennis, uma academia bastante tradicional no Tamboré, bairro dividido entre Barueri (SP) e Santana de Parnaíba (SP), que mantém uma equipe de alto rendimento. Transformar impostos em impacto social e esportivo é o que eles buscam, para viabilizar, no longo prazo, grande parte dessa estrutura.
Quando estava lá, fiz uma pergunta, que muitos se fazem. Qual é a principal barreira para um atleta chegar ao topo? A resposta: a falta de investimento. É o que me explicou João Pedro Leme, CEO da Slice. Para ele, poucas empresas entendem, na prática, a eficácia do fomento esportivo. Mas o objetivo da academia vai muito além de forjar o próximo campeão de Roland Garros:
“Muitos desses jovens não vão se tornar profissionais, mas queremos que eles aprendam com o alto rendimento. O tênis é sobre fazer escolhas o tempo inteiro, tomar risco e gerir pressão. Nosso objetivo é formar grandes seres humanos, seja para a vida profissional, seja para uma faculdade nos EUA. A Lei de Incentivo desmistifica a ideia de que o tênis é só para quem tem recurso. Ela abre portas”, afirmou.
A ponte para o profissional: A visão de quem sentiu na pele
Sem uma base estruturada, é quase impossível revelar talentos consistentes. Para entender a dor de quem viveu o esporte antes dessa engrenagem girar, bati um papo com o multicampeão Bruno Soares. Ele relembrou que, na década de 1990, a ausência de uma organização atuante e a falta de recursos complicavam demais o acesso para novos entrantes.
A visão dele sobre o atual cenário de incentivos no Brasil é cirúrgica.
“Quando você não apoia a base, fica muito mais difícil produzir novos talentos. O grande objetivo, no final do dia, não é ter apenas um profissional isolado, mas trazer crianças que se envolvam e passem a ter o tênis como parte de suas vidas. Ter uma base organizada, leis que incentivam e empresas patrocinando faz toda a diferença”, enfatizou.
Megaeventos: A cereja do bolo (e a “degustação” do incentivo)
Mas não adianta formar o atleta se ele não tiver onde jogar em casa. O próprio Bruno destacou a importância de termos eventos de grande porte no nosso quintal:
“O Rio Open e o SP Open representam a ponta de cima da cadeia. São fundamentais para termos nossos grandes jogadores atuando em casa, e ajudam a tracionar os torneios de base, onde o custo é muito alto”, salientou.
E é aqui que o jogo muda. Caminhando para a 14ª edição, o Rio Open planeja expandir a quadra principal para 10 mil pessoas. O pulo do gato? O torneio utilizou intensamente a Lei de Incentivo no seu início. A lei funcionou como uma verdadeira “degustação” para as marcas. As empresas entram via incentivo fiscal, enxergam o grande retorno de visibilidade e ESG (sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa) e, com o amadurecimento, migram para a verba direta de marketing.
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O mesmo vale para o SP Open, que retomou a força do esporte em São Paulo. Esses megaeventos dão aos tenistas brasileiros a chance de ouro de entrar em chaves principais e pontuar no ranking da ATP ou da WTA sem precisarem cruzar o oceano gastando em euro.
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Fechando o ciclo
Da equipe de alto rendimento da Slice até as arquibancadas lotadas de um Rio Open, a jornada tem um motor silencioso: o uso estratégico dos incentivos fiscais. Isso é o que chamo de colocar o dinheiro no lugar certo. É não desperdiçar oportunidades.
Como bem resumiu Bruno Soares, fica o recado para o mercado:
“Olhem com carinho. Não tem nada que transforme mais a vida das pessoas do que esporte e educação. É mostrar para as empresas que aquela verba, que já iria para outro lugar de qualquer jeito, estará ajudando a construir um país melhor no futuro”, destacou o ex-jogador.
E a sua empresa? Já pensou em dar um “ace” no mercado apoiando projetos de alto impacto, ou continuará na arquibancada vendo o jogo acontecer?
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Diego Bartolo é cofundador e diretor de marketing e de vendas da Incentiv, plataforma especializada em captação de investimento incentivado e de patrocínio. Formado em Administração pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e com MBA pela Universidade de São Paulo (USP), possui 15 anos de experiência na área e já trabalhou com marcas como Google, Nubank, Siemens e Coca-Cola
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