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Roberta Coelho, especial para a Máquina do Esporte

Roberta Coelho

4 min de leitura

Análise

“Welcome to Wrexham”, a série que junta negócio, comunidade e paixão

"Gente de verdade" e o resgate de uma comunidade por meio do esporte mostram por que a série do Disney+ vai muito além das quatro linhas

Roberta Coelho, especial para a Máquina do Esporte • Colunista

24/09/2026 06h10

Rob McElhenney e Ryan Reynolds são os donos do Wrexham - Reprodução / Instagram (@wrexham_afc)

⚡ Máquina Fast
  • Ryan Reynolds e Rob McElhenney transformaram o Wrexham investindo na comunidade local e no futebol feminino.
  • A série 'Welcome to Wrexham' humaniza atletas e funcionários, mostrando o clube como um projeto coletivo e estratégico.
  • O clube saiu da quinta divisão para avaliar cerca de £400 milhões, provando que propósito e resultado financeiro podem andar juntos.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Fazia tempo que uma série não me prendia tanto quanto “Welcome to Wrexham”, disponível no Disney+. Não é sobre futebol. É sobre gente, negócio, propósito e a prova de que dá para crescer sem perder a essência.

A história começa em 2021, quando os atores Ryan Reynolds e Rob McElhenney compram o Wrexham, um clube galês que estava havia mais de uma década fora do futebol profissional inglês. Pagaram cerca de £ 2 milhões e poderia ter sido só um capricho de celebridade, mas virou o contrário.

O que mais me chama atenção, como alguém que vive no mundo dos esportes, foi o cuidado com que eles trataram a cidade antes mesmo de pensar no time. Wrexham é pequena, foi esquecida por décadas, e os novos donos entenderam que reerguer o clube passava por reerguer o orgulho da comunidade. Investiram no comércio local, na infraestrutura, e trataram cada morador como parte do projeto, não como plateia. Em resumo, deram uma aula de comunidade.

E aí vem outro ponto que me emociona: o investimento no futebol feminino. Enquanto muitos clubes ainda tratam o time feminino como departamento “simbólico”, o Wrexham profissionalizou o time, assinou os primeiros contratos semiprofissionais da história do clube e deu às atletas uma visibilidade diferenciada dentro da série. Uma das jogadoras resumiu bem o sentimento do elenco ao dizer que, pela primeira vez, sentiam que o projeto também era delas.

Outro aspecto da série que me chamou atenção foram os “perfis de jogadores”. Eles fazem de uma forma que aproxima a audiência do atleta, humaniza e cria identificação. Tira aquela sensação de que o(a) atleta só existe para entregar resultado e mostra “gente de verdade”, gente como a gente, com medo, com família, com rotina difícil, tentando dar o seu melhor todos os dias.

A série também é uma aula de storytelling e redes sociais. A presença no digital cresceu muito depois da compra, e, não por acaso, o conteúdo tem o mesmo nível de qualquer produção de Hollywood.

Mas o que realmente separa o Wrexham de outros clubes é a decisão de dar voz a quem normalmente fica fora das câmeras e também fora de campo. O preparador físico, o roupeiro, o motorista do ônibus, a funcionária da bilheteria, o fotógrafo, o dono do bar, os dono das lojas. Todo mundo tem seu momento, sua história, seu motivo pra estar ali. Isso não é por acaso; é estratégia e é respeito.

O resultado financeiro comprova que propósito e resultado não são inimigos. A receita do clube saltou de menos de £ 2 milhões para mais de £ 26 milhões em poucos anos, e recentemente recebeu um aporte de um fundo internacional que avalia o Wrexham em algo próximo a £ 400 milhões. Sim, um time que disputava a quinta divisão inglesa.

Mas o que fica para mim não é o número. É a forma como Reynolds e McElhenney se expõem. Eles erram na tela, se emocionam na tela, discordam entre si na tela. Não tentam parecer donos perfeitos. Tentam parecer donos presentes. E é isso que conecta.

Virei fã. Do time e dos donos.

“Welcome to Wrexham” prova que o esporte, quando bem cuidado, é a ferramenta de transformação mais potente que existe. Ele muda cidade, muda economia, muda a vida de quem nunca teve seu nome nos créditos.

E talvez seja essa a maior lição da série: um clube é sobre a comunidade que o sustenta.

Se você trabalha com esporte, com marca ou com negócios, assista. Se você só gosta de uma boa história sobre gente que acredita, assista também.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Roberta Coelho é CEO da equipe de e-Sports MIBR e criadora da WIBR, ecossistema de ações que busca trazer mais mulheres para o universo dos games. Além disso, é cocriadora e ex-CEO da Game XP e ex-head de desenvolvimento de negócios e ex-diretora comercial do Rock in Rio

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