Nos últimos 16 meses, o basquete brasileiro sofreu com a perda de quatro ídolos da sua história: Amaury Pasos, Wlamir Marques, Marquinhos Abdala e Oscar Schmidt. Mas, enquanto a modalidade se despede dessas lendas, novos jovens surgem com seus talentos em busca de espaço para representar o país no nível mais alto.
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Ninguém está mais perto disso do que Gui Santos, jovem atleta e atualmente o único brasileiro em quadra na NBA, que vem se tornando uma boa história do basquete nacional. Nos últimos cinco anos, a trajetória desse atleta já contém muitos feitos alcançados com bastante superação, performance e personalidade, ampliando sua visibilidade e projeção. Em pouco tempo, Gui conquistou espaço dentro e fora das quadras, e o resultado é um contrato garantido com o Golden State Warriors até 2029.
Gui jogou na base do Minas Tênis Clube, onde chegou de Brasília (DF) para trabalhar sua formação ao longo de três edições na Liga de Desenvolvimento (Sub-22). Sua evolução despertou a atenção do time principal e do mercado, abrindo oportunidades para integrar a equipe profissional do Minas no NBB. Foram quatro temporadas no adulto que contribuíram para seu amadurecimento físico, técnico e tático, resultando no título da Copa Super 8 em 2022. Logo vieram as convocações para a seleção brasileira que ampliaram sua visibilidade e sua imagem, despertando o interesse das redes sociais e do basquete internacional.
Neste mesmo ano, Gui foi escolhido pelos Warriors no draft e encerrou o ciclo no Brasil para iniciar a carreira internacional. Os primeiros anos na NBA foram de muitas incertezas e instabilidades. Ele foi encaminhado para a G-League e as raras oportunidades de participação na maior liga de basquete do mundo foram esporádicas e com pouco tempo de quadra. Nesse período, Gui precisou lidar com a pressão, o que exigiu enorme dedicação, confiança e paciência. A rotina diária impôs uma sequência de treinos, viagens, jogos, musculação e aprimoramento técnico para que ele obtivesse o reconhecimento do seu potencial.
A postura positiva e trabalhadora conquistou a atenção da comissão técnica e dos jogadores dos Warriors, que ofereceram uma vaga entre os 12 atletas na temporada 2025/2026. Gui sempre transmitiu a imagem de um jogador determinado e espontâneo, mas foram a sua alegria e intensidade que criaram uma forte conexão com os fãs.
Nos dias atuais, a força do mundo digital permite que o torcedor acompanhe os bastidores e conheça melhor a vida dos atletas. A espontaneidade e a personalidade de Gui Santos, somada à sua presença em quadra, angariaram admiradores e fãs. Aos poucos, ele deixou de ser apenas “um brasileiro tentando espaço” e se tornou uma peça importante no Golden State Warriors.
O time não é apenas uma franquia da NBA. É uma das maiores marcas globais do esporte atual. A assinatura recente de um contrato de três anos representa muito mais do que estabilidade profissional. É uma validação do garoto formado no Minas, que provou estar pronto para escrever seu nome na maior liga do mundo.
Mas é fora das quadras que o brasileiro vem se destacando recentemente com seu carisma e sua humildade. Em poucos dias de férias no Brasil, o atleta participou do programa da apresentadora Ana Maria Braga na TV Globo, deu entrevistas para vários portais e plataformas digitais, esteve no Podpah, assistiu a jogos do NBB em Brasília (DF) e São Paulo (SP), acompanhou partidas do seu irmão Edu Santos, conversou com atletas das categorias de base do Esporte Clube Pinheiros, deu clínica para jovens em uma loja da NBA e realizou diversas atividades na comunidade.
A cada depoimento ou entrevista, Gui Santos impressiona com a clareza que possui em relação aos objetivos para a carreira, como quando manifesta o desejo de ser um ídolo e um exemplo para crianças e jovens no Brasil. Sua postura demonstra uma maturidade avançada, o que ficou comprovado na maneira como conduziu o fato inusitado da sua retirada das cadeiras vips em um jogo do NBB.
A cada dia, Gui Santos conquista mais atenção e fãs. E não resta dúvida de que os elementos para a construção de uma carreira sólida estão presentes e trarão benefícios para o basquete brasileiro por muitos anos.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Alvaro Cotta é diretor de marketing da Liga Nacional de Basquete (LNB)
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