No Tribunal das Minúsculas Causas das redes sociais, um tema que tem levantado muita discussão nas últimas semanas foi o uso da expressão “Vai, Brasa” na camisa “amarelo canary” da seleção brasileira, apresentada no último dia 23 de março.
Em meio à grande discussão que se seguiu a esse fato, o CEO e o fundador da Máquina do Esporte, Erich Beting, chegou a resgatar em sua coluna mais recente uma outra ocasião em que “Brasa” já havia sido usada no contexto esportivo, sem ser no churrasco ou na fogueira da inquisição.
Em 2023, o Comitê Olímpico do Brasil (COB), ainda presidido por Paulo Wanderley e tendo Gustavo Herbetta liderando a área de marketing, lançou a campanha “Manda Brasa, Brasil”, utilizada inclusive durante os Jogos de Paris 2024.
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À época, a palavra “Brasa” era usada em referência direta ao Time Brasil, mas sem ocasionar polêmica, como no caso da camisa a ser usada pela seleção na Copa.
Apesar do bom desempenho do “Brasa” (do time) nos Jogos de Paris, a palavra seria aposentada em 2025, com as chegadas de Marco Antônio La Porta à presidência do COB e de Manoela Penna à diretoria de comunicação da entidade.
Dessa forma, a expressão “Manda Brasa” foi retirada de Centros de Treinamentos e de todas as comunicações oficiais do COB.
Vila Belmiro: reforma ou nova arena?
Nos últimos dias, passaram a circular nas redes a informação de que o Santos teria um projeto para reformar alguns setores de arquibancadas da Vila Belmiro, ampliando a capacidade do estádio de 16 mil para 24 mil lugares.
Os rumores sobre essa suposta obra surgem em meio às negociações entre o clube e a WTorre para a construção de uma moderna arena, que deverá substituir a atual casa do Peixe.
A coluna apurou que o foco da diretoria santista é avançar na parceria com a WTorre. O contrato para início da construção da arena estaria em vias de ser assinado, mas ninguém ainda é capaz de precisar uma data para que isso ocorra.
Mas vai haver reforma…
Não significa, porém, que a Vila não passará por uma reforma pontual neste ano. Por exigência da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), o Peixe precisa realizar adequações para poder receber jogos da Copa Sul-Americana.
Por enquanto, o clube busca parceiros para viabilizar as obras nos bares de alguns camarotes e nos banheiros do estádio.
Além disso, o setor Princesa Isabel, destinado às torcidas visitantes, deverá ter sua capacidade ampliada de 600 para 2 mil lugares.
Caso o Santos não encontre parceiros para bancar a reforma, usará recursos próprios para promover as adequações.
Morumbis
E por falar em reforma de estádio, desde a saída de Julio Casares da presidência do São Paulo, em janeiro deste ano, praticamente sumiram do noticiário informações sobre a remodelação do Morumbis, em projeto que também deve ser levado adiante pela empreiteira (responsável, entre outros, pela construção do Allianz Parque).
Isto não significa, porém, que o assunto tenha morrido. A Máquina do Esporte apurou, junto a fontes ligadas ao clube e à construtora, que as conversas envolvendo as obras continuam, mas esse processo tende a ser bem mais lento e complexo do que as declarações de Casares davam a entender.
Casa nova no centenário?
O ex-presidente do Tricolor chegou a cravar que a remodelação do estádio seria entregue em 2030, como parte das celebrações do centenário do clube. Porém, exemplos de parcerias similares demonstram que uma obra dessa dimensão pode demorar bem mais tempo para sair do papel.
As negociações entre WTorre e Peixe, para a construção da Nova Vila Belmiro, tiveram início em 2019, por exemplo.
Hoje, mesmo havendo um Memorando assinado e uma autorização expedida pela Prefeitura de Santos, ainda é difícil cravar quando será o começo e a conclusão das obras.
No caso do Morumbis, as conversas, que se iniciaram em 2023, ainda estão no plano das intenções e devem ocorrer sobretudo nos bastidores.
Vale lembrar que o presidente Harry Massis Júnior determinou a revisão de todos os contratos e documentos firmados na gestão de seu antecessor.
Lotação máxima
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) projeta uma participação próxima a 100% na reunião que debaterá a criação de uma liga unificada no país.
Mesmo clubes que ainda não confirmaram presença diretamente para a entidade já deixaram claro que comparecerão ao encontro, que ocorrerá na próxima segunda-feira (6), no Rio de Janeiro (RJ), e foi solicitado pelas direções da Liga do Futebol Brasileiro (Libra) e do Futebol Forte União (FFU).
Fufuca sai do cargo, mas deixa aliado no Ministério
Conforme a coluna já havia noticiado há algumas semanas, André Fufuca deixou o Ministério do Esporte e retomou o mandato de deputado federal pelo PP do Maranhão.
Apesar de sua saída do cargo, o parlamentar seguirá com influência na pasta. O sucessor é o também maranhense Paulo Henrique Cordeiro, que desempenhava uma das principais funções no ministério, à frente da Secretaria Nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social.

Em seu discurso de posse, Cordeiro adiantou que uma de suas prioridades será inaugurar 700 Arenas Brasil, em cerca de 500 municípios.
A estrutura, que conta com campo society, quadra de basquete 3×3, pista de caminhada e playground infantil, converteu-se em uma das principais vitrines da gestão de Fufuca à frente do Ministério do Esporte.
Nesta semana, ainda na condição de ministro, Fufuca esteve no município de Timon, em seu estado natal, para inaugurar a Arena Brasil no Bairro Novo Tempo.
“Hoje, temos obras em todos os estados brasileiros e avançamos com força no Maranhão, garantindo espaços que transformam a vida das pessoas”, afirmou Fufuca, que deverá disputar uma das vagas ao Senado pelo estado nordestino.
Cutucou a antecessora
Quando Fufuca assumiu o cargo em 2023 no lugar de Ana Moser, numa costura política para atrair o PP para a base de Lula, enfrentou certa contestação de parte da classe esportiva, que preferia ver a ex-jogadora de vôlei à frente do ministério.
Desde então, ele não perde a chance de cutucar a antecessora, às vezes de formas sutis (como na decisão de desenvolver ações voltadas ao e-Sports, modalidade que enfrentava resistência da parte da ex-ministra).
Em algumas ocasiões, porém, as alfinetadas ocorreram de forma bem escancarada, como em seu discurso de despedida do ministério.
“Quando assumimos, não tinha projeto, não tinha obra, não tinha ação”, afirmou Fufuca, nesta terça-feira (31).
Faltou dizer que o Ministério do Esporte acabara de ser recriado, depois de vários anos sem possuir uma estrutura própria e autônoma, em meio a um cenário de forte ajuste fiscal e contenção de despesas.
Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010
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