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Corrida deixou de ser só esporte e virou produto cultural

Hoje, modalidade se aproxima muito mais da lógica de um festival, em que a expressão individual e coletiva é parte essencial da experiência, do que uma competição em que a mira é no pódio ou no ritmo ideal

Centenas de corredores participam do aquecimento pré-prova da Corrida Assaí, em Fortaleza (CE) - Divulgação / Assaí

⚡ Máquina Fast
  • A corrida de rua se transformou em um evento cultural que valoriza a experiência social e coletiva, e não apenas a competição.
  • A participação de jovens, especialmente da Geração Z, impulsiona a renovação e o crescimento dos eventos de corrida de rua no Brasil.
  • Os clubes de corrida cresceram 109% em 2024, reforçando seu papel como espaços de conexão, expressão cultural e pertencimento.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A corrida de rua deixou de ser apenas uma prática esportiva baseada em performance e passou a ocupar um espaço cultural, de identidade, pertencimento e consumo de experiências.

Algumas premissas levam a acreditar que, hoje, a corrida de rua se aproxima muito mais da lógica de um festival, em que a expressão individual e coletiva é parte essencial da experiência, do que uma competição em que a mira é no pódio ou no ritmo ideal.

A primeira delas está na idade média dos participantes. Dados recentes sobre o perfil do atleta brasileiro, estudo lançado pelo Ticket Sports com informações de eventos esportivos, mostram que a base ficou mais jovem. A média de idade entre os corredores é de 38 anos, o que reforça uma mudança geracional importante no comportamento do público. Outro dado importante é que a Geração Z chegou com tudo e representa quase 19% da base de praticantes de alguma modalidade.

Além disso, há uma renovação na base: em 2025, cerca de 50% dos participantes estavam vivenciando um evento esportivo pela primeira vez. Esse dado ajuda a explicar por que a experiência ganha protagonismo: quando o atleta entra no esporte por meio da experimentação, ele tende a enxergar a corrida menos como uma disputa e mais como uma vivência social e cultural.

Outro ponto que não se pode deixar de fora são os grandes eventos que chegam com força e que, além de entregarem o percurso tradicional, também pensam na entrega de experiências completas, com shows, ativações, arenas bem estruturadas no pré e no pós-prova e espaços pensados para conexão entre os atletas. A festa está garantida e a vontade de voltar também.

Um dos fenômenos mais claros dessa transformação cultural da corrida de rua está no crescimento dos clubes de corrida, as famosas “crews”, que vão muito além de dividir passos no percurso. Esses grupos têm funcionado como verdadeiros lugares sociais, onde as pessoas não só correm juntas, mas também se conectam, constroem identidade e ocupam a cidade como espaço de convivência e expressão cultural.

Os relatórios anuais do Strava evidenciam a força desse movimento. Em 2024, os clubes de corrida cresceram 109% no Brasil, um número bem superior ao crescimento global, que foi de 59%.

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Nesse novo cenário, correr é também consumir, expressar identidade e participar de um estilo de vida. Isso prova que a corrida ultrapassou a linha de chegada do esporte para se consolidar como um verdadeiro produto cultural. Cada medalha representa uma conquista que vai além do tempo no cronômetro: simboliza disciplina, superação e, principalmente, pertencimento.

O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte

Gabriela Donatello é formada em Comunicação Social e pós-graduada em Gestão de Marketing. Atualmente, é gerente de marketing do Ticket Sports, com uma trajetória de oito anos dedicada ao universo dos eventos esportivos, atuando em diversas frentes do setor

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