Iniciada nesta terça-feira (29), a edição 2026 do SBC Summit Lisboa, que reúne cerca de 40 mil profissionais da indústria apostas e cassinos on-line, em Portugal, foi marcada por muito choro e ranger de dentes, por conta da Medida Provisória (MP) assinada na semana passada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que joga o setor das bets de volta à ilegalidade no Brasil.
“Em um dos principais encontros mundiais do setor, investidores, operadores e executivos internacionais demonstram preocupação com a ruptura abrupta das regras de um mercado que havia acabado de ser regulado, especialmente diante dos investimentos realizados sob a expectativa de estabilidade institucional”, afirmou Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da ANJL, sócio do Betlaw, escritório de advocacia especializado no setor de aposta, e um dos palestrantes do evento em Lisboa.
Fellipe Gallio, diretor administrativo da LBBR, grupo que opera marcas como Luck.bet, 1PRA1 e Start Bet, considera que acabou por se tornar inevitável a predominância desse tema no evento em Portugal.
“Há empresas que realizaram investimentos relevantes, contrataram equipes, estruturaram operações e estabeleceram parcerias no país com base no marco regulatório vigente. Neste momento, o que o setor busca é clareza sobre os próximos passos e, principalmente, previsibilidade regulatória e segurança jurídica para todos os envolvidos”, disse o executivo.
Em nota, a Flutter, dona das marcas Betano e Betfair, afirmou estar “extremamente decepcionada com este desenvolvimento e está analisando todas as opções disponíveis, incluindo a possibilidade de recorrer”.
A estimativa é de que a MP de Lula resulte numa redução de US$ 70 milhões na receita da empresa já em 2026 (lembrando que a proibição abrangerá apenas três meses neste ano), além de acarretar em um impacto negativo de US$ 20 milhões no lucro operacional ajustado da Flutter.
Por ora, o Flamengo, principal parceiro da empresa no futebol brasileiro, tem se colocado na vanguarda da defesa das bets.
“Como é que eu vou pagar o Paquetá em janeiro?”, afirmou o presidente Luiz Eduardo Baptista, ao Bap, comentar sobre o impacto da eventual perda do patrocínio máster da Betano nas receitas no clube.
A coluna apurou que o Flamengo tem sido um dos principais entusiastas da ideia (ainda não consensual) de paralisar o Brasileirão, como forma de pressionar o Governo a desistir da proibição das bets.
O clube acaba de requerer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ser admitido como parte interessada (amicus curiae) nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que são analisadas pela corte, acerca da regulamentação das apostas.
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O Flamengo alega que não pretende “defender apenas um interesse contratual próprio”, mas sim “contribuir para que a Suprema Corte possa avaliar, de forma ampla, as consequências concretas da alteração legislativa para todo o ecossistema esportivo, especialmente diante da dimensão e da rapidez dos efeitos previstos pela Medida Provisória”.
Cimed no lugar da Superbet?
A visita de Adibe Marques, diretor comercial da Cimed (e filho do CEO João Adibe Marques), ao Morumbis, nesta semana, deixou a torcida do São Paulo em polvorosa.
O executivo publicou uma foto da visita nos stories do Instagram, com a frase enigmática “Haverá sinais SPFC”.
Não demorou muito, e torcedores passaram a cogitar que a gigante farmacêutica estaria negociando a aquisição do naming rights do estádio do clube, hoje pertencente à Mondelez, em contrato que vence no fim deste ano.
Com a MP que proibiu as bets e seus patrocínios no futebol brasileiro, não faltaram aqueles que viram na frase de Marques um sinal de que a Cimed poderia vir a assumir o espaço principal na camisa do Tricolor, atualmente ocupado pela Superbet.
Na verdade, a visita de Adibe Marques tem a ver, sim, com uma possível parceria entre Cimed e São Paulo, mas na área de produtos licenciados, similar aos acordos que a farmacêutica já possui com o Palmeiras e Cruzeiro e que são parte da estratégia da companhia para avançar no mercado brasileiro.
Ticketmaster
O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou, na tarde desta quarta-feira (30), o contrato do clube com a Ticketmaster. Foram 184 votos a favor, 44 contrários e uma abstenção.
A empresa, que integra o Grupo Live Nation, assumirá em janeiro do ano que vem a operação de venda de ingressos para os jogos do clube em casa.
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Os conselheiros também deram aval para que a Ticketmaster assuma o programa de sócio-torcedor do Tricolor, no lugar da Fëng.
O prazo para que a mudança ocorra é de 180 dias, mas ele pode ser adiantado, a depender de como serão as negociações com a atual gestora do programa.
O clube estará apto a receber imediatamente os R$ 30 milhões relativos ao camarote que será cedido à Ticketmaster no Morumbis.
Além disso, ela deverá depositar em até 45 dias, a partir da assinatura do contrato, o adiantamento de R$ 110 milhões do contrato de bilheteria, visto como essencial para equilibrar as contas do São Paulo em meio ao cenário de atraso constantes nos salários e nos direitos de imagem dos atletas.
Essa questão foi o principal argumento utilizado pelo presidente Harry Massis para pressionar Olten Ayres de Abreu a convocar a votação no Conselho Deliberativo.
Apesar de haver alcançado alguns resultados positivos nas últimas rodadas, o Tricolor ainda está a uma pontuação muito próxima da zona de rebaixamento na classificação da Série A do Brasileirão.
Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010
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