Todo mundo tem uma história com Oscar Schmidt.
Eu tenho várias. E é cada uma…
Sou um privilegiado por isso.
Oscar é um dos meus três ídolos de infância. Queria ser Oscar. Também queria ser Paulo Victor (goleiro do Fluminense na década de 1980). E queria ser Aurélio Miguel. Naquela época, nem de longe imaginava que conheceria os meus ídolos.
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A paixão pelo esporte que veio do meu pai me deu a oportunidade de conviver com muitos gigantes. E o jornalismo abriu as portas para que eu pudesse contribuir um pouco com suas carreiras e viver momentos únicos, que vou levar comigo para sempre.
Já vi várias pessoas falando “nunca conheça seu ídolo, ele pode te decepcionar”. Bobagem. Lamento por quem pensa assim. Conhecer o seu ídolo é algo especial, é um privilégio. E Oscar era um cara diferente. Sempre foi um cara acessível, disponível, atencioso com quem vencia a vergonha ou deixava o medo de lado para se aproximar por uma foto ou autógrafo. Então, meu conselho: prefira “correr esse risco”. Aproveite cada segundo, cada oportunidade de estar ao lado desses heróis.
Oscar era coração o tempo todo. Exagerado, intenso, sincero, metódico (ao extremo), turrão. Dentro de quadra e fora também. Era um amigo, era amigo dos amigos, dono de um humor ácido, sarcástico, genial. Amado, sim, odiado, também, por alguns, mas faz parte. Capaz de quebrar o gelo com suas frases, provocar reflexões com suas opiniões, de incomodar, exaltar e unir, mas, principalmente, de emocionar. Às vezes, tudo isso ao mesmo tempo, em uma questão de segundos. Era o centro das atenções onde chegava.

Oscar foi exaltado, foi reverenciado e abraçado por onde passou. E em vida, o que foi mais importante. E no mundo todo, como fez por merecer. Está em todos os Halls da Fama do mundo. Seu uniforme está no Museu Olímpico do Comitê Olímpico Internacional (COI). Está na lista dos melhores de todos os tempos. Em sua sala de troféus, em sua casa em São Paulo (SP), exibia e falava com carinhos das recordações, troféus, medalhas, prêmios e honrarias: um incrível “santuário” de um dos maiores nomes do nosso país.
O “Queixão” era um cara diferente. Predestinado, abnegado, era um cara de palavras, atitudes e valores. As marcas notaram isso, e ele fez centenas de eventos, palestras e campanhas publicitárias. A imprensa sabia disso, e esteve com ele em todos os momentos. O brasileiro se identificava com ele, e isso fez dele o ídolo que é. Treinou mais do que qualquer um, e quem conviveu com ele tem certeza disso, mas nunca se considerou melhor do que ninguém. E nunca gostou de rótulos, adjetivos ou predicados.
Fiquei obviamente triste com a notícia, mas feliz pela forma como o mundo exaltou Oscar. Feliz em ver como a imprensa parou para aplaudir nos programas, nos noticiários, nas exibições de matérias, e como se falou da final do Pan-Americano de 1987. A repercussão de sua morte veio com inúmeras homenagens, uma enxurrada de depoimentos e mensagens pela mídia, pelas redes sociais, de todos os cantos, de tanta gente, e mostra o tamanho e a importância do eterno camisa 14.
Oscar teve o reconhecimento que merecia por tudo que fez em vida. Teve o respeito que precisamos ter por todos os nossos heróis. Seu legado é enorme.

Oscar aproveitou bem a vida, aproveitou muito, principalmente depois que parou de jogar. Nunca se esqueceu de suas raízes e sempre exaltou a seleção brasileira, o sentimento de patriotismo e o amor pela família. Eram suas marcas registradas.
Esse texto não tem o perfil crítico, analítico ou informativo de outros artigos publicados diariamente por tantos profissionais do mercado. É uma maneira de homenagear, sem trocadilhos, alguém que foi uma “máquina” do nosso esporte, um “panzer” que rompeu gerações, atropelou adversários, que foi inspiração, referência e escreveu seu nome com letras douradas na nossa história.
Foram quase 30 anos de amizade. De jantares, viagens, risadas, entrevistas, discussões, ideias malucas, aventuras e surpresas. De muitas e muitas histórias que lembro com carinho, com orgulho e, agora, com saudade.
Todo mundo tem uma história para contar com Oscar. E, para mim, tenho as melhores.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Samy Vaisman é jornalista, sócio-diretor da MPC Rio Comunicação (@mpcriocom) e cofundador da Memorabília do Esporte (@memorabiliadoesporte)
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