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Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP)

Estação Central

7 min de leitura

Análise

Mobilização de entidades e debate da escala 6×1 garantem que recurso das bets fica (por enquanto) no esporte

Relator da proposta acolheu emendas articuladas por representantes da área esportiva, suprimindo do texto final trecho que prejudicaria financiamento do setor

Rodrigo Ferrari - Catanduva (SP) • Colunista

02/09/2026 20h04

Representantes das entidades esportivas se reuniram com senadores para pressionar por mudanças na PEC da Segurança - Divulgação / CBC

⚡ Máquina Fast
  • Entidades esportivas como COB, CBC e Fenaclubes conseguiram evitar que a PEC da Segurança retire recursos das casas de apostas destinados ao esporte.
  • Senador Rogério Carvalho acolheu emendas que suprimem a contribuição das casas de apostas da fonte de financiamento da PEC da Segurança, garantindo a preservação dos recursos esportivos.
  • A votação da PEC da Segurança no plenário pode ficar para depois das eleições de outubro, enquanto o Flamengo e outras entidades continuam a mobilizar esforços para manter os repasses ao esporte.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Em um dia considerado decisivo para definir o futuro de propostas consideradas fundamentais pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quem teve motivos para comemorar foram as entidades esportivas.

A mobilização liderada por COB, CBC, Fenaclubes e outras instituições da área ajudou a evitar que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança retire recursos destinados pelas bets e que hoje financiam as organizações do sistema esportivo nacional.

LEIA MAIS: COB e entidades reforçam mobilização para evitar que PEC da Segurança retire repasses das bets para o esporte

Na semana passada, o COB anunciou que estaria à frente de uma caravana em Brasília, com a finalidade de negociar com os senadores a alteração na proposta aprovada pela Câmara Federal, que mudaria a forma desses repasses.

Basicamente, os deputados mexeram no percentual sobre o qual incidiriam os 12% de contribuição, que hoje as casas de apostas têm de recolher e destinar a uma série de entidades, como Cruz Vermelha, Sociedade Pestalozzi e também o COB e o CBC.

O texto da PEC aprovado pela Câmara previa que uma parte considerável desses recursos seria encaminhada ao Fundo Nacional de Segurança Pública, que hoje já é um dos beneficiários dessa contribuição paga pelas bets.

Se a base de cálculo fosse mantida, a estimativa era de que o esporte nacional poderia perder até R$ 500 milhões ao ano.

Relator

Na manhã desta quarta-feira (2), as entidades esportivas obtiveram sua primeira vitória expressiva, depois que o relator da PEC da Segurança na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), senador Rogério Carvalho (PT/SE), acolheu emendas que suprimiam a contribuição de 12%, paga pelas bets, das fontes de financiamento da proposta.

Entre senadores que apresentaram emendas favoráveis às entidades esportivas estão Leila Barros (PDT/DF), Mara Gabrilli (PSD/SP), Damares Alves (REP/DF), Humberto Costa (PT/PE), Rogério Marinho (PL/RN), Alessandro Vieira (MDB/SE) e Alan Rick (REP/AC).

O acolhimento das sugestões do setor pelo relator e o fato de as emendas haverem sido sugeridas por parlamentares de diferentes partidos, tanto da base governista quanto da oposição, já sinalizavam que a mobilização havia sido bem-sucedida.

As organizações esportivas ainda foram beneficiadas nessa demanda pelo contexto político acirrado, que antecede a eleição de outubro.

Escala 6×1

O novo relatório da PEC da Segurança sequer chegou a ir a votação em plenário. Isso porque sua análise pela CCJ acabou atrasando, por conta de um tema polêmico que levou horas sendo debatido: a PEC que extingue com a Escala 6×1.

Apesar de contar com amplo apoio do eleitorado (razão pela qual se tornou uma das grandes bandeiras de campanha de Lula e de seus aliados), a proposta não agrada todos os setores da sociedade, especialmente os empresários dos setores de comércio e serviços.

Discussões em torno da PEC da Escala 6×1 ocuparam todo o período da manhã e grande parte da tarde, até o que o projeto foi enfim aprovado pela CCJ, por um motivo óbvio: mais do que ideologias, políticos amam seus mandatos, acima de tudo.

Em um contexto no qual dois terços das cadeiras do Senado serão renovados, equivaleria a uma espécie de harakiri político um parlamentar, prestes a disputar uma eleição majoritária, posicionar-se contra um projeto que é defendido por cerca de 70% do eleitorado.

Os debates acalorados sobre a Escala 6×1 não impactaram diretamente a PEC da Segurança, mas sim de maneira indireta, na medida em que atrasaram as deliberações acerca do texto e seu envio para votação em plenário, que só ocorrerá depois que a CCJ concluir a análise dos destaques feitos por senadores.

Como estamos em meio à campanha eleitoral e muitos senadores tendem a permanecer em Brasília poucos dias na semana, de modo a poderem retornar o mais rápido possível às suas bases eleitorais, não há garantia de que haverá quórum para que o relatório seja votado em plenário, seja nesta quinta-feira (3), seja nos demais dias deste mês.

Pode ser que a deliberação fique apenas para depois da eleição – ou até mesmo que a matéria nem venha a ser votada, dependendo a conjuntura que surgir no país após o pleito. Se isso ocorrer, o modelo atual permanece e o esporte não perde recursos.

A tendência é que o governo pressione para que a votação ocorra, já que a PEC da Segurança representa outra bandeira importante para Lula, em sua luta para se reeleger. Se a proposta for a plenário, porém, não haverá mais risco (pelo menos por enquanto) de as entidades esportivas serem prejudicadas.

Flamengo

O Flamengo foi uma das instituições que mais se mobilizaram no Congresso Nacional, buscando garantir mudanças na proposta aprovada pela Câmara.

O clube mobilizou sua Diretoria de Relações Governamentais para articular com os senadores as emendas que evitaram a perda dos recursos das bets.

Em abril deste ano, durante sua participação no CBC & Clubes Expo, em Campinas (SP), o presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) afirmou que o Flamengo usaria de todos os meios possíveis para barrar legislações que retirassem investimento do esporte nacional, inclusive mobilizando a torcida (que é a maior do país) em meio ao ano eleitoral.

Comemoração

Dirigentes de entidades esportivas celebraram a aprovação do relatório na CCJ do Senado. “Esse resultado preserva as condições necessárias para que os clubes continuem avançando na formação esportiva. Ainda temos muito a fazer, mas a transformação dos últimos anos é real e decorre de investimento, estrutura e continuidade”, disse Paulo Maciel, presidente do CBC.

O presidente do COB, Marco La Porta, classificou o dia como histórico para o esporte brasileiro.

“Essa vitória mostra a nossa força, mostra o quanto o movimento está unido e como conseguimos grandes feitos com essa união”, comemorou.

Já Arialdo Boscolo, presidente da Fenaclubes, considerou a aprovação do texto pela CCJ como “uma conquista importante, reforçada pelo apoio das demais entidades do esporte”. “Mas o trabalho continua até a conclusão da votação”, afirmou.

Saint-Gobain e o futuro CT da base do Santos

Patrocinadora do Santos, a Saint-Gobain enviou nota à coluna, posicionando-se acerca da polêmica ambiental que envolve o terreno localizado na Área Continental de São Vicente (SP) e que foi vendido há alguns dias para o Peixe, em troca da cessão de propriedades publicitárias do clube.

LEIA MAIS: Santos: Futuro CT da base em São Vicente vira alvo de polêmica ambiental

A área de 700 mil m², que se localiza na zona de amortecimento (que tem esse nome por estar no entorno de reservas legais de Mata Atlântica) da Baixada Santista, abrigará o futuro Centro de Treinamento (CT) das categorias de base do Alvinegro. Confira a nota na íntegra:

A Saint-Gobain informa que o terreno localizado no Sítio Ermida, em São Vicente, foi transferido ao Santos FC em agosto de 2026, e já não integra o portfólio imobiliário do Grupo.

Em linha com seus princípios e valores, a Saint-Gobain atua pautada pela observância da legislação e das normas aplicáveis, bem como pelo compromisso com a gestão responsável dos aspectos ambientais de suas operações.

Por isso, durante o período em que o terreno esteve sob sua propriedade, adotou as medidas e providências cabíveis em conformidade com a legislação aplicável e com as exigências dos órgãos competentes.

Projetos futuros a serem desenvolvidos na área serão de responsabilidade exclusiva do clube.

Assessoria de imprensa da Sain-Gobain

Rodrigo Ferrari é jornalista da Máquina do Esporte desde 2022. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), atua com política desde 2010

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