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A evolução das camisas das seleções campeãs mundiais ao longo das Copas do Mundo: Espanha

Parceira da Adidas até 2030, seleção espanhola alavancou o potencial comercial dos seus uniformes com o título do Mundial de 2010 e se tornou um dos pilares da marca no universo do futebol

Lamine Yamal veste a camisa reserva da seleção espanhola que será usada na Copa do Mundo de 2026 - Divulgação / Adidas

⚡ Máquina Fast
  • Deportes Condor fabricou as camisas da seleção espanhola de 1935 até 1981, antes da entrada da Adidas em 1982.
  • A Adidas renovou contrato com a RFEF até 2030 após tentativa frustrada de substituir a marca pela Inditex em 2019.
  • Uniformes retrô e designs inspirados nos anos 1990 marcam a estratégia atual da Adidas para a seleção espanhola, alinhada ao streetwear.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Os primeiros registros da produção da camisa da seleção da Espanha por uma empresa especializada remonta ao ano de 1935, quando Blas Pardo, ex-goleiro do Atlético de Madrid, fundou a loja de artigos esportivos Deportes Condor e aproveitou suas conexões no meio do futebol para firmar uma parceria com a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF).

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Com isso, de 1935 até meados de 1981, os uniformes da “La Roja” foram fabricados quase exclusivamente pela Deportes Condor. Em uma época amadora e pouco comercial do futebol, a loja, que existe até hoje e fica na cidade de Madri, seguia o padrão da época e não estampava o logotipo nas camisas da seleção espanhola.

Réplica da camisa usada pela seleção espanhola na Copa do Mundo de 1978 – Reprodução

No entanto, quando a Adidas assumiu pela primeira vez o fornecimento de material esportivo da equipe, em 1982, isso mudou, e a empresa alemã inseriu o tradicional símbolo “Trefoil” nos uniformes da seleção para o Mundial do mesmo ano, disputado na própria Espanha.

Réplica da camisa usada pela seleção espanhola na Copa do Mundo de 1982 – Reprodução

Já em 1984, a francesa Le Coq Sportif assumiu o lugar da Adidas e passou a produzir os uniformes da Espanha, em um acordo que envolveu as Copas do Mundo de 1986 e 1990. A partir de 1991, porém, a marca das três listras voltou a ser parceira da RFEF e segue até hoje como fornecedora de material esportivo da seleção espanhola, que ainda se tornou um dos principais ativos estratégicos da empresa alemã no futebol nas últimas décadas.

Réplica da camisa usada pela seleção espanhola na Copa do Mundo de 1990 – Reprodução

Apesar disso, a relação entre RFEF e Adidas quase foi rompida em 2019, quando a entidade máxima do futebol espanhol, sob a presidência de Luis Rubiales, anunciou que revogaria unilateralmente o contrato com a marca.

Para o lugar da empresa alemã, a RFEF procurou a gigante do fast-fashion Inditex, dona da Zara, para ser a sua nova fornecedora de material esportivo. A empresa, no entanto, recusou a oferta alegando falta de expertise técnica para estruturar linhas de performance esportiva.

A Adidas, sustentada pelas garantias legais do contrato vigente com a RFEF até 2026, reagiu com a ameaça de entrar na Justiça e exigir multas estimadas entre € 70 milhões e € 200 milhões em caso de quebra unilateral do contrato por parte da entidade. Diante desse risco financeiro, a Federação Espanhola recuou e, no fim de 2019, assinou a renovação da parceria com a marca alemã até dezembro de 2030.

Impacto do título de 2010

O principal momento de retorno comercial do uniforme da Espanha para a Adidas aconteceu entre 2008 e 2012, período mais vitorioso da história da “La Roja” em campo. Neste intervalo de quatro anos, a seleção espanhola conquistou as Euros de 2008 e 2012, assim como a Copa do Mundo de 2010, disputada na África do Sul.

Réplica da camisa usada pela seleção espanhola na Copa do Mundo de 2010 – Reprodução

O título inédito do Mundial ainda foi o principal responsável por elevar o nível global de consumo dos uniformes da seleção ibérica. De acordo com uma publicação da agência de notícias EFE, de julho de 2010, a Adidas tinha vendido mais de 500 mil camisas da “La Roja” antes mesmo das semifinais do Mundial. Esse número ainda correspondia a quase o dobro do volume de uniformes da Espanha comercializados pela marca alemã em 2008, quando os espanhóis conquistaram a Euro.

Esse volume exigiu uma operação logística complexa da Adidas para preparar e distribuir rapidamente lotes adicionais das camisas da Espanha após o Mundial, já que muitos torcedores queriam a versão com a estrela de campeã acima do escudo espanhol.

Design

Sucesso em 1994

Esteticamente, o design das camisas da Espanha tem sido historicamente uma vitrine do país para o mundo, gerando tanto sucessos comerciais quanto crises institucionais. O modelo geométrico criado pela Adidas para os espanhóis jogarem a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, marcou época pela disrupção visual e se tornou um dos itens mais procurados no mercado de colecionadores.

Réplica da camisa usada pela seleção espanhola na Copa do Mundo de 1994 – Reprodução

Polêmica em 2018

Por outro lado, houve uma associação política ao design do uniforme titular da Espanha para a Copa do Mundo de 2018 que gerou problemas. Isso porque o grafismo lateral da camisa, formado por diamantes sobrepostos em amarelo, vermelho e azul, criava nas lentes das transmissões televisivas a ilusão de ótica da cor roxa.

Essa mistura replicou as cores da bandeira da Segunda República Espanhola, um dos símbolos proibidos durante a ditadura de Francisco Franco no país. O fato gerou uma ebulição política imediata, impulsionada ainda pela crise constitucional ligada ao separatismo da Catalunha na época, o que fez a Adidas emitir comunicados oficiais para desmentir qualquer intencionalidade ideológica ou associação ao movimento republicano na concepção do produto.

Réplica da camisa usada pela seleção espanhola na Copa do Mundo de 2018 – Reprodução

Cultura do streetwear

Nos últimos anos, a estratégia das marcas esportivas, o que envolve a parceria da RFEF com a Adidas, buscou ir além do universo do futebol e reposicionar os uniformes como itens da cultura streetwear. Aproveitando-se do movimento conhecido como “Blockcore”, que emergiu a partir das redes sociais e se tornou tendência ao mesclar o uso de camisas de futebol retrô combinadas com alfaiataria, jeans e tênis casuais, a indústria começou um processo de vender a nostalgia das Copas do Mundo.

Essa operação ficou evidente com o lançamento de linhas retrô de camisas históricas de clubes e seleções parceiras da Adidas. Uniformes espanhóis dos anos 1990, como as camisas da Copa de 1994 e da Euro de 1996, foram relançados. As novas peças trazem uma modelagem mais larga, tendência no universo da moda urbana, e características voltadas para o uso estético e não necessariamente para a prática esportiva.

Nesse sentido, o uniforme reserva da Espanha para a Copa do Mundo de 2026 também busca se conectar com a cultura do streetwear. Carregando o “Trefoil” da linha Adidas Originals e uma estética dos anos 1990, o modelo conta com uma estampa inspirada na história literária do país, com detalhes que representam grafismos encontrados em manuscritos clássicos e uma cor base mais clara que busca simular a página de um livro. Por outro lado, a marca manteve a tradição do uniforme vermelho, amarelo e azul na linha titular da “La Roja” para o Mundial deste ano.