Durante a Copa do Mundo de 2026, uma rede internacional de integridade registrou sete alertas relacionados a possíveis irregularidades em apostas.
Os comunicados chamaram atenção para riscos regulatórios criados pelos mercados de previsão baseados em criptomoedas. Apesar disso, a Força-Tarefa de Integridade da Fifa afirmou não ter identificado atividade suspeita em todo o torneio.
Segundo o site The Athletic, o Grupo de Copenhague monitorou as 104 partidas e emitiu avisos amarelos diante de incidentes em campo, movimentações de apostas e mercados abertos em torno de decisões disciplinares.
“Os comunicados do Grupo de Copenhague podem ser explicados por comportamentos atípicos, como alterações nas probabilidades ou operações de hedge de liquidez. Existem muitas explicações que não envolvem manipulação”, explicou Christian Kalb, especialista em jogos de azar.
Hedge é uma estratégia financeira usada para reduzir riscos em investimentos, funcionando como uma forma de proteção contra perdas em cenários de volatilidade. Em vez de eliminar o risco, o hedge busca compensar possíveis prejuízos.
Incidentes
Entre os episódios destacados está o cartão vermelho mostrado ao meio-campista sul-africano Themba Zwane contra o México, na abertura da Copa do Mundo.
Outro caso envolveu US$ 4,8 milhões aplicados na plataforma de previsão Polymarket, em um mercado sobre a Espanha contra Cabo Verde, partida que terminou sem gols.
A demora de três minutos e meio do árbitro assistente de vídeo (VAR) antes de anular um gol de Ferran Torres também foi sinalizada. No total, 15 partidas ficaram sob vigilância reforçada e 12 controvérsias foram analisadas.
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Mercados
Os alertas chamaram a atenção para os mercados de previsão, monitorados pela primeira vez em uma grande competição internacional.
Diferentemente das casas de apostas tradicionais, essas plataformas permitem negociar contratos vinculados a resultados esportivos e não esportivos, muitas vezes com pagamentos em criptomoedas.
O caso mais sensível envolveu o atacante norte-americano Folarin Balogun, expulso no jogo contra a Bósnia e Herzegovina.
A Polymarket abriu um mercado sobre sua participação contra a Bélgica três dias antes de a Fifa confirmar que sua suspensão havia sido anulada. O Grupo de Copenhague solicitou esclarecimentos formais à entidade.
A Fifa respondeu que seu Comitê Disciplinar aplicou regulamentos pertinentes às circunstâncias específicas, mesmo que tal decisão nunca havia sido tomada anteriormente, desde a implantação do cartão vermelho, na Copa do Mundo de 1970.
O episódio levantou suspeitas sobre o tratamento de informações confidenciais quando mercados podem ser abertos em torno de decisões ainda não anunciadas.
“O principal problema surge quando pode haver conflito de interesses e potencial acesso a informações privilegiadas sobre esses assuntos”, destacou Kalb.
“Quando falamos de mercados de previsão, podemos detectar alguns comportamentos incomuns, mas devemos ter muito cuidado, pois eles podem ser usados para fins de hedge”, completou o especialista.
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Negócios
Segundo o Grupo de Copenhague, US$ 240 bilhões foram apostados durante o torneio, aproximadamente o dobro do total desembolsado durante a Copa do Mundo do Catar 2022.
A diferença entre os sete avisos e a conclusão da Fifa não representa contradição direta, mas indica necessidade de que seja realizada uma análise mais aprofundada.
A organização atua sob a Convenção de Macolin do Conselho da Europa e coopera com governos, reguladores e entidades esportivas. Os resultados aumentam a pressão para que sejam desenvolvidos padrões comuns para os mercados de previsão antes de sua expansão em grandes competições.
O relatório completo ainda não foi publicado, e a resposta da Fifa ao Caso Balogun segue como próximo desdobramento relevante em matéria de integridade.
