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CazéTV retira odds das transmissões de jogos, mas mantém nos programas que cobrem a Copa 2026

Após denúncias ao MPF e investigação aberta pelo Ministério da Justiça, canal da LiveMode reduziu presença de propagandas de bets na cobertura do Mundial

Odd da Bet365 divulgada no programa Geral CazéTV - Reprodução / YouTube (@CazeTV)

⚡ Máquina Fast
  • CazéTV retirou odds das apostas das transmissões da Copa 2026 após investigação do Ministério da Justiça.
  • Ministério acusa CazéTV de publicidade excessiva e promocional de apostas que violam normas de jogo responsável.
  • Apesar da investigação, odds continuam em programas noturnos com tom informativo e alertas contra apostas por menores.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

No dia em que se tornou alvo de investigação aberta pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça, por conta da promoção ostensiva de apostas em transmissões da Copa do Mundo de 2026, a CazéTV retirou as odds das lives dos jogos.

Até então, era que comum que, antes da bola rolar, o canal apresentasse sugestões de probabilidades de plataformas que patrocinam a transmissão, como Betnacional, KTO e Bet365, acompanhadas de QR codes que direcionavam para os sites ou aplicativos das casas de apostas.

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Mas, além de divulgar as odds, os narradores ainda se referiam a elas como oportunidades imperdíveis e convidavam os especialistas da transmissão a analisarem as chances de os eventos ocorrerem no jogo que seria exibido. Em geral, os comentaristas atestavam que as chances de o fato se materializar eram grandes.

O despacho do Ministério da Justiça que determinou a abertura da investigação contra a CazéTV cita três casos de publicidade ostensiva de apostas nas transmissões, que poderiam ferir os princípios da responsabilidade social, do jogo responsável, da transparência e da informação adequada ao consumidor.

“Em um dos registros, exibido durante a parada para hidratação da partida entre Inglaterra e Gana, observa-se publicidade da plataforma Betnacional, na qual o narrador Galvão Bueno incentiva os espectadores a ‘colocar a paixão em jogo’, orientando o acesso ao sítio eletrônico da operadora ou por meio de QR code disponibilizado na tela, além de divulgar a existência de oportunidade promocional exclusiva relacionada à partida”, afirma o documento do Ministério.

O despacho dita também a transmissão de Argentina x Áustria, que teve “divulgação de apostas com odds majoradas de 3.00 para 4.00, acompanhada de manifestações dos comentaristas da CazéTV destacando que a plataforma Betnacional ofereceria ao apostador uma ‘segunda chance’, reforçando a atratividade da oferta e incentivando a adesão imediata à promoção anunciada”.

Por fim, o documento ainda menciona a transmissão de Uruguai x Cabo Verde, que contou com “ação publicitária da operadora KTO construída a partir da associação entre a paixão do povo brasileiro pelo futebol e a realização de apostas esportivas, contendo incentivo para que os espectadores realizem apostas por meio da referida plataforma”.

A regulamentação do setor de apostas no Brasil proíbe ações publicitárias que sugiram obtenção de ganho fácil, encorajem práticas excessivas de aposta, contenham chamadas para ação que sugiram a realização imediata de apostas, apresentem informações falsas ou enganosas, veiculem afirmações enganosas sobre probabilidades de ganho, induzam à crença de que apostar constitui sinal de sucesso, virtude, coragem ou maturidade, ou de que habilidade, experiência ou conhecimento esportivo possam influenciar os resultados das apostas.

A legislação veta ainda ações dirigidas a crianças e adolescentes ou veiculadas em meios cuja audiência seja predominantemente composta por menores de dezoito anos.

O despacho informa que os vídeos das transmissões da CazéTV, referentes aos três jogos da Copa de 2026, teriam elementos que podem guardar relação com as hipóteses vedadas pela regulamentação do setor.

“A divulgação de oportunidades promocionais vinculadas a partidas específicas, a utilização de mensagens que incentivam a realização imediata de apostas, a apresentação de odds majoradas acompanhadas de comentários destinados a reforçar a atratividade das ofertas anunciadas e a associação entre a paixão pelo futebol e a prática de apostas esportivas constituem circunstâncias que demandam análise quanto à sua compatibilidade com os princípios do jogo responsável, da transparência e da informação adequada ao consumidor”, informa o documento.

Odds e QR codes seguem na programação

As odds e os QR codes das bets deixaram de ser exibidos nas transmissões dos jogos, que têm alcançado grande audiência na CazéTV.

A vitória do Brasil sobre a Escócia por 3 a 0, nesta quarta-feira (24), por exemplo, atingiu picos de quase 19 milhões de aparelhos únicos conectados.

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O jogo em questão, porém, marcou a mudança no estilo de divulgação da publicidade de apostas pelo canal da LiveMode, que se limitou a exibir os comerciais antes da transmissão e durante o intervalo.

Isso não significa que as odds sumiram por completo da CazéTV. Elas seguem sendo mostradas nos programas dedicados à cobertura do Mundial, como Live da Madrugada ou Geral CazéTV, que alcançou 1,4 milhões de visualizações em sua edição mais recente.

Mas a abordagem desse tipo de conteúdo também passou por uma transformação. Agora os apresentadores adotam um tom mais informativo (e menos emotivo ou eufórico), sem juízos de valor quanto às chances de o evento ocorrer, destacando questões como jogo responsável e alertando que apostas são proibidas para menores de 18 anos.

Além da investigação do Ministério da Justiça (que recebeu uma outra queixa feita pela bancada do PV na Câmara Federal), as transmissões da CazéTV foram alvo de denúncias apresentadas ao Ministério Público Federal (MPF) por parlamentares como Pastor Henrique Vieira (PSOL/RJ) e Erika Hilton (PSOL/SP).

Na representação feita ao Ministério da Justiça pelos deputados do PV Clodoaldo Magalhães, Professor Reginaldo Veras e Aliel Machado, eles citam a questão da dependência em jogo.

Segundo a queixa dos três parlamentares, “estimativas recentes apontam cerca de 1,4 milhão de brasileiros com indícios compatíveis com o transtorno e cerca de 11 milhões em comportamento de risco, com perfil predominante de homens jovens e de baixa renda, e associação com ansiedade, depressão e ideação suicida”.