A Copa do Mundo de 2026 tem sido marcado pelo predomínio de Nike e Adidas, tanto entre as seleções que mais avançam no torneio quanto entre os atletas que se destacam dentro de campo.
Prova disso é que as duas marcas dominam com folga o ranking da artilharia das chuteiras neste Mundial.
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Considerando-se os números consolidados até a última quinta-feira (9) – um total de 269 gols no geral -, a Nike liderava a corrida com 137 gols, que correspondiam a 50,92% das vezes em que as redes foram balançadas na competição. Atletas da Adidas, por seu turno, haviam marcado 102 vezes, ou 37,91%.
Ou seja, juntas as duas gigantes concentraram 88,83% dos gols do Mundial de 2026 e praticamente engoliram a Puma nessa disputa.
Não é de hoje que a marca que usa o emblema do felino vem sendo ofuscada pelas concorrentes. Porém, o desempenho da empresa alemã, em 2026, está bem abaixo do registrado na Copa do Mundo de 2022, quando ela alcançou 23 gols, o equivalente a 12% do total.
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Neste ano, com apenas 15 gols marcados por seus atletas no período analisado, a Puma respondeu por 5,57% dos gols da Copa do Mundo.
O que explica a derrocada da Puma?
Ao longo dos últimos anos, a Puma tem sido incapaz de fazer frente ao poderio da Adidas e sobretudo da Nike, que investem pesado na estratégia de atrair grandes astros do futebol mundial para seus respectivos times de embaixadores.
Nesta Copa, a Adidas conta com ninguém menos que Lionel Messi, um dos artilheiros da competição e que é ainda, até o momento, o maior goleador da história das Copas.
A constelação da marca das três listras traz ainda jogadores decisivos como Jude Bellingham (autor dos dois gols da classificação inglesa nas quartas de final diante da Noruega, que não estão contabilizados nesta reportagem), o egípcio Mohamed Salah e o francês Ousmane Dembelé.
A Nike, por sua vez, patrocina nomes como o português Cristiano Ronaldo, o brasileiro Vinicius Júnior, o norueguês Erling Haaland e o francês Kylian Mbappé, que disputa com Messi, gol a gol, a artilharia desta Copa.
Diante desse quase duopólio de acordos com astros exercido pelas concorrentes, a Puma acabou por ficar com pouca margem para atrair jogadores decisivos das principais equipes.
A principal estrela da empresa neste Mundial (ao menos em termos midiáticos, já que tem quase 240 milhões de seguidores no Instagram) foi o brasileiro Neymar, que marcou apenas um gol na competição, na eliminação do Brasil contra a Noruega, nas oitavas de final.
Para piorar, ela ainda teve de enfrentar no andar de baixo a concorrência de marcas menores, especialmente a Skechers, que somava um total de nove gols nesta edição e tem como principal representante na Copa de 2026 o artilheiro inglês Harry Kane.
Puma criou a estratégia que hoje a engole
Garantir acordos milionários com os principais astros do esporte mundial tem sido o segredo para o sucesso da Nike e, de certa forma também, da Adidas, nas últimas décadas.
A companhia norte-americana, em especial, tem investido pesado nessa estratégia desde os anos 1980, sobretudo em outras modalidades como o basquete, que tem como exemplo mais célebre a parceria com Michael Jordan na criação de uma marca própria do astro da NBA, que inclusive foi usada no segundo uniforme do Brasil na Copa de 2026.
Com sua chegada ao universo do futebol, em meados da década de 1990, a Nike buscou atrair os principais ídolos da modalidade. Foi assim que ela passou a contar com embaixadores como Ronaldo Fenômeno, Eric Cantona e Ronaldinho Gaúcho.
A Adidas, por sua vez, inicialmente apostou inicialmente nas parcerias institucionais, caso do acordo com a Fifa, que entrou em vigor na Copa de 1970. Com o avanço da Nike no futebol, porém, a marca das três listras buscou criar seu próprio plantel de astros para tentar fazer frente à concorrente.
Só que a estratégia de fechar com as grandes estrelas dos gramados não é uma invenção de Adidas ou Nike.
Quem consolidou essa ideia foi na verdade a Puma, na Copa de 1970, quando o marketing esportivo ainda engatinhava.
Comandadas por dois irmãos da família Dassler, Adolf (Adidas) e Rudolf (Puma), as companhias disputavam a hegemonia no futebol mundial.
Desde 1958, os empresários haviam se atentado para o potencial imenso que o brasileiro Pelé representava, em termos comerciais.
Os irmãos chegaram à conclusão de que, se entrassem numa espécie de leilão para tentar fechar com o Rei, o contrato alcançaria valores astronômicos, capazes de arruinar a empresa vencedora.
E assim foi criado o “Pacto Pelé”, que vigorou de maneira verbal, enquanto a dupla permaneceu à frente das companhias.
Copa de 1970
Em 1970, porém, a Adidas fechou com a Federação Internacional de Futebol (Fifa) para fornecer a bola da Copa, a Telstar, célebre por seus hexágonos pretos e brancos.
Para não comer poeira, Armin Dassler, filho de Rudolf, decidiu quebrar o “Pacto Pelé” e contratar o brasileiro por US$ 120 mil mais um percentual sobre as vendas da chuteira Puma King, valor que era considerado uma fortuna para os padrões da época.
O acordo previa que o Rei deveria executar uma ação para promover o produto, que consistia em se dirigir ao círculo central, antes do início da partida entre Brasil e Peru, pelas quartas de final do torneio.
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Pelé pediu um tempo ao árbitro, abaixou-se e amarrou os cadarços dos calçado. A Puma havia providenciado para que o profissional responsável pelas imagens oficiais do torneio desse um close no jogador naquele exato instante, exibindo para o mundo todo a logomarca usada pela empresa à época.
Apesar de não haver disputado a artilharia daquela Copa (marcou quatro gols, três a menos que o goleador brasileiro Jairzinho e seis a menos que o alemão Gerd Müller, artilheiro geral), Pelé foi o grande destaque da vitoriosa campanha verde e amarela, tendo sido eleito o melhor jogador da competição e ajudando a consolidar uma estratégia que deu vantagem à Puma naquela disputa, mas que, mais tarde, seria usada pela concorrência para sufocá-la.
Para mais informações sobre a artilharia das marcas e outros dados relevantes sobre a Copa do Mundo de 2026, acesse o Painel Inteligente da Máquina do Esporte, ferramenta própria de Inteligência Artificial (IA) e organiza e analisa todo o conteúdo produzido sobre a competição.
