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Banco Inter encontra no futebol caminho para se aproximar dos brasileiros nos Estados Unidos

Dona dos naming rights do estádio do Orlando City, instituição financeira usa o esporte como ferramenta de conexão e criação de experiências

Banco Inter é dono dos naming rights do estádio do Orlando City, que disputa a MLS - Divulgação / Orlando City

⚡ Máquina Fast
  • Banco Inter utiliza naming rights do estádio do Orlando City para se aproximar da comunidade brasileira nos EUA e expandir sua base de clientes.
  • A instituição foca exclusivamente no público brasileiro nos Estados Unidos, descartando abordagens amplas para latinos, e oferece produtos financeiros específicos como o Passport Card.
  • Com a popularidade crescente do futebol nos EUA e a proximidade da Copa do Mundo de 2026, o banco planeja ativar eventos esportivos e diversificar investimentos em outras modalidades para fortalecer a fidelização.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O Banco Inter tem aproveitado o universo esportivo para avançar no mercado norte-americano. A instituição financeira brasileira, que em janeiro recebeu aprovação para ter uma agência na Flórida, utiliza a presença no futebol para se aproximar dos brasileiros que moram nos Estados Unidos. 

Ainda que a aprovação para atuar como banco estrangeiro nos EUA tenha sido conquistada recentemente, o Banco Inter está no futebol do país há mais de dois anos. A companhia é dona dos naming rights do estádio do Orlando City, que disputa a MLS.

Em 2025, mais de 750 mil pessoas passaram pelo Inter&Co Stadium. O local também recebe partidas do Orlando Pride, equipe da NWSL que conta com Marta no elenco, e terá duelos de futebol americano ao longo do ano.

“É uma propriedade muito bacana que acaba servindo a população local, os brasileiros que moram na Flórida, nos Estados Unidos. A gente tem mais de 75 milhões de pessoas que vão para Orlando todos os anos”, exaltou Kaio Philipe, diretor de marketing do Banco Inter nos Estados Unidos, em entrevista à Máquina do Esporte.

“No nosso caso, recebemos milhares de clientes no ano passado que ganham desconto ou ingresso gratuito. Temos mais de 300 mil clientes nos Estados Unidos e são mais de 5,3 milhões de contas globais”, prosseguiu.

Na estratégia do Banco Inter, o investimento no Inter&Co Stadium vai além da exposição de marca. A instituição transformou a propriedade física em um ativo digital, utilizando a visibilidade da arena para alavancar o tráfego de busca e otimizar a presença em ferramentas de inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos.

“Com a evolução da tecnologia e das comunidades, você acaba tendo mais maneiras de mensurar e de ter benefícios através daqueles naming rights. Você coloca o seu nome ali e traz um ganho de escala”, disse o executivo.

A parceria com o estádio e com as equipes funciona como uma ferramenta para conversão de negócios. O banco utiliza essa vitrine esportiva para promover soluções financeiras específicas para seu público-alvo: brasileiros que moram nos EUA.

“A gente lançou o cartão de crédito chamado Passport Card, que é o cartão para pessoas que querem construir crédito nos Estados Unidos, focando no público imigrante. É um cartão de crédito que dá benefício e ingresso para o estádio”, exemplificou Kaio Philipe.

Foco

Em sua expansão norte-americana, o Banco Inter descartou a abordagem genérica de focar no amplo mercado “latino”. A diretriz da empresa é atuar de forma direcionada, em busca de se consolidar como a principal escolha financeira especificamente para a comunidade brasileira no país.

“A primeira coisa que as pessoas falam, que eu acho que é uma falácia ou um desejo muito ambicioso, é que são muito amplas. Por exemplo, ‘quero focar em latino’. O que significa latino? Você tem 60 milhões de latinos nos Estados Unidos. No nosso caso, somos muito assertivos em saber que o nosso objetivo é o público brasileiro”, avaliou o diretor de marketing do Banco Inter.

Essa clareza em relação ao público-alvo determinou a geografia dos investimentos esportivos da marca. A escolha por Orlando atende a uma lógica que segue a busca por impactar os brasileiros imigrantes.

“Eu diria que Orlando é a ‘Chinatown brasileira’, é onde estão os brasileiros. Esse é o nosso foco, então é totalmente alinhado com a nossa estratégia”, brincou.

Comunidade

Os naming rights e a proximidade com os clubes de futebol de Orlando também possibilitam que o Banco Inter crie experiências para seus clientes, como forma de ampliar conexões e incentivar o uso de suas funcionalidades.

A estratégia é utilizar o esporte e o entretenimento como ferramentas para gerar afinidade e fidelizar os clientes em torno das experiências compartilhadas.

“Marketing é sobre comunidade, sobre unir as pessoas. O esporte e momentos de entretenimento trazem isso. No final do dia, você não está vendendo produto; está criando uma comunidade em que as pessoas têm uma afinidade e por conta daquilo acabam casando com seu produto e usufruindo”, refletiu o executivo.

A adoção do futebol como pilar central dessa comunidade reflete o posicionamento que a marca quer projetar globalmente. O Inter enxerga na modalidade uma plataforma acessível e livre de barreiras, capaz de unificar os mais variados perfis de clientes sob o mesmo guarda-chuva.

“O Inter vê o futebol como democrático: não importa se você é rico, se você é pobre, sua cor, sua religião, sua opção sexual, nada disso importa no esporte, está todo mundo junto por aquela mesma causa. É uma plataforma que conecta pessoas globalmente”, disse.

Ainda que a visibilidade não seja o único objetivo com a presença no futebol norte-americano, o Banco Inter obtém bons frutos nesta área. Segundo o diretor de marketing, a empresa foi a instituição financeira brasileira mais pesquisada nos Estados Unidos em 2025.

“Em dois, três anos, nos tornamos o banco mais buscado, porque fomos para o consumo focado no brasileiro. O estádio traz benefícios, mas obviamente a gente tem as ativações na Flórida como um todo”, ponderou o executivo.

Entre as métricas observadas pelo Banco Inter também estão número de transações e contas, menções à marca e à saúde da marca. Assim, a empresa consegue acompanhar o quanto a comunidade local e o seu público-alvo se relacionam consigo a partir do patrocínio.

Futebol nos EUA

O futebol vive aquele que pode ser considerado seu melhor momento da história nos Estados Unidos. O país tem se aproximado cada vez mais do esporte ao ver a liga nacional, a MLS, crescer, enquanto sedia eventos importantes para a modalidade.

A liga viveu um salto de popularidade nos últimos anos, principalmente por conta da chegada de Lionel Messi ao Inter Miami, que impulsionou a ida de diversos outros nomes de peso ao time e à competição. Dois anos depois de o argentino chegar, o país foi sede da Copa do Mundo de Clubes da Fifa.

Nos próximos meses, a popularidade do esporte deverá encontrar um novo auge no país presidido por Donald Trump. Ao lado de Canadá e México, os Estados Unidos sediarão a Copa do Mundo de 2026.

Do ponto de vista do diretor de marketing do Banco Inter, o momento engrandece a presença da companhia no esporte, que vê as modalidades masculina e feminina, a qual também vive um bom momento, atingindo diferentes públicos.

“O futebol está vivendo um momento muito bom, tanto o feminino quanto o masculino. O feminino está vivendo um momento maravilhoso, a avaliação dos times femininos está crescendo bastante”, exaltou Kaio Philipe.

“Ouso dizer que o feminino tem uma coisa até mais cultural que o masculino para as novas gerações, tem uma conexão muito maior, enquanto o masculino tem uma conexão muito grande com os hispânicos e com os latinos”, acrescentou.

Copa do Mundo de 2026

Neste cenário, o Banco Inter não planeja passar em branco na Copa do Mundo. Ainda que não possa realizar qualquer ativação que use diretamente a marca do Mundial, já que não está entre os patrocinadores, a instituição realizará eventos para surfar na onda do torneio. 

“Patrocinamos um parque em Miami, o Underline. Temos um palco e um telão gigante lá, e vamos passar jogos da Copa do Mundo para as pessoas assistirem de graça”, adiantou Kaio Philipe.

“Vai ter uma ‘fan fest’ em todos os jogos e também no nosso estádio. Não patrocinamos a Copa, mas estamos oferecendo ativações para o cliente da ‘conta global’ e para o cliente dos Estados Unidos e da Argentina usufruírem dos benefícios do Inter na Copa”, completou.

A presença do Banco Inter em Miami também se dá por meio do oferecimento de bicicletas, que podem ser alugadas em quiosques da companhia e oferecem descontos para clientes.

Próximos passos

Com o crescimento das contas globais, o Banco Inter planeja fortalecer sua plataforma de benefícios. A meta é continuar capitalizando sobre seus ativos esportivos para entregar vantagens que impulsionem o banco na liderança de preferência do seu nicho.

Para sustentar esse engajamento no futuro, a empresa prevê a diversificação das modalidades apoiadas. Acompanhando o comportamento e o estilo de vida de seus clientes na Flórida, o Inter já estrutura frentes de atuação além do futebol.

“A gente está sempre olhando tudo, não dá para dizer que é só o futebol. Estamos querendo fazer uma corrida também em Miami, uma meia-maratona para dar para os nossos clientes, pois tem muito brasileiro que viaja para Miami para correr”, concluiu o diretor de marketing do Banco Inter.