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Botafogo, Cruzeiro, Goiás e Operário comunicam saída do FFU

Após o Cade permitir que o CSA deixe o bloco, clubes comunicam desligamento, mas colocam condições para retornarem

Presidentes de clubes participam da reunião com a CBF no Rio de Janeiro (RJ), em maio - Rodrigo Ferrari / Máquina do Esporte

Presidentes de clubes participam da reunião com a CBF no Rio de Janeiro (RJ), em maio - Rodrigo Ferrari / Máquina do Esporte

⚡ Máquina Fast
  • Botafogo, Cruzeiro, Goiás e Operário-PR notificaram saída do bloco econômico Futebol Forte União após decisão do Cade sobre cláusulas de desligamento.
  • Operário-PR planeja recomprar direitos de mídia e critica conflito de interesse e controle excessivo da Sports Media Participações sobre o FFU.
  • Racha no FFU intensifica movimento por liga única de futebol com participação da CBF, que já negocia direitos e organiza encontros para unificação.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Botafogo, Cruzeiro, Goiás e Operário-PR notificaram os investidores do Futebol Forte União (FFU) de que estão deixando o bloco econômico. As notificações foram enviadas horas após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) assinar uma medida preventiva que impede a investidora Sports Media Participações S.A. de criar obstáculos para os clubes que eventualmente desejarem deixar o FFU.

O Cade tomou sua decisão baseado em um pedido do CSA, que questionou as cláusulas impostas pela Sports Media para os clubes deixarem o condomínio do FFU.

A Máquina do Esporte teve acesso aos documentos enviados pelos clubes à Sports Media, ao Condomínio Forte União e ao FFU. O teor das notificações é muito parecido, mas trazem algumas diferenças.

Botafogo, Cruzeiro e Goiás colocaram um prazo de 10 dias para deixarem definitivamente o Condomínio Forte União. Para que eles permaneçam, o FFU e os investidores precisarão cumprir três exigências.

A primeira é rever as cláusulas com as regras de saída dos clubes do condomínio. Depois, esclarecer como atenderá às exigências impostas pelo Cade no documento em que liberou o CSA para deixar o bloco. Por fim, os clubes exigem que o FFU dê garantia aos clubes para eles livremente se desligarem do bloco.

Operário recomprará direitos

Primeiro clube a notificar o FFU após a decisão do Cade, o Operário-PR foi mais incisivo na decisão de deixar o bloco. O clube já disse que recomprará os direitos de mídia que foram repassados ao Sports Media.

Para isso, o clube pede no documento que o investidor apresente “o valor de recompra apurado na forma do Contrato, acompanhado das respectivas memórias de cálculo, bem como a relação dos contratos de comercialização vigentes que incluam direitos do Clube, com indicação de partes, objeto, prazo, valores e parcela atribuível ao Clube”.

No documento, o clube paranaense questiona ainda a participação da LiveMode, dona da CazéTV, na comercialização dos direitos de mídia dos clubes pertencentes ao FFU.

O Operário-PR diz que há “conflito de interesse na escolha pelo Investidor da agência Livemode para comercialização dos direitos, que hoje atua como sócia dos direitos de transmissão da LFU, comercializadora e transmissora, via CazéTV”.

O clube ainda reclama sobre o controle que o Sports Media Participações tem sobre o bloco econômico. Segundo o texto da notificação, o investidor tem “excessiva concentração de poder” e controle “sobre os fluxos financeiros do bloco”, o que, na argumentação do Operário “retira dos clubes a previsibilidade e a autonomia indispensáveis à sua gestão, fazendo do repasse dos recursos um instrumento de subordinação dos clubes”.

Investidor questiona decisão do Cade

Pouco antes de receber as notificações dos clubes, a Sports Media já havia enviado nota questionando a decisão tomada pelo órgão regulador da concorrência. Segundo a nota divulgada pela empresa, a decisão é “sem efeitos práticos relevantes, fruto de entendimento incorreto sobre os fatos”. Veja abaixo a nota enviada pelo investidor.

A Sports Media Entertainment recebeu, com surpresa, a notícia do despacho decisório do então Superintendente-Geral do Cade, no Procedimento nº 08700.003201/2026-21, sobretudo por ter sido emitida antes mesmo do encerramento do prazo concedido para a apresentação de informações e em sede de procedimento absolutamente preparatório.

A SME ainda não foi sequer regularmente intimada da decisão. Não obstante, entende que se trata de decisão sem efeitos práticos relevantes, fruto de entendimento incorreto sobre os fatos.

Cumpre destacar, ademais, que, na própria fundamentação da decisão, se reconhece expressamente que os direitos patrimoniais e as obrigações financeiras decorrentes dos contratos firmados permanecem íntegros e plenamente exigíveis, resguardados os direitos adquiridos pela companhia no âmbito do acordo de investimento.

A Sports Media Entertainment manifesta plena confiança no Cade e que, após a apresentação dos esclarecimentos e a análise integral dos fatos, a decisão será prontamente revista pela própria Autarquia, de modo a refletir adequadamente os aspectos jurídicos e concorrenciais envolvidos.

Racha reforça liga “da CBF”

O novo racha entre clubes e bloco econômico, dessa vez do lado do Forte Futebol, escancara ainda mais o caminho para a consolidação de uma liga única com participação decisiva da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Desde o começo deste ano, quando a CBF fechou acordo diretamente com Náutico e São Bernardo pelos direitos da Série B do Brasileirão, que o racha entre os clubes e seus respectivos blocos econômicos aumentou.

Em janeiro, dirigentes de clubes viajaram pela Europa para conhecer os funcionamentos da Bundesliga, LaLiga e Premier League. Em abril, a CBF organizou um encontro no Rio de Janeiro para debater a criação de uma liga unificada. No mês passado, nova reunião foi realizada.

Agora, durante a Copa do Mundo, dirigentes de clubes estiveram reunidos em Orlando (EUA) e conheceram a esturutra da Major League Soccer (MLS) e outras ligas esportivas norte-americanas.