O futebol brasileiro registrou queda no número de partidas suspeitas de manipulação ao longo de 2024, ano em que o país avançou na regulamentação do setor de apostas esportivas, com a publicação das portarias que estabelecem regras para o funcionamento desse mercado a partir de 1º de janeiro de 2025.
Relatório divulgado nesta quinta-feira (9), pela Sportradar Integrity Services, unidade da empresa suíça Sportradar, mostra que, no ano passado, foram identificadas 57 partidas suspeitas, 53 a menos que o verificado em 2023.
Desse total de partidas suspeitas de fraudes, quatro ocorreram em competições organizadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o que equivale a 0,18% do total de partidas realizadas pela entidade em 2024. A média global registrada no ano foi de 0,43%.
De acordo com o relatório da Sportradar, o Brasil deixou a liderança do ranking dos países com maior número de partidas suspeitas de manipulação. O estudo, porém, não indica quem seria o novo país a ocupar o topo da lista.
A Máquina do Esporte entrou em contato com a empresa e obteve a informação de que ela não mais divulgará o ranking por países, e sim por continentes.
O estudo da Sportradar mostra que a Europa lidera a lista dos locais com maior quantidade de atividades suspeitas, com 439 registros. Em seguida vem a Ásia, com 310, e depois a América do Sul, com 245. A África teve 69 casos, ao passo que na América do Norte foram identificados 43, enquanto na Oceania houve apenas dois.
Futebol é o principal alvo da manipulação
Entre os esportes analisados, o futebol foi o que mais contou com atividades suspeitas em 2024, com 721 casos no total (contra 881 no ano anterior). Em seguida vêm o basquete, com 187, e o tênis, com 69.
A empresa monitorou mais de 850 mil partidas em 70 modalidades esportivas ao redor do mundo, no decorrer de 2024, identificando 1.108 partidas suspeitas, o que representa uma redução de 17% em comparação a 2023.
Na Europa, a queda no total de casos suspeitos foi de 34%, enquanto na África a redução foi de 36%. Já no Brasil ela chegou a 48%. Apesar dessa diminuição, a Sportradar diz considerar que “a manipulação de resultados continua sendo um desafio persistente globalmente”.
“Embora a redução significativa de partidas suspeitas em 2024 nos dê motivos para otimismo, ela também destaca a necessidade de vigilância contínua e inovação, já que o número ainda é expressivo”, afirma Andreas Krannich, vice-presidente executivo de integridade, proteção de direitos e serviços regulatórios da Sportradar.
Para monitorar competições e identificar padrões irregulares de apostas, a Sportradar utiliza tecnologia de análise de dados e inteligência artificial (IA) por meio do Universal Fraud Detection System (UFDS).
A IA é responsável por detectar atividades incomuns, como grandes apostas em resultados improváveis. O serviço conta ainda com uma equipe de especialistas, que fazem a confirmação de casos de manipulação e encaminham o material para investigações pelas autoridades.
“Nossos investimentos em inovação, aliados à análise de dados do mercado de apostas e às iniciativas de educação sobre integridade, estão na linha de frente no enfrentamento dos desafios crescentes da integridade esportiva global. Continuaremos aprimorando nossas tecnologias e trabalhando em conjunto com as indústrias esportiva e de apostas para promover o jogo limpo e proteger a integridade do esporte em todo o mundo”, diz Krannich.