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Com SAF, Santa Cruz projeta uma das maiores folhas salariais da Série C 2026 e sonha com acesso

Futebol do clube pernambucano deverá receber investimentos de até R$ 1 bilhão ao longo dos próximos 15 anos

Presidente do Santa Cruz, Bruno Rodrigues (à esq.), e Iran Barbosa, investidor da SAF do clube - Rodrigo Ferrari / Máquina do Esporte

Após enfrentar uma série de problemas financeiros, apelar à recuperação judicial e chegar a ficar sem divisão nacional, o Santa Cruz avança em seu projeto de reconstrução.

O clube, que é um dos mais populares e tradicionais de Pernambuco, foi mais um a aderir ao modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

Neste ano, o Tricolor do Arruda alcançou o vice-campeonato da Série D do Brasileirão, conquistando o acesso à Série C.

Embalado pelos investimentos da SAF, o time sonha grande. Durante participação no debate “Futebol Pernambucano em Destaque”, realizado nesta quarta-feira (3), na Confut Nordeste, no Recife (PE), o presidente do Santa Cruz, Bruno Rodrigues, afirmou que a meta da equipe para a temporada 2026 é a conquista do acesso à Série B.

“Também existe algo que é muito caro ao nosso torcedor, que é o Campeonato Pernambucano. Vamos com força total em busca do título”, disse o dirigente.

Para a próxima temporada, Rodrigues projeta uma folha salarial que pode chegar a R$ 2,5 milhões mensais. Para se ter uma ideia, esse valor a ser implantado pelo Santa Cruz é o mesmo que será adotado pelo rival Náutico, que disputará a Série B em 2026.

“Contaremos com uma das maiores folhas salariais da Série C. Tenho certeza de que vamos brigar pelo acesso”, avaliou o mandatário.

SAF

A SAF do Santa Cruz está em vias de ter 90% de seu capital vendido à Cobra Coral Participações S.A, liderada por três sócios (pessoas físicas), entre eles Iran Barbosa, que também esteve presente na Confut Nordeste.

Em entrevista à Máquina do Esporte, Bruno Rodrigues explicou que o negócio já obteve aprovações no Conselho Deliberativo (96% dos votos) e na Assembleia Geral de Sócios (99% de apoio).

Agora, a proposta será apresentada ao juiz responsável pela recuperação judicial e submetida aos credores do clube.

Segundo o presidente, as dívidas do Santa Cruz, hoje, totalizam cerca de R$ 250 milhões, incluindo débitos tributários e trabalhistas.

A proposta da Cobra Coral Participações S.A prevê investimentos de até R$ 1 bilhão ao longo de 15 anos e contempla o pagamento dessas dívidas.

“Foi uma proposta excelente, uma das melhores do futebol brasileiro, ainda mais se considerarmos que o Santa Cruz estava sem divisão nacional, quando ela surgiu”, afirmou Rodrigues.

De acordo com Iran Barbosa, além dos investimentos nas equipes de futebol (não só masculino, mas também feminino e categorias de base) e dos recursos que serão destinados para saldar os débitos do clube, a Cobra Coral também assumiu o compromisso de revitalizar o patrimônio do Santa Cruz, caso, por exemplo, do Estádio do Arruda, que deverá passar por uma reforma avaliada em R$ 10 milhões, já no primeiro ano de vigência do contrato.

Na visão de Rodrigues e de Barbosa, as cláusulas existentes no acordo garantirão que os investimentos previstos saiam do papel.

“O contrato tem amarras muito claras. O clube associativo terá o direito de retomar a SAF por R$ 1, caso os investimentos não ocorram”, garantiu Barbosa.