Empresas de apostas lançam terceira entidade em 8 dias para representar segmento no Brasil

André Gelfi, presidente do Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR) - Divulgação

Os indícios de que o governo federal está próximo de regulamentar o mercado de apostas de cota fixa no Brasil deram o impulso para que as empresas do setor resolvessem lançar suas entidades de representação de classe.

Nesta quarta-feira (15), foi anunciado o lançamento do Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR). É a terceira entidade criada nos últimos oito dias para representar o setor de apostas.

“A missão do IBJR engloba dialogar com todos os setores da sociedade que queiram conhecer mais sobre a indústria e entender como ela pode se integrar de forma harmônica à economia brasileira, assim como aconteceu em outros países”, afirmou André Gelfi, presidente do instituto.

“Queremos auxiliar na construção de um ambiente regulatório seguro para os clientes, colaborativo e financiador do setor público, além de sustentável para as empresas operadoras”, acrescentou o executivo, que também é gerente de parcerias no Brasil da Betsson, patrocinadora do Athletico-PR na Série A do Brasileirão.

Abradie e INJL

Na quarta-feira da semana passada (8), foi divulgado o nascimento da Associação Brasileira de Defesa da Integridade do Esporte (Abradie). Genius SportsEntainRei do PitacoBichara e Motta Advogados e Maia Yoshiyasu Advogados foram os signatários da nova entidade.

Desses, apenas a Entain é do ramo de apostas. O conglomerado é dono de marcas importantes, como Bwin Sportingbet, populares no Brasil, e Ladbrokes, que não atua por aqui. Segundo os responsáveis pela Abradie, outros sites de apostas devem aderir à associação em breve.

Além disso, nesta quarta-feira à noite (15), também haverá o evento de lançamento da Associação Brasileira de Jogos e Loterias (ANJL). À frente do empreendimento está André Feldman, que é representante no Brasil da rede de cassinos Caesars Entertainment, que hoje não atua no país, mas tem interesse de entrar assim que a regulamentação for lançada pelo governo federal.

A vice-presidência da ANJL é ocupada por Alexandre Fonseca, que também é gerente nacional da Betano no Brasil. A empresa grega de apostas é uma das principais investidoras do segmento no país, sendo patrocinadora máster de Atlético-MG e Fluminense.

Nova entidade

Por fim, há o IBJR, que conta com a adesão de empresas como Bet365, Betway, KTO, Entain, NetBet, Flutter, Rei do Pitaco e Yolo Group, que opera marcas como Sportsbet.io, patrocinadora máster do São Paulo, e BitCasino.

A nova entidade tem como alguns de seus objetivos realizar campanhas educativas e combater problemas relacionados ao setor.

“A questão da responsabilidade aparece junto ao nome do IBJR justamente por esta ser a mola mestra para todos os atores envolvidos nos mercados que tiveram uma regulação bem-sucedida”, disse Gelfi.

“Nesses locais, as apostas esportivas são vistas como uma fonte de entretenimento que auxiliam na preservação da integridade do esporte. E é claro que os aspectos sensíveis do setor, como jogo compulsivo e lavagem de dinheiro, precisam, sim, ser abordados de maneira contundente e, lógico, responsável”, completou.

Divisão

A fragmentação das empresas de apostas já é vista como problemática por integrantes dessas entidades.

“Se você tiver uma voz falando em nome de todos, é muito mais conveniente. Embora acredite que o propósito delas seja o mesmo. Ou seja, lutar pelo jogo responsável, pela correta tributação, pela exclusão [do ambiente de apostas] de pessoas com problema de ludopatia ou menores de idade. Temos esse tipo de preocupação. Isso, acredito que todas pensem igual”, afirmou Wesley Cardia, CEO da INJL.

“Quanto mais correto forem os operadores, melhor para o mercado. Isso é o que a gente está buscando”, acrescentou.

Udo Seckelmann, head do departamento de Web3 & gaming do escritório Bichara e Motta, integrante da Abradie, não comentou se acha ruim a divisão. Mas destacou que vê a função das três entidades como semelhantes.

“No final do dia, todas essas associações vão lutar pelos mesmos objetivos de adotar as melhores práticas internacionais no Brasil”, resumiu o advogado.

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