Após a péssima repercussão alcançada nas redes sociais pela nota “O Fim do Futebol Brasileiro”, divulgada por grandes clubes da Série A do Brasileirão e entidades como Ferj e FPF em reação à notícia de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja editar uma Medida Provisória (MP) com fortes restrições ao mercado de bets no país, as equipes optaram por se recolher ao silêncio, mesmo temendo perder o patrocínio milionário dos sites de apostas.
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Time de maior torcida do Brasil, o Flamengo resolveu continuar a mexer no vespeiro, reafirmando que é contra a proibição das bets regulamentadas.
Em nota publicada em seu site oficial, o clube defendeu que o governo combata as plataformas que operam irregularmente no país.
“O Brasil decidiu regular as apostas. Houve um amplo processo de discussão, seguido pela deliberação e aprovação do Congresso Nacional, e a regulamentação estabeleceu regras para a operação das empresas, mecanismos de fiscalização e medidas de proteção aos consumidores. Desde então, clubes e demais agentes do futebol fizeram investimentos e assumiram compromissos considerando o ambiente regulatório criado pelo próprio Estado”, afirma o texto.
Na avaliação, do clube, a eventual proibição acarretaria não apenas na perda de receitas futuras, mas impactaria também os contratos de patrocínio já firmados, muitos deles de longo prazo, além de compromissos financeiros e decisões de investimento e contratação de atletas assumidos com base no ambiente regulatório atualmente estabelecido no país.
“Uma mudança dessa natureza colocaria em risco compromissos já assumidos e poderia provocar um forte desequilíbrio financeiro nos clubes, com impacto direto sobre a sustentabilidade do futebol brasileiro”, argumenta.
A nota do Flamengo busca ainda falar em nome de todo o futebol brasileiro, ao afirmar que o segmento entende como inadequado o fato de o governo supostamente quer substituir o enfrentamento da ilegalidade pela restrição abrupta de um mercado que foi legalizado, regulado e tributado pelo próprio poder público.
“O mercado clandestino não oferece as mesmas garantias de fiscalização, transparência e proteção previstas no ambiente regulado. Por isso, o caminho deve ser fortalecer a fiscalização, aperfeiçoar os mecanismos de proteção e impedir a atuação de operadores ilegais, preservando a segurança jurídica de quem atua dentro das regras estabelecidas”, justifica.
Por fim, na visão do Flamengo seria possível coexistir um ambiente com o jogo legalizado, operando dentro de regras, e a proteção à população contra situações como endividamento e dependência em apostas.
“A proteção à saúde e ao bem-estar da população deve ser tratada com seriedade, com políticas públicas baseadas em evidências e capazes de enfrentar os diferentes fatores que afetam a saúde financeira, emocional e social das famílias brasileiras. Essa proteção, no entanto, não deve ser confundida com a simples substituição de um mercado regulado por um ambiente clandestino, sobre o qual o Estado tem menos instrumentos de fiscalização e controle”, alega o Flamengo.
Discurso não comove
Na última sexta-feira (18), o Portal 91, especializado em estatísticas e sentimento das torcidas nas redes, publicou um post no X afirmando que o discurso dos clubes em defesa das bets enfrentou forte resistência nas redes.
A página analisou 90.123 interações no X e no Instagram, em discussões sobre o posicionamento de clubes diante de possíveis novas restrições às bets.
De acordo com o post, em 31.761 delas foi possível identificar uma posição clara dos usuários a respeito do discurso adotado pelos clubes.
Em 88% dos casos, os comentaristas criticaram a postura dos times, enquanto 6,9% optaram por uma posição intermediária e 5,1% manifestaram apoio ao manifesto em favor das apostas.
Segundo o Portal 91, 19,6% das respostas ao texto fizeram menção à dependência financeira ou ao interesse econômico dos clubes.
Outros 13,5% referiram-se aos impactos sociais das apostas, como vício, endividamento e efeitos sobre famílias.
Por fim, 10,5% argumentaram que o futebol brasileiro existia antes da expansão das bets. “A própria expressão ‘fim do futebol brasileiro’, utilizada para dimensionar os possíveis impactos econômicos das restrições, passou a ser apropriada de forma irônica nas redes”, diz o Portal 91.
Apesar de haver sido noticiada na semana passada, em meio a uma série de medidas tomadas por Lula na busca pela reeleição presidencial, ainda não há uma data prevista para a norma ser publicada.
Por ora, não se sabe sequer qual seria o alcance das restrições – ou seja, se elas atingiriam jogos de cassino on-line como Tigrinho e Aviãozinho, ou se seriam mais abrangentes a ponto de barrar até mesmo as apostas esportivas.
Existe a expectativa, inclusive, de que a MP possa ser publicada após o primeiro turno da eleição presidencial.
