A temporada 2026 tem se mostrado como a mais desafiadora para o Fortaleza nas últimas décadas. Desde 2019, quando retornou à Série A do Brasileirão, engatando boas campanhas e chegando a disputar competições internacionais, o clube vinha em uma trajetória ascendente, acumulando resultados sólidos dentro e fora de campo, incluindo contratos milionários de patrocínio.
A queda para a Série B (ocorrida no ano passado), porém, não apenas interrompeu esse momento de euforia, como também deixou o clube exposto a uma série de dificuldades.
O CEO do Fortaleza, Pedro Martins, conversou com a Máquina do Esporte a respeito do momento atual da equipe, que é a vice-líder da segunda divisão, com 10 pontos, um a menos que o Vila Nova, primeiro colocado.
“É um trabalho complexo”, disse Martins, ao ser perguntado sobre a missão de equilibrar as finanças do clube, em meio a um cenário de queda nas receitas, que motivou, entre outras coisas, a suspensão das atividades do departamento de futebol feminino do tricolor cearense.
“Com a queda para a Série B, o clube teve uma queda de mais de 60% em suas receitas. Era um clube que estava com uma estrutura habituada à Série A. Então, tivemos de fazer mudanças estruturais importantes para nos adequar a uma nova realidade”, afirmou o CEO.
De acordo com ele, os desafios trazidos pela perda de faturamento “não serão resolvidos do dia para a noite”. Por outro lado, o executivo acredita que o Fortaleza tem conseguido se adequar à situação.
“Hoje, nós temos mais previsibilidade em relação aos problemas que iremos enfrentar”, ponderou Martins, que considera que esse processo de adaptação poderá durar o ano todo.
SAF
Na opinião do CEO, o período atual, em que os cofres do clube tendem a estar mais vazios, pode ser encarado como uma oportunidade para que o Fortaleza se reinvente.
“O Fortaleza é uma potência. Tem uma grande torcida apoiando e dando suporte para o clube neste momento. Com isso, acreditamos que nossas possibilidades de receitas podem ser potencializadas”, afirmou.
Em 2023, o clube aprovou a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Diferentemente de outras equipes, porém, o capital permanece sob controle da associação.
Segundo o executivo, o debate sobre a eventual entrada de um investidor na SAF é tratado internamente com muita tranquilidade.
“Se o clube, no momento certo, perante seu Conselho Deliberativo e todas as pessoas que fazem parte desse processo decisório, entender que deva ter um investidor, que seja a pessoa certa, no momento adequado e com uma visão muito alinhada com o que o Fortaleza quer para seu futuro”, enfatizou.
Na avaliação de Martins, o foco do clube será estruturar movimentos de curto, médio e longo prazo, pensando em tornar o Fortaleza sustentável.
“Sabemos que o Fortaleza precisa ser um clube formador, com uma ideia muito clara do que quer no futebol. E tudo isso pode ser compartilhado com um possível investidor”, concluiu.
