Pular para o conteúdo

Justiça acata pedido de recuperação judicial do Botafogo após crise com Eagle Football

Medida ocorre após Eduardo Iglesias assumir diretoria-geral da SAF e balanço financeiro apontar passivo de R$ 2 bilhões

O zagueiro Bastos tenta superar rival da Chapecoense em jogo da Copa do Brasil - Vitor Silva/Botafogo.

Zagueiro Bastos tenta superar rival da Chapecoense em jogo válido pela Copa do Brasil - Vítor Silva / Botafogo

⚡ Máquina Fast
  • Botafogo pede recuperação judicial para reorganizar finanças e evitar sanções esportivas.
  • SAF do Botafogo passa por troca na liderança com Eduardo Iglesias assumindo como diretor-geral.
  • Clube registra prejuízo de R$ 290,8 milhões em 2025 e passivo consolidado de R$ 2,01 bilhões.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro acatou, nesta quinta-feira (14), o pedido de recuperação judicial feito pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo como forma de reorganizar as finanças do clube e proteger suas atividades cotidianas.

A decisão foi motivada por restrições de caixa, bloqueios judiciais e o risco de sanções esportivas, como os transfer bans impostos pela Fifa.

O clube informou que a tutela cautelar obtida anteriormente não gerava os efeitos jurídicos necessários junto à Federação Internacional de Futebol, tornando o pedido de recuperação judicial indispensável para a manutenção da competitividade da equipe, eliminada no mesmo dia pela Chapecoense na 5ª fase da Copa do Brasil.

De acordo com o comunicado oficial da SAF, o clube enfrentou um processo de descapitalização sob o controle do Grupo Eagle Football. A nota aponta que mais de R$ 900 milhões deixaram de retornar ao Botafogo, enquanto outras equipes do grupo receberam aportes significativos, incluindo cerca de US$ 90 milhões destinados ao Lyon, da França.

A diretoria da SAF afirmou que os salários de atletas, comissão técnica e funcionários, além dos contratos com fornecedores essenciais, continuarão sendo honrados regularmente durante o processo.

Gestão

No mesmo dia do pedido judicial, a SAF do Botafogo passou por mudanças em sua liderança corporativa. O economista Eduardo Iglesias assumiu o cargo de diretor-geral em substituição a Durcesio Mello, que exercia a função de forma interina. A troca foi definida em uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) digital, na qual Mello, ex-presidente do clube associativo, optou por renunciar ao cargo.

A reunião ocorreu sem o voto da Eagle Football, que teve seus direitos políticos suspensos por decisão judicial no dia 28 de abril, deixando as deliberações sob o controle do Botafogo Futebol e Regatas, detentor de 10% do capital social da empresa.

Iglesias, de 31 anos, tem histórico na estruturação financeira da SAF e atuou na recuperação extrajudicial da instituição em 2023. Ao assumir o cargo, o executivo declarou o que pensa:

“Estou convicto de que, com dedicação, união e muito comprometimento de todos, conseguiremos recolocar o clube no caminho glorioso e sólido que vinha sendo construído dentro e fora de campo”, destacou.

Finanças

O cenário político e jurídico se intensificou após o afastamento de John Textor da administração da SAF pelo Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O empresário norte-americano enfrentava questionamentos de sócios devido à gestão de caixa único entre os clubes de sua rede. No balanço financeiro divulgado recentemente, Textor comentou sobre o modelo de negócio:

“O modelo de colaboração multiclubes, que nos ajudou a atingir a melhor temporada dos nossos 120 anos de história, e com sucesso similar para nossos clubes parceiros, se provou extremamente frágil, criando desafios significativos à medida que buscamos manter nossa relevância global”, admitiu.

A crise financeira se reflete nos resultados contábeis de 2025 divulgados pela SAF. Apesar de registrar um faturamento bruto de R$ 1,4 bilhão e um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) de R$ 604 milhões, impulsionados por R$ 733 milhões obtidos com venda de atletas, o clube encerrou o período com prejuízo líquido de R$ 290,8 milhões.

O passivo consolidado totalizou R$ 2,01 bilhões, apresentando um aumento de 29,35% em relação ao ano anterior, enquanto o capital circulante líquido ficou negativo em R$ 952 milhões, e o passivo a descoberto atingiu R$ 431,9 milhões.