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Lula sobe o tom contra apostas, enquanto bets apelam ao argumento de recorde na arrecadação

Presidente, que disputa reeleição, criticou dependência dos clubes em relação ao setor, que já recolheu R$ 10 bilhões em tributos neste ano

Lula assina texto durante solenidade realizada em Brasília (DF) - Ricardo Stuckert / Presidência da República

⚡ Máquina Fast
  • Presidente Lula planeja editar MP com restrições ao mercado de apostas, afetando patrocínios no futebol.
  • Apoio contra as apostas cresce entre eleitorado feminino e evangélico, isolando clubes e casas de aposta.
  • Tributação do setor de apostas cresce 69,25% em 2026, arrecadando quase R$ 10 bilhões até agosto.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Conforme a Máquina do Esporte já vinha adiantando há meses, o tema apostas se converteu em um dos principais assuntos da campanha eleitoral de 2026.

A pauta ganhou força na semana passada, após ser divulgada a notícia de que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pretende editar uma Medida Provisória (MP) com fortes restrições a esse mercado.

Por enquanto, não há data definida para isso ocorrer, assim como não está claro qual será a abrangência da regra – ou seja, se a proibição afetaria apenas modalidades de cassino on-line como Tigrinho e Aviãozinho ou se ela alcançaria as bets de um modo geral.

LEI MAIS: Mercado de apostas corre risco de cair na ilegalidade no Brasil às vésperas da eleição

Enquanto essa situação não se define e embalado por um movimento de ligeira recuperação nas pesquisas eleitorais (especialmente entre o eleitorado feminino, para o qual o tema apostas tende a ser mais sensível), Lula tem subido o tom contra as bets em sua campanha.

Durante ato realizado no Rio de Janeiro (RJ), nesta quarta-feira (23), o presidente afirmou que terá “o maior prazer em acabar com as bets”.

Questionado a respeito da pressão feita por clubes da Série A do Brasileirão, que saíram em defesa do setor de apostas (pelo fato de boa parte deles, assim como da maioria dos campeonatos, serem patrocinados por bets), Lula sugeriu que os times deverão buscar novas fontes de receitas.

Na sexta-feira (18), ao participar de um comício em Guarulhos (SP), o candidato ironizou a nota intitulada “O Fim do Futebol Brasileiro”, divulgada por entidades como Ferj e FPF em colaboração com grandes clubes da Série A do Brasileirão.

Ele lembrou que equipes como São Paulo, Santos, Grêmio, Internacional, Flamengo e Corinthians foram campeões mundiais, sem contarem com patrocínio de casas de apostas.

Lula ainda citou os títulos conquistados pela seleção brasileira na Copa do Mundo, nos anos de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Ele lembrou que, desde que o mercado de bets passou a operar no país, o time verde e amarelo não venceu o Mundial.

Opositores evitam confronto sobre tema

Numa disputa extremamente polarizada, em que os presidenciáveis pisam em ovos para não desagradar o eleitorado conservador, Lula acabou por encontrar uma verdadeira avenida livre de engarrafamento para impor sua pauta eleitoral.

Ao mesmo tempo em que ele critica as bets, seus opositores (inclusive o principal deles, Flávio Bolsonaro, do PL) optam por não o confrontarem nesse campo.

Colocar-se contra a agenda hoje defendida pelo petista poderia ocasionar desgaste junto aos eleitores evangélicos e às mulheres.

Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira mostra que 75% dos brasileiros defendem a proibição total das plataformas de apostas on-line. Apenas 17% das pessoas são contra a o banimento.

O levantamento também constatou que 79% do eleitorado defende restrições severas à propaganda e à publicidade das bets nos meios de comunicação tradicionais e nas redes sociais.

Nesse cenário, os clubes de futebol e as próprias casas de apostas ficaram isoladas na defesa do setor.

O argumento utilizado tem sido o do apoio ao setor regulamentado, que teria condições de adotar medidas concretas para evitar problemas como a dependência em jogo e o endividamento das famílias.

Nesta semana, o Flamengo publicou nota cobrando o combate às plataformas ilegais, que seguem atuando no Brasil.

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Arrecadação recorde

O setor tem procurado adotar essa linha de discurso (de que o verdadeiro inimigo é o mercado não licenciado) e ressaltar os ganhos de arrecadação proporcionados pela atividade regulada.

Entre janeiro e agosto de 2026, a Receita Federal arrecadou R$ 9,91 bilhões com a tributação do mercado de jogos e apostas, o que engloba desde as plataformas eletrônicas até as tradicionais loterias da Caixa.

O montante representa um crescimento 69,25% na comparação com o mesmo período de 2025, quando o recolhimento somou R$ 5,857 bilhões.

O acumulado nos primeiros oito meses deste ano já é praticamente equivalente a tudo o que o setor arrecadou em tributos ao longo em todo o ano de 2025 (R$ 9,95 bilhões).

“Qualquer discussão sobre ajustes regulatórios é legítima e necessária. No entanto, uma eventual proibição da atividade licenciada não eliminaria a demanda existente por apostas. O risco é justamente o contrário: estimular a migração de usuários para plataformas ilegais, sem supervisão estatal, sem pagamento de impostos e sem qualquer compromisso com regras de proteção ao apostador”, explica João Vitor Villas Boas, diretor-executivo das marcas SorteNaBet e Betou.

“A experiência internacional demonstra que mercados regulados oferecem mais ferramentas para proteger a sociedade do que ambientes proibitivos, que acabam empurrando a atividade para fora do alcance das autoridades”, prossegue.

A estimativa é que, até o fim deste ano, os valores a serem recolhidos pelas bets fiquem entre R$ 14,4 bilhões e R$ 15,2 bilhões.

“Os números da Receita Federal confirmam o que defendemos há anos: a regulamentação das bets foi um acerto histórico. Com esses valores, o Brasil se consolida como um mercado robusto, apesar de ainda estar em fase de amadurecimento. Hoje, além de trazer retornos diretos para o país em termos de impostos, nosso setor também está cada vez mais profissional, evoluindo com investimentos em tecnologia, pessoas, compliance e responsabilidade social”, afirma Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Gaming, holding que gere a marca 7K Bet.

Os valores recolhidos entram nos cofres públicos por meio de tributos federais obrigatórios, como o IRPJ, CSLL e PIS/Cofins. Segundo as diretrizes econômicas, esses recursos são destinados ao financiamento de políticas públicas essenciais para a sociedade em diversas áreas de atuação.

No comício de Guarulhos, Lula chegou a comentar sobre os tributos recolhidos pelas bets, mas disse que estaria disposto a abrir mão dessa fonte de arrecadação.

“A gente pode perder o imposto. O que eu não posso perder é a vida dos pobres jogando”, declarou o candidato.