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Como LIV Golf usa IA, personalização e bilhões sauditas para reinventar transmissões esportivas

Apoiada pelo PIF, liga usa tecnologia e gamificação para atrair a Geração Z e desafiar o modelo tradicional do esporte

Gráficos em tempo real na transmissão da LIV Golf - Reprodução

⚡ Máquina Fast
  • LIV Golf revolucionou a transmissão esportiva ao permitir que fãs escolham entre múltiplas telas, personalizando a experiência conforme o interesse.
  • A tecnologia de realidade aumentada da LIV Golf educa o público sobre o esporte, facilitando o entendimento tático e aumentando o engajamento.
  • Apesar do investimento bilionário do fundo saudita, a LIV Golf enfrenta perdas financeiras significativas e pressiona o PGA Tour a acelerar sua inovação tecnológica.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Desde a sua fundação em 2022, a LIV Golf assumiu um papel que vai além da rivalidade de calendário com o tradicional PGA Tour. Sustentada pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), a liga vem tentando se posicionar como o maior laboratório de mídia e tecnologia do esporte contemporâneo. A estratégia central passa por transformar a experiência do fã em um modelo interativo, buscando descentralizar um produto que foca diretamente no comportamento da Geração Z.

Por trás das inovações de tela, que já foram premiadas, porém, existe uma operação financeira complexa. Analisar a LIV Golf (entenda melhor como funciona no vídeo abaixo), hoje, exige olhar para o avanço tecnológico na retenção de atenção, além do desafio bilionário da sustentabilidade financeira.

A descentralização da transmissão (a regra dos 12 minutos)

O modelo tradicional de transmissão linear (em que a TV decide qual buraco o fã assistirá) caducou para os novos públicos. A LIV Golf atacou esse problema com o recurso “Any Shot, Any Time” no seu aplicativo que permite ao espectador escolher entre 18 transmissões simultâneas, montando a sua própria narrativa ao seguir apenas golfistas específicos ou equipes de seu interesse.

Essa mudança de formato responde ao comportamento da era da segunda tela, já que dados internos da liga apontam que jovens de 16 a 21 anos consomem conteúdo com a atenção dividida em incrementos curtos de 12 minutos. A personalização também facilita a entrada em mercados globais específicos; o público sul-coreano, por exemplo, pode isolar a transmissão para acompanhar seus ídolos locais, o que otimiza o engajamento regional de forma cirúrgica.

Realidade aumentada como “alfabetização esportiva”

Para reter audiências não tradicionais, a liga precisa educar o público casual sobre a complexidade técnica do esporte. A ferramenta “LIV Line” resolve esse atrito ao projetar digitalmente a trajetória da bola nos campos de jogo. Semelhante à linha virtual de “First Down” popularizada na NFL, o recurso permite que o fã “leia” a inclinação do terreno antes da batida. A tecnologia passa a atuar como uma ferramenta de alfabetização tática, tornando o espectador mais engajado na tomada de decisão do atleta.

“Gamificiação” da transmissão LIV Golf (Reprodução)

O “burn rate” da inovação

Enquanto o produto digital avança, os bastidores corporativos enfrentam problemas no “mundo real”. O principal motor dessa estratégia foi o investimento agressivo para atrair os maiores nomes do esporte, oferecendo premiações que ofuscaram o circuito tradicional. Com etapas distribuindo US$ 25 milhões e contratos de adesão que chegaram a centenas de milhões de dólares para atletas específicos, a liga forçou uma migração de talentos sem precedentes no setor.

Mesmo com investimentos do PIF ultrapassando a marca de US$ 5,3 bilhões, a operação vem lidando com perdas financeiras significativas estimadas em US$ 1,4 bilhão, segundo o The Athletic.

O movimento também forçou a concorrência a evoluir, o que gera elementos extras às disputas. O PGA Tour acelerou parcerias tecnológicas, integrando inteligência artificial (IA) para gerar vídeos de melhores momentos em tempo real e abraçando a “creator economy” para distribuir cortes curtos de seus torneios, neutralizando parte da vantagem digital da LIV Golf.

A Engrenagem: O que o mercado pode aprender?

A operação da LIV Golf ilustra o conceito de “burn rate” (“taxa de queima de caixa”, em tradução livre) na aquisição de market share (cota de mercado). Ter o capital de apoio do Fundo Saudita permite que a organização teste o futuro das transmissões esportivas na prática, implementando drones, IA e gamificação sem o medo do fracasso logo de cara.

O dinheiro que parecia infinito, porém, se tornou bem finito nas últimas semanas, gerando problemas estruturais profundos. E é exatamente esse choque de realidade comercial que será analisado na próxima edição da Engrenagem da Máquina.

O conteúdo desta publicação foi retirado da newsletter semanal Engrenagem da Máquina, da Máquina do Esporte, feita para profissionais do mercado, marcas e agências. Para receber mais análises deste tipo, além de casos do mercado, indicações de eventos, empregos e mais, inscreva-se gratuitamente por meio deste link. A Engrenagem conta com uma nova edição todas as quintas-feiras, às 9h09.