O futuro da LIV Golf pode estar ameaçado pela reorganização dos investimentos do PIF, Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita. Tendo o órgão como principal financiador, a continuidade da competição de golfe tem sido colocada em xeque após resultados não tão atrativos.
O assunto voltou à tona quando o diretor executivo da LIV Golf, Scott O’Neil, comunicou internamente que a temporada de 2026 do circuito prosseguirá conforme o cronograma estabelecido, negando os rumores sobre um possível encerramento imediato das atividades.
Desde o início das operações em 2021, o circuito atraiu nomes de peso do golfe, mas tem enfrentado dificuldades para equilibrar sua operação financeira sem atrair o interesse que se esperava do público amante do esporte.
De acordo com a SportsPro Media, o fundo soberano saudita já aportou cerca de US$ 5,3 bilhões no torneio, com injeções mensais na casa dos US$ 100 milhões. Ainda assim, os balanços mais recentes da o torneio britânico da LIV Golf registrou déficit de US$ 461,8 milhões em 2024, com perdas superiores a US$ 1,1 bilhão.
O modelo de transmissão também apresenta gargalos, com as receitas de direitos internacionais somando US$ 2,7 milhões e a audiência na emissora norte-americana Fox registrando média de 338 mil espectadores.
Comercial
Apesar dos questionamentos, comercialmente a LIV Golf chegou a ter um desempenho mais consistente. A organização acumulou US$ 500 milhões em contratos de patrocínio com marcas como Rolex, Salesforce e Qualcomm.
A atual temporada projeta um incremento de US$ 100 milhões nas receitas, impulsionado por um aumento de 129% na venda de ingressos na comparação com o ano anterior.
Plano de negócios
A incerteza sobre a continuidade da LIV Golf está atrelada ao novo plano de negócios do PIF para o ciclo de 2026 a 2030. A instituição, que gere aproximadamente US$ 1 trilhão em ativos, decidiu readequar suas prioridades financeiras.
O governador do fundo, Yasir Al-Rumayyan, confirmou que o direcionamento passará a focar na economia doméstica, reduzindo a meta de alocação internacional de 30% para a faixa de 20%. Nesse novo cenário, as propriedades esportivas internacionais deixaram de figurar entre as áreas de desenvolvimento prioritárias.
O Reino não deve renovar o acordo para receber as finais da WTA e encerrou a parceria para ser sede das finais Next Gen da ATP. No futebol, iniciou a privatização de equipes da Liga Profissional Saudita. O movimento mais recente foi a venda de 70% das operações do Al-Hilal.
O principal foco esportivo e governamental do país passa a ser a preparação de infraestrutura e turismo para sediar a Copa do Mundo de 2034.
Caso suspenda o financiamento ao golfe, o futuro da LIV exigirá a entrada de um novo investidor com capacidade para assumir os custos. Sem o aporte, a tendência é que os golfistas voltem ao PGA Tour ou ao DP World Tour.
