Maquinistas: Pedro Dau de Mesquita, da 213 Sports, explica razões do sucesso do SLS Super Crown

Pedro Dau de Mesquita é co-CEO e diretor comercial da 213 Sports - Reprodução / YouTube (@maquinadoesporte)

Quando o assunto é esporte, é comum que as pessoas imediatamente associem o Brasil ao futebol. Nos últimos dias, no entanto, nosso país bem que poderia ser apelidado de “pátria sobre o skate“, tamanha foi a repercussão alcançada pela etapa do SLS Super Crown World Championship, a Liga Mundial de Skate Street, realizada em São Paulo (SP), nos últimos dias 2 e 3 de dezembro.

Os triunfos de Rayssa Leal, no feminino, e Giovanni Vianna, no masculino, levaram ao delírio não apenas as 15 mil pessoas que passaram pelo Ginásio do Ibirapuera nos dois dias de competição, como também milhões de pessoas ao redor do país, muitas das quais, mesmo não vivendo o skate no dia a dia, acabaram se deixando levar pela emoção provocada pelas vitórias dos jovens ídolos.

Na imprensa, as conquistas de Rayssa e Giovanni renderam fotos em capas de jornais de grande circulação, matérias de página inteira, sem contar a cobertura em canais de TV e a ampla repercussão nas redes sociais.

“O Brasil acordou sobre rodinhas”, resumiu Pedro Dau de Mesquita, sócio-fundador, co-CEO e diretor comercial da 213 Sports, agência de marketing esportivo criada em 2012 e que é sócia da Street League Skateboarding (SLS) no país, sendo responsável por promover a etapa brasileira da competição.

Entrevistado do podcast Maquinistas, da Máquina do Esporte, desta terça-feira (12), o executivo explicou as razões do sucesso do evento, especialmente com a forte conexão alcançada junto ao público da Geração Z.

“O formato da competição ajuda a dialogar com as gerações mais jovens, pois favorece a retenção de público. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e, em um piscar de olhos, já mudou tudo. São dois dias muito intensos”, avaliou.

Experiências

De acordo com Mesquita, as experiências oferecidas pelos patrocinadores do SLS Super Crown foram essenciais para que alcançassem uma maior conexão com o público.

“100% das marcas entenderam que precisam oferecer experiências associadas ao skate”, explicou.

Entre os patrocinadores do evento deste ano estiveram empresas que, à primeira vista, talvez não aparentem ter muita ligação com o mundo dessa modalidade esportiva, como BB Seguros, Tiger (cerveja do Grupo Heineken), Vivo e Baw Clothing (marca do Grupo Arezzo).

No caso da BB Seguros, que foi apresentadora da etapa do SLS Super Crown na capital paulista, Mesquita acredita que o patrocínio é parte de uma estratégia que busca renovar a base de clientes da empresa (pertencente ao Banco do Brasil) e torná-la mais jovem.

“Isso está claro. Tem toda uma passagem pela digitalização, para a carteira digital. O Banco do Brasil criou um ‘squad’ com vários perfis de skatistas, que representam a modalidade de Norte a Sul e não ficam restritos ao eixo Rio-São Paulo. Então, esse é o fio condutor para a marca atingir o público mais jovem. E também tem a questão de ser um banco que sempre apoiou o esporte olímpico, como é o caso do skate”, afirmou.

Repercussão

Durante a entrevista, Mesquita lembrou que a etapa brasileira da SLS contou com 180 cadastros de imprensa, incluindo de veículos de países como Japão e Reino Unido.

Nas redes sociais, o grande alcance dos conteúdos orgânicos produzidos pelo público em geral e por influenciadores digitais que compareceram ao Ginásio do Ibirapuera ajudaram a aumentar ainda mais a repercussão junto ao público.

Para se ter uma noção de como a competição caiu no gosto do país, o perfil da SLS no Instagram voltado para os brasileiros ultrapassou a marca de 10 mil seguidores em apenas três semanas.

A televisão é outro ponto que ajuda a ampliar a repercussão da competição.

“Estou na expectativa para ver os números (de audiência) da Globo“, disse o executivo.

No ano passado, de acordo com ele, a transmissão da etapa brasileira da SLS pela emissora na TV aberta contou com 12 milhões de espectadores por minuto.

Segundo Mesquita, o skate possui quatro ingredientes que formam a receita perfeita para um esporte ficar em evidência: ídolos nacionais, rivalidade, base residual da modalidade (praticada desde o fim dos anos 1960) e cobertura de massa pela mídia.

“Isso tudo é o que as grandes marcas buscam. Mas isso precisa estar associado a uma estratégia. A marca não pode ser um ‘peixe fora d’água’, ou será repelida”, salientou, referindo-se ao movimento crescente feito por empresas que, mesmo não sendo endêmicas da modalidade, buscam uma maior presença em eventos desse esporte.

De acordo com o executivo, o respeito pelas marcas endêmicas precisa ser parte essencial da estratégia das empresas que desejam investir nesse esporte.

“Inclusive porque o skate tem esse senso de proteção e coletividade. Se você chegar se colocando por cima, será rejeitado”, explicou.

Mesquita também lembrou que o bom desempenho dos competidores brasileiros nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, ajudou a impulsionar o interesse pelo skate no país, que passou de 27 milhões de fãs, em 2019, para 50 milhões, no ano passado.

Inclusão social

O executivo também salientou que a modalidade pode representar um mercado promissor para marcas que desejem se associar aos valores que o skate carrega, como inclusão social, diversidade cultural, fair play e empoderamento feminino.

O SLS Super Crown, por exemplo, levou ao Ibirapuera não apenas as provas de skate, mas também diversas ativações na área da cultura, incluindo batalha de rimas, shows musicais e apresentações de break dance.

A sustentabilidade e a responsabilidade social foram outros pontos destacados por Mesquita durante a entrevista. Ele explicou que em torno de 70% do material utilizado na construção das pistas de provas são reaproveitados.

Na edição do ano passado, realizada no Rio de Janeiro, os itens foram doados para a construção da pista na Caverna Sports, utilizada atualmente como local de treinamento da modalidade.

Já os materiais reaproveitados da etapa deste ano serão destinados para a instalação de uma pista em Santo André, cidade onde reside o campeão Giovanni Vianna. A obra será realizada em parceria com a prefeitura do município do ABC Paulista.

Com 11 anos no mercado e atuando hoje como vertical de esportes da V3A, a 213 Sports tem ainda em seu portfólio uma parceria com a World Surf League (WSL), a criação do World Trail Races (WTR), principal liga de esportes de montanha do Brasil, e ainda é sócia global da Triton World Series, liga esportiva de triatlo com sede em Lisboa (Portugal).

Assista abaixo à entrevista completa de Pedro Dau de Mesquita, veiculada no canal da Máquina do Esporte no YouTube:

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