A Raízen e o Grupo Pão de Açúcar (GPA), dois dos maiores conglomerados econômicos do Brasil, anunciaram, em um intervalo de dois dias, pedidos de recuperação extrajudicial para reestruturar suas obrigações financeiras. Apesar disso, ambas devem manter os investimentos atuais no esporte.
A Raízen, joint-venture entre Cosan e Shell, busca reorganizar débitos de aproximadamente R$ 65,1 bilhões. Já o GPA protocolou um plano que abrange cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas sem garantia. Ambas as empresas afirmam que os processos não afetam pagamentos a fornecedores, parceiros ou funcionários.
Raízen
No campo do marketing esportivo, a Raízen mantém investimentos no automobilismo por meio da marca Shell.
A companhia patrocina os pilotos Matheus Comparatto (Porsche Cup); Felipe Giaffone, Nic Giaffone e Jaidson Zini (Copa Truck); Galid Osman (Nascar Brasil); e Felipe Malinowski (Copa HB20).
Questionada sobre a continuidade desses investimentos, a empresa não respondeu. No entanto, a maioria desses apoios já havia sido anunciada no início do ano, dando a ideia de que a empresa tinha estudado a viabilidade financeira de se manter no automobilismo nacional.
Pão de Açúcar
O Grupo Pão de Açúcar também possui uma trajetória marcante ligada ao esporte. Atualmente, a companhia promove a Corrida Pão de Açúcar, em São Paulo (SP), evento que teve origem em 1990 como Maratona Pão de Açúcar de Revezamento e que chegou a contar com etapas em Brasília (DF), Fortaleza (CE) e Rio de Janeiro (RJ).
No futebol, o grupo já atuou na gestão direta de equipes com o Pão de Açúcar Esporte Clube (PAEC), um dos primeiros modelos de clube-empresa do Brasil, antes de sua venda e transformação no atual Audax.
Além do atletismo e do futebol, o GPA patrocinou a equipe brasileira de triatlo nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000 e chegou a promover provas de fast triatlo em Santos, também nos anos 2000. A marca também patrocinou equipes da Stock Car Pro Series no mesmo período.
Questionado sobre o impacto da reestruturação financeira nos projetos atuais, o Grupo Pão de Açúcar afirmou que manterá os investimentos esportivos.
“Conforme o Fato Relevante divulgado pela companhia, a recuperação extrajudicial tem como objetivo exclusivamente a renegociação de dívidas financeiras com credores e o alongamento de prazos, dentro do processo de reestruturação da estrutura de capital”, informou a companhia.
“A medida não tem relação com decisões operacionais, investimentos específicos ou iniciativas em outras frentes, como esporte ou marketing. O escopo do processo é restrito ao endereçamento das obrigações financeiras”, acrescentou a empresa.
