Pular para o conteúdo

Savannah Bananas: Entenda como um time amador transformou o beisebol em entretenimento

Com regras próprias, estádios lotados e acordo com Disney e ESPN, equipe mostra como o esporte pode competir pela atenção além do jogo

Savannah Bananas faz sucesso nos Estados Unidos - Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • Savannah Bananas reinventam o beisebol nos EUA com entretenimento e regras inovadoras, como expulsão por bunt e limite de duas horas por partida.
  • O time cria uma experiência única com show de dança, participação do público e o dono vestido de terno amarelo animando o estádio.
  • Disney e ESPN fecharam acordo para transmissão exclusiva dos jogos e eventos do Savannah Bananas em 2026, ampliando a visibilidade do fenômeno.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Existe uma atração nos Estados Unidos em que o dono anda pelo estádio de terno amarelo, mulheres de mais de 65 anos fazem uma coreografia completa de dança antes do jogo, uma banana musculosa interage com os fãs e tem gente correndo com perna de pau. Ah, e tudo isso é uma partida de beisebol. É o que acontece com o fenômeno do Savannah Bananas.

A história do clube começa com Jesse Cole comprando um time de liga universitária de verão com o estádio praticamente vazio. Em vez de tentar melhorar o beisebol que estava jogando, ele decidiu que o problema era o próprio beisebol (quando jovem, ele mesmo falou que se sentia entediado no banco de reservas quando jogava), então resolveu mudar o produto inteiro: criou o Banana Ball, uma versão do esporte desenhada para não deixar um minuto da experiência sem entretenimento.

Hoje, o Savannah Bananas roda os Estados Unidos em turnê, sem vínculo com a MLB, enfrentando outros times que existem só dentro desse circuito, como Party Animals e Firefighters, e costuma lotar estádios de futebol americano e universidades por onde passa.

Mudando as regras do beisebol… literalmente

E é interessante entender as regras. Não existem jogadas táticas que diminuem o ritmo do jogo, como por exemplo o chamado “bunt”, aquela tacada fraca e proposital que só serve para avançar o jogo devagar. Quem tenta, é expulso na hora.

O jogo tem limite de duas horas, nada além disso.

E, talvez a mais bizarra de todas: se um torcedor pegar uma bola “foul” no ar, o rebatedor está automaticamente fora, o que dá ao torcedor um poder de influência direta no resultado do jogo.

O próprio dono do time, que se veste com um traje social completo amarelo e chapéu, e anima a torcida nos jogos, disse que tem 50 coisas diferentes acontecendo antes de cada partida começar: jogadores dançando, vovós dançando (chamadas de Banana Nanas), esquetes, interação constante com o público e por aí vai (se aprofunde aqui).

Tim Kurkjian, veterano analista de beisebol da ESPN, resumiu sua experiência: “Essa é a coisa mais estúpida que eu já vi. Eu amei”.

O que sustenta tudo isso é a decisão de nunca deixar o produto se levar a sério. Cada pausa do beisebol tradicional, que normalmente seria tempo morto, virou desculpa para uma dança, uma piada ou uma interação nova. É basicamente um circo que decidiu entrar no ramo de esportes, e o público parece ter comprado e muito a ideia.

Disney apostou nesse circo

Em 2026, o Savannah Bananas fechou um acordo de distribuição com a Disney e a ESPN: 25 jogos exclusivos da temporada disponíveis no Disney+ e no ESPN App, com parte deles também na TV aberta, incluindo a estreia do time na ABC. O pacote ainda inclui um “Banana Ball Day” dentro dos parques da Disney e a transmissão exclusiva da final da liga, o Banana Bowl, direto no Disney+.

Antes disso, a dupla já tinha produzido “Bananaland”, uma série documental sobre os bastidores da turnê e da filosofia “Fans First” (“Torcedores em primeiro lugar”, em tradução livre) do time. Gente de terno na Disney topou apostar dinheiro pesado em gente de terno amarelo.

(Fonte: Disneyland)

Mas e como isso dá (muito) dinheiro? É o que a Máquina do Esporte responderá na próxima matéria especial sobre o tema.