O US Open fechou 2024 com US$ 559,6 milhões em receita operacional, o equivalente a cerca de 90% de tudo que a Associação de Tênis dos Estados Unidos (Usta, na sigla em inglês) arrecadou naquele ano. Esse número mostra como o Grand Slam é mais dependente comercialmente do que Wimbledon ou Roland Garros, cujas federações diluem as receitas ao longo da temporada. Não à toa, a Usta está investindo US$ 800 milhões, com recursos próprios, na reforma do complexo do Arthur Ashe Stadium, sede do torneio em Nova York.
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Essa reforma começa a aparecer na edição de 2026. O estádio ganhou mais 2 mil lugares na região “courtside” (assentos mais próximos da quadra e mais disputados por convidados corporativos), além de dois novos andares de camarotes de luxo, com capacidade entre 22 e 35 pessoas cada um e entrada exclusiva. O plano ainda prevê nove novos clubes premium dentro do complexo e estende o torneio para 22 dias (de 23 de agosto a 13 de setembro, neste ano). Ou seja, podemos dizer que a Usta está trocando lugares comuns por espaços de maior valor, apostando em faturar mais por convidado, não necessariamente em receber mais gente.
Esse ambiente sustenta três “frentes” de monetização com grandes marcas rodando ao mesmo tempo:
- Direitos institucionais com marcas de luxo a longo prazo
A Ralph Lauren será a fornecedora oficial de uniformes pelo menos até 2032, vestindo árbitros e boleiros, além de vender uma coleção comemorativa própria. A Rolex é a cronometrista oficial desde 2018, e a Tiffany & Co. fabrica os cinco troféus do campeonato desde 1987 (no ano passado, apresentou uma raquete cravejada com quase cinco quilates de diamantes como parte da ativação, um bom parâmetro do que pode se repetir na edição atual). A marca, inclusive, renovou com a competição nesta semana.

- Patrocínio de categorias (bem úteis)
Outras marcas patrocinam uma necessidade física específica de quem está na arquibancada. A Dove é a patrocinadora oficial de desodorante, enquanto a La Roche-Posay, marca francesa de dermocosméticos, tem a propriedade do protetor solar, e a Lavazza é responsável pelo café. Cada uma resolve um problema real de quem passa horas ao sol em Nova York no fim de agosto, o que torna o patrocínio útil antes de ser publicitário.
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- Hospitalidade proprietária e alimentos e bebidas
A Grey Goose operou quatro bares no local em 2025 e estreou uma pop-up no Grand Central Terminal, uma das principais estações de Nova York, levando a marca para fora do estádio. A Dobel (tequila mexicana) montou um clube de hospitalidade, e a rede de hotéis IHG criou a ativação “Bed on the Baseline”, com hospedagem, transporte privado e experiência de marca dentro de um único pacote. O crescimento de camarotes e clubes em 2026 tende a aprofundar exatamente essa lógica.

Os próprios protagonistas do torneio reforçam essa lógica fora da quadra: Jannik Sinner (que não jogará em 2026 por lesão) veste Gucci, Coco Gauff veste Miu Miu, e Aryna Sabalenka é embaixadora da Gucci desde janeiro de 2026. Eles funcionam como uma extensão de mídia das marcas, mantendo a narrativa viva mesmo fora das duas semanas de competição.
A combinação das duas pontas parece ser onde mora a oportunidade mais interessante hoje: ativar presença no US Open para ganhar contexto premium, e usar atletas para manter essa narrativa viva antes e depois das três semanas de torneio.
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