Os recentes ataques de Israel à população palestina na faixa de Gaza (que, no ano passado, resultaram em mais de 65 mil mortos da nação árabe) podem acabar impactando a Associação Israelense de Futebol (IFA), que é filiada à União das Associações Europeias de Futebol (Uefa).
Parlamentares de Vaud, na Suíça, debatem a proposta que busca revogar a isenção fiscal concedida à Uefa, cuja sede fica na cidade de Nyon, localizada no cantão (modo como são chamadas as divisões territoriais no país europeu).
A proposta se baseia numa decisão do Tribunal Internacional de Justiça, que decidiu que Israel ocupa ilegalmente terras palestinas na Cisjordânia.
Atualmente, a IFA conta com times na Cisjordânia e é membro da Uefa, sendo beneficiado pelas vantagens fiscais da Suíça.
O argumento dos deputados é de que, ao isentar a Uefa de tributos, cidadãos suíços em Vaud estão financiando as atividades ilegais da IFA.
“Como federação internacional, ela [Uefa] há muito se beneficia, apesar de sua significativa atividade comercial, de uma isenção fiscal concedida especificamente porque as federações esportivas internacionais desempenham um papel importante na promoção da paz e no combate ao racismo e à discriminação”, diz a justificativa do projeto, que faz também menção às medidas tomadas em 2022, pela entidade, em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia.
“A Uefa há muito tempo coloca essas preocupações no centro de suas decisões. Seu compromisso com a paz, por exemplo, estava entre as motivações citadas em apoio às sanções adotadas pela organização após a agressão da Rússia contra a Ucrânia. No entanto, está claro que esse objetivo não está sendo perseguido hoje”, ponderam os autores da proposta.
Caso o projeto venha a ser aprovado, o governo de Vaud deverá estabelecer prazo para a Uefa apresentar justificativas para não sancionar a IFA.
“Embora o Estado de Israel tenha anunciado sua intenção de suspender o acesso a Gaza para mais de trinta ONGs internacionais, a situação humanitária continua a se deteriorar. Israel também aprovou a criação de 19 novos assentamentos no final de dezembro. Ao persistir em sua falha em reagir e continuar reconhecendo clubes localizados em territórios ocupados ilegalmente, a UEFA está enviando um sinal de que aprova essas ações. O futebol merece algo melhor do que isso”, disse Théophile Schenker, membro do Parlamento do Cantão de Vaud.
Na Suíça surgiram as Convenções de Genebra, que estabelecem as regras de tratamento humanitário durante os conflitos armados.
O mais recente bombardeio israelense em Gaza, ocorrido há quatro dias (em meio a um suposto cessar fogo negociado pelos Estados Unidos e que serviu de argumento para que Donald Trump recebesse das mãos de Gianni Infantino o Prêmio “Fifa da Paz”), resultou em 100 palestinos mortos, incluindo mulheres e crianças.
Hoje, vale lembrar, o cantão de Vaud abriga 60 federações e organizações esportivas internacionais, localizadas na cidade de Lausanne e arredores e que podem vir a ser pressionadas pelos parlamentares, por conta da questão envolvendo Israel.
