Não, essa coluna não é sobre o Neymar. Prometo.
Mas, sim, usei a imagem dele para prender sua atenção.
E, agora que você clicou aqui, peço que vá até o final. Garanto que vai gostar.
O Santos entrou em campo na semana passada contra o San Lorenzo (ARG), em um confronto válido pela 3ª rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana. E o que mais me chamou atenção desde que o clube pousou na capital argentina foi a devoção dos hermanos com a figura de Neymar. Seja na porta do hotel, no choro da criança entrando em campo e até os atletas em volta do camisa 10 na saída do estádio.
Mas prometi que essa coluna não seria sobre o Neymar. E não é.
É sobre o respeito à figura de um ídolo.
Nunca vou me esquecer de um momento marcante em uma viagem minha à Itália, quando tive a oportunidade de ir a Napoli (ou Nápoles) e, entre os pontos turísticos, conheci o Largo Maradona, um cantinho lindo e com muita representatividade e devoção a um grande ídolo da cidade.
O mesmo acontece com Francesco Totti em Roma. Claro que em menor proporção, mas, na capital italiana, o ex-atleta é tido como lenda máxima.
Voltando a Buenos Aires, basta andar pelo bairro de La Boca para ver que os ídolos do Boca Juniors jamais serão esquecidos. Há pinturas nos murais e bonecos em diversas lojas (que, em muitos casos, nem oficiais são).
Atravessando para o outro lado do mundo, o carinho e o respeito dos japoneses com Zico é digno de aplaudir de pé. Estátua no estádio, sinalização em português e diversas homenagens ao longo do ano.
Já aqui no Brasil nos despedimos de grandes nomes recentemente. Nos últimos anos, perdemos Pelé e Zagallo, por exemplo. Isso sem contar aqueles que já se foram há mais tempo, como Garrincha e tantos outros.
E o que fizemos por eles? Estamos falando de Pelé, o maior de todos. Uma avenida ali, outra aqui. É isso? Era para ter mural dele em todo canto do Brasil. Em cada campinho de terra que nasce um moleque querendo ser jogador, tinha que ter um painel do Pelé.
O “Joga Bonito” é o nosso DNA. Não podemos perder essa essência.
O Brasil explodiu para o mundo do futebol na irreverência e na genialidade dos atletas que faziam o que nenhum europeu conseguia. Pelé e Garrincha foram os nossos precursores. Os dribles, os passes, o “sambar” com a bola.
Esse é o nosso DNA. Ronaldinhos, Neymares, Estêvãos. O Brasil respira o “Joga Bonito”. É verdade que, com o futebol cada vez mais físico e tático, esse DNA vem se perdendo pouco a pouco. Mas é exatamente por isso que é preciso cuidar e zelar pelos que estão aí.
Voltando a falar sobre idolatria, permitam-me sair do futebol. Olhando para o basquete, há poucas semanas perdemos o maior nome da história do país: Oscar Schmidt. E aí? Se fosse em outro lugar, já teríamos um ponto turístico em alguma cidade com devoção ao Santo Oscar.
Basta olhar e perceber que temos à nossa frente, no dia a dia, nomes como Ronaldo, Romário, Ronaldinho Gaúcho, Cafu, Neymar. Mas de que forma temos cuidado e zelado por nossos ídolos?
Cumpri a promessa, né? Não falei do Neymar.
Mas agora preciso.
Reflitam comigo: baseado no que eu falei, o “Joga Bonito”, o DNA brasileiro, está definhando. Neymar é um dos últimos remanescentes capaz de ter horas de demonstrações de habilidade no YouTube que a gente consegue assistir em looping. Dá gosto de ver. Horas e horas de pinturas, dribles, magia. Como eram Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e companhia.
Neymar é o maior artilheiro da seleção brasileira.
Neymar está voltando de uma lesão que atrapalhou e muito seu terço final de carreira. Lesão que, aliás, foi “conquistada” jogando pela seleção.
Neymar é definitivamente o único brasileiro que nos deu algum tipo de alento e esperança de conquistarmos algo nas últimas três Copas do Mundo. Era Neymar e mais 10.
E o que percebo é que, infelizmente, o assunto Neymar virou um Vasco x Flamengo. Ou Esquerda x Direita.
Um caos absoluto com “haters” desfilando seus venenos na TV e na internet. Gente que torce para ele não ser convocado pelo prazer de estar certo. Quando, na verdade, deveria ser o contrário. Caso ele não vá, mesmo que a pessoa concorde com a decisão do treinador, o natural seria a lamentação de ver um gênio da bola, ídolo brasileiro, não ter sido escolhido para estar em mais uma Copa do Mundo.
A mobilização deveria ser positiva.
Esse cara fraturou uma costela jogando uma Copa com a camisa da seleção. No último Mundial, achou um gol que nos levaria para a semifinal se não fossem aqueles quatro minutos.
Mas essa coluna não é sobre o Neymar.
É sobre os Neymares que tivemos, temos e teremos na história da nossa seleção.
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Bernardo Pontes, executivo de marketing com passagens por clubes como Fluminense, Vasco, Cruzeiro, Corinthians e Flamengo, é sócio da Alob Sports, agência de marketing esportivo especializada em intermediação e ativação no esporte, que conecta atletas e personalidades esportivas a marcas
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