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Os negócios por trás dos estádios das finais de Copa do Mundo: Olímpico de Colombes, França, 1938

Local, que foi construído como um hipódromo em 1883, se tornou estádio em 1907 e passou por reformas para receber os Jogos Olímpicos de Paris 1924, além do terceiro Mundial da Fifa

Estádio Olímpico de Colombes, nos subúrbios de Paris, foi palco da final da terceira Copa do Mundo da história - Reprodução

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  • A Copa do Mundo de 1938 na França refletiu uma fase amadora e pouco comercial do futebol, com receitas baseadas principalmente em bilheteria.
  • O Estádio Olímpico de Colombes foi ampliado para cerca de 60 mil espectadores e funcionou sem receitas premium ou estrutura comercial avançada.
  • A infraestrutura urbana limitada em Paris causou colapsos no tráfego durante a final, atrasando até a chegada da seleção italiana ao estádio.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A 3ª edição da Copa do Mundo, sediada pela França, em 1938, marcou uma fase de transição na história da indústria do esporte. Realizado às vésperas da Segunda Guerra Mundial, o torneio teve a decisão disputada no Estádio Olímpico de Colombes, localizado nos subúrbios de Paris. O local, que já carregava o status de palco olímpico desde os Jogos de 1924 realizados na Cidade Luz, ainda refletia o cenário econômico de um futebol global ainda baseado em padrões amadores e pouco comerciais.

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No fim da década de 1930, o futebol já se consolidava como o esporte mais popular da Europa, sustentado principalmente por receitas com bilheteria e publicidades pontuais. Neste período, a Fifa operava como uma entidade de dimensões e orçamentos modestos e dependente da disposição de governos nacionais para financiar a organização de seus torneios.

Nesse sentido, não existia um programa oficial e centralizado de patrocinadores globais da entidade, muito menos a negociação estruturada de direitos de televisão ou de rádio. Para a Copa do Mundo de 1938, a escolha da França como sede, definida durante o Congresso da entidade em Berlim, na Alemanha, no ano de 1936, funcionou como uma manobra diplomática calculada.

O objetivo era colocar o torneio em um terreno politicamente democrático e neutro, mitigando o uso do evento como máquina de propaganda estatal fascista, como havia ocorrido na Itália, em 1934, e evitando entregar a competição à Alemanha nazista.

No entanto, a quebra do compromisso de alternância continental gerou um boicote oficial das federações da Argentina e do Uruguai, que se recusaram a enviar delegações à Europa.

Financiamento e estrutura

Para comportar o Mundial de 1938, o Estádio Olímpico de Colombes passou por mudanças promovidas pela Federação Francesa de Futebol (FFF). Construído como um hipódromo em 1883 pela Société des Courses de Colombes, o local virou um estádio em 1907 e ainda foi totalmente transformado para sediar os Jogos Olímpicos de 1924.

Já para a Copa do Mundo de 1938, a capacidade das arquibancadas foi expandida por meio de obras que aumentaram a lotação para cerca de 60 mil espectadores, consolidando o espaço como um dos principais equipamentos esportivos da França na época.

Bilheteria e hospitalidade

Sem os bilhões gerados atualmente pelos direitos de transmissão, a arrecadação com bilheteria era o principal pilar financeiro que permitia a viabilidade econômica do evento para os organizadores. Assim, o modelo de negócios do estádio se limitava à venda de ingressos por setores, com tribunas cobertas mais caras e curvas populares descobertas com preços mais acessíveis. Para a final, em que a Itália derrotou a Hungria por 4 a 2, estima-se que o público pagante tenha ficado entre 45 mil e 55 mil pessoas.

Em comparação com as atuais arenas modernas, o Estádio Olímpico de Colombes operava sem a frente de receita de hospitalidade corporativa. Em uma época amadora do futebol, não se negociavam camarotes com empresas ou salões para ativação de marcas. Os próprios estádios eram planejados sob uma ótica muito mais voltada para a capacidade de ocupação do que propriamente para a experiência dos torcedores ou aspectos comerciais.

A estrutura premium do estádio se restringia à “Tribune Presidencielle”, um setor coberto e destinado a acomodar a elite política, diplomatas, dirigentes esportivos e o próprio presidente francês à época, Albert Lebrun.

Experiência do torcedor

A jornada do público rumo ao estádio demonstra as limitações de infraestrutura urbana da década de 1930. Localizado nos subúrbios de Paris, o Estádio Olímpico de Colombes apresentava desafios logísticos. No dia da final, por exemplo, o sistema de tráfego urbano da cidade colapsou por conta da quantidade de veículos se dirigindo às áreas periféricas da capital francesa ao mesmo tempo.

O engarrafamento travou o ônibus oficial da seleção italiana a quilômetros dos portões do estádio. Preocupado com o desgaste psicológico de seus atletas, o técnico Vittorio Pozzo interveio e ordenou que o veículo retornasse ao hotel para que o time descansasse. Com isso, a delegação da Itália só conseguiu acessar o estádio algum tempo depois, em uma segunda tentativa.