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Cidade do México: Tradição e reengenharia financeira marcam capital mexicana como sede da Copa do Mundo de 2026

Cidade aposta na reestruturação corporativa dos ativos esportivos e na força de um mercado interno apaixonado para potencializar o impacto econômico em seu terceiro Mundial

Zócalo, praça central da cidade, será transformado em um Fifa Fan Festival, com acesso gratuito e capacidade para até 100 mil pessoas - Reprodução

⚡ Máquina Fast
  • Cidade do México sediará abertura da Copa do Mundo de 2026 no Estádio Azteca, que passa por renovação de US$ 150 milhões.
  • Grupo Televisa criou o Grupo Ollamani e firmou parceria com General Atlantic para modernizar gestão do Club América e estádio.
  • A cidade investe em mobilidade, cultura esportiva e infraestrutura para receber 5 milhões de turistas e gerar US$ 3 bilhões em impacto econômico.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Se algumas cidades de Estados Unidos e Canadá apostam na modernidade de suas arenas e na diversidade demográfica, a Cidade do México chega à Copa do Mundo de 2026 com um ativo que nenhuma outra sede possui: o peso da história. Ao receber o Mundial pela terceira vez, depois de ser casa do evento em 1970 e 1986, a capital mexicana se consolida como o principal local histórico do futebol na América do Norte.

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Porém, para a edição deste ano, a nostalgia cederá espaço para uma forte modernização da indústria do esporte local, marcada por cisões corporativas, entrada de capital estrangeiro e investimentos em infraestrutura.

Além disso, a Cidade do México viverá um momento simbólico no dia 11 de junho de 2026, quando o Estádio Azteca (hoje rebatizado de Estádio Banorte por conta de um acordo de naming rights, mas que será chamado de Estádio Cidade do México por causa das regras da Fifa durante a Copa) receberá a partida inaugural da competição.

Para além do campo, a metrópole de quase 9 milhões de habitantes projeta receber cerca de 5 milhões de turistas, gerando um impacto econômico estimado em US$ 3 bilhões, segundo dados da Confederação Patronal da República Mexicana (Coparmex).

Reengenharia financeira

O principal movimento estratégico da cidade para o Mundial não ocorreu nos gramados, mas na Bolsa Mexicana de Valores. Para viabilizar a modernização do Estádio Azteca e maximizar as receitas do Club América, o Grupo Televisa, uma das maiores empresas de mídia do país e que também é dona tanto do time quanto da arena, realizou uma grande reengenharia financeira.

A operação resultou na cisão dos negócios de esportes e entretenimento do conglomerado, criando o Grupo Ollamani. Essa manobra permitiu que o estádio e o clube ganhassem autonomia financeira para captar investimentos. Um reflexo dessa estratégia foi a parceria com o fundo de investimentos global General Atlantic, que adquiriu uma participação de 49% em uma nova entidade que engloba o América e o estádio, deixando o controle majoritário com a Ollamani.

O acordo inclui também uma colaboração com a Kraft Analytics Group (KAG), braço de dados do grupo proprietário do New England Patriots, da NFL, visando a aprimorar a experiência do fã e a exploração de dados, um movimento claro de profissionalização seguindo os moldes das grandes ligas norte-americanas.

O Estádio Azteca ainda está passando por uma renovação avaliada em cerca de US$ 150 milhões. As obras buscam adequar o ícone inaugurado em 1966 aos padrões de hospitalidade e tecnologia exigidos pela Fifa, focando principalmente em áreas premium e na experiência do torcedor, sem descaracterizar a arquitetura que viu Pelé e Maradona levantarem a taça da Copa do Mundo.

Cultura esportiva

A identidade esportiva da Cidade do México é visceralmente ligada ao futebol. A capital abriga três dos “quatro grandes” times do futebol nacional: Club América, Cruz Azul e Pumas Unam.

Pesquisas também indicam que 73% dos mexicanos torcem para algum clube da Liga MX, e o “domingo de futebol” no Azteca ou no Estádio Olímpico Universitário é parte intrínseca da rotina local.

A rivalidade, especialmente o “Clásico de México” entre América e Chivas Guadalajara, movimenta milhões em direitos de transmissão e bilheteria, sendo um produto de exportação relevante para o mercado hispânico nos Estados Unidos. Além disso, o futebol feminino tem registrado crescimento exponencial na cidade, com a Liga MX Femenil quebrando recordes de público e atraindo marcas que buscam se associar à nova demografia de torcedores.

Apesar da hegemonia do futebol, a Cidade do México também se estabeleceu como um centro global para outras modalidades. O local tem uma base de fãs sólida de beisebol, representada pelos Diablos Rojos del México, que jogam no Estádio Alfredo Harp Helú.

A metrópole ainda se tornou um destino para as grandes ligas dos EUA, recebendo jogos regulares da NFL e da NBA na Arena CDMX, além de sediar o Grande Prêmio da Cidade do México de Fórmula 1 no Autódromo Hermanos Rodríguez, evento que gera uma das maiores receitas turísticas anuais para a capital do país.

Preparação

A preparação da cidade para a Copa do Mundo de 2026 envolve desafios urbanos complexos. O governo local aprovou um aumento de 186% no orçamento de mobilidade para 2025, totalizando quase 7 bilhões de pesos, com foco na modernização dos acessos ao estádio.

Projetos como a expansão do Trolebús (Linha 14) e do sistema de teleféricos Cablebús buscam integrar o transporte público às zonas turísticas e hoteleiras para mitigar os gargalos de trânsito característicos da região.

Para o entretenimento dos torcedores sem ingresso, a estratégia será focar na democratização do acesso. O Zócalo, praça central da cidade, será transformado em um Fifa Fan Festival, com acesso gratuito e capacidade para até 100 mil pessoas. A ideia é criar um ambiente que misture a transmissão dos jogos com a oferta cultural e gastronômica local, reforçando a identidade mexicana perante o público estrangeiro.

Em relação às expectativas econômicas, o banco Citibanamex ajustou para cima a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mexicano em 2026, de 1,5% para 1,6%, citando especificamente o impulso gerado pelo turismo e pelo setor de serviços durante o Mundial.

No entanto, a organização também enfrenta desafios sociais, como a gestão da crise hídrica na região de Santa Úrsula, onde se localiza o estádio, e a implementação do “Plan Semillero”, uma iniciativa governamental que busca deixar um legado social por meio da recuperação de espaços públicos e do fomento ao esporte de base.