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Copa do Mundo de 2026 fomenta venda de livros de futebol no Brasil

Proximidade do Mundial da Fifa impulsiona novas edições, lançamentos e até a abertura de uma livraria especializada

Caíto Mainier e Daniel Furlan durante apresentação do Guia da Copa da Copa Falha de Cobertura na Feira do Livro do Pacaembu - Divulgação

Caíto Mainier e Daniel Furlan durante apresentação do Guia da Copa Falha de Cobertura na Feira do Livro do Pacaembu - Divulgação

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  • Copa do Mundo de 2026 impulsiona lançamentos e vendas de livros de futebol no Brasil, incluindo obras humorísticas e biografias de jogadores históricos.
  • A Livraria Foot Noir, em São Paulo, abrirá no dia da abertura do Mundial, oferecendo livros e eventos de confraternização ligados ao futebol.
  • Biografias e reedições destacam jogadores politizados como Sócrates, reafirmando o papel dos livros na preservação da memória esportiva e cultural.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

A aproximação da Copa do Mundo de 2026 tem movimentado o mercado editorial e o comércio de literatura esportiva no Brasil. Há o lançamento de livros temáticos, novas edições, aumento do interesse em grandes personagens da história das Copas e até a abertura de uma nova livraria especializada em futebol.

No último fim de semana, a movimentação do setor foi registrada durante a Feira do Livro, realizada na área externa da Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo (SP).

No evento, a Editora Record realizou o lançamento do Guia da Copa Falha de Cobertura, que aproveita a popularidade de Daniel Furlan e Caíto Mainier, apresentadores do programa homônimo no YouTube, em uma obra que combina jornalismo esportivo e humor. A obra foi a quarta mais vendida de toda A Feira do Livro, segundo número divulgado pelos organizadores.

Conhecidos no programa como Craque Daniel e Cerginho da Pereira Nunes, os apresentadores se juntaram a Gustavo Vilela e Pedro Leite, roteiristas do programa, para criar o guia bem-humorado, que tem vendido bem.

“A gente dá voz ao torcedor que está puto”, contou Furlan, durante apresentação na Feira do Pacaembu.

Livraria

A expectativa pelo início de mais uma Copa do Mundo motivou a abertura da Livraria Foot Noir, no bairro de Pinheiros (Rua Artur de Azevedo, 1905), na capital paulista. O estabelecimento é especializado em obras sobre futebol e literatura policial, com cronograma de inauguração marcado para a próxima quinta-feira (11), mesma data da abertura do Mundial da Fifa.

O espaço já anunciou que integrará o comércio de livros com a transmissão das partidas da competição.

“Mais do que uma livraria, é um espaço de congraçamento e encontro. As pessoas vão assistir aos jogos, trocar figurinhas e impressões sobre o evento. E terão ali não só livros, mas canecas, bonecos, Funkos, cards e camisetas relacionadas à  Copa do Mundo”, disse Marcelo Unti, dono da livraria.

O livreiro lembrou que, mesmo em estabelecimentos não especializados, os livros de futebol deixam as estantes secundárias e aparecem nas vitrines e gôndolas principais das livrarias nessa época.

“Junto com as figurinhas e álbuns, os livros de Copa fomentam as vendas. O grande desafio é fazer isso ser contínuo”, apontou.

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Biografias

O período de realização do torneio costuma ditar o ritmo de vendas de títulos focados em personagens do esporte. O biógrafo Tom Cardoso, autor de livros sobre Sócrates e Paulo Machado de Carvalho, o Marechal da Vitória, salientou que o momento desperta mais curiosidade do público.

“Sempre ajuda, dá um impulso [nas vendas]. Porque vira uma febre”, afirmou o escritor.

Cardoso destacou que a figura de Sócrates mantém apelo comercial contínuo por sua relevância política, furando a bolha do esporte.

“Como ele transcende o futebol, vende também em momentos políticos como a eleição, porque ele está sempre associado à luta da esquerda contra a ditadura”, apontou, lembrando a participação do Doutor na campanha das Diretas Já!.

O autor revelou desafios diferentes no processo de apuração das duas obras. Na pesquisa sobre Paulo Machado de Carvalho, ele contou com o apoio de familiares, mas enfrentou ingerência deles durante o processo de escrita. Já com Sócrates, os obstáculos estiveram ligados ao ambiente profissional.

“O jornalismo esportivo é muito corporativista. Tem muita panelinha”, relatou.

“Tive muita dificuldade para fazer apuração do livro do Sócrates”, completou.

Mesmo assim, ele conseguiu depoimentos de jogadores como Zico, Leandro, Falcão e Júnior, companheiros de Sócrates na mítica seleção de 1982. No entanto, não conseguiu entrevistar parentes próximos, como Raí.

“Mas são figuras muito importantes. Nós estamos aqui no Estádio do Pacaembu, que tem o nome de Paulo Machado de Carvalho. E o Sócrates até hoje desperta curiosidade”, comentou o escritor, que atualmente escreve uma biografia do músico Mano Brown, com previsão de lançamento para o início do próximo ano.

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Resgate

A busca por personagens da bola também fomentou novas edições. A Editora Manjuba preparou uma outra tiragem para Futebol à Esquerda, livro que aborda o posicionamento político de atletas como Sócrates e o francês Lilian Thuram, também figuras conhecidas por suas participações em Copas do Mundo.

Para Michel Sapir Landa, dono da editora, a influência do calendário esportivo ajudou nas vendas.

“Realmente, em ano de Copa, tivemos que fazer até uma nova edição. A capa do livro, que é o Sócrates, chama muita atenção, não só de corintianos, mas do público em geral”, informou o editor, que esgotou os exemplares disponíveis em seu estande durante a Feira do Livro do Pacaembu.

O livro busca expor os perfis de profissionais que aliavam a atuação nos gramados a posicionamentos incisivos fora das quatro linhas.

“O livro aborda futebolistas fora da curva, ou seja, aqueles que não aderiram ao ‘establishment’. Eles destoam do modelo atual de atleta, vinculado a redes sociais e propagandas de bet”, enfatizou Sapir.

A obra recupera as trajetórias de Afonsinho, militante pela alteração da Lei do Passe; Reinaldo, que protestou na Copa do Mundo de 1978; e Nando, irmão de Zico, perseguido pelo regime militar.

Para o editor, o suporte do livro físico cumpre um papel de preservação de dados.

“Hoje em dia, tudo é muito midiático, instantâneo, rápido, e as pessoas esquecem. Quer dizer, são assuntos muito importantes que marcaram época e que, com o livro, o público tem a chance de recuperar esses personagens”, analisou.