Ainda está em tempo de falar da Copa do Mundo, certo? Mas nada de bicampeonato da Espanha, despedida de Messi, Neymar ou sobre o Vozinha e seus quase 30 milhões de seguidores.
Se o resultado da seleção brasileira não foi o que se esperava (ou que se gostaria), fora do campo nosso futebol está longe de perder força. Pelo contrário. Em solo norte-americano, onde negócios e entretenimento se misturam em tudo (Canadá e México também receberam jogos, mas o show se limitou às quatro linhas), a presença de campeões do tetra e do penta faz a gente pensar sobre o tamanho e o peso desses ídolos.
Lá estavam mais de 20 ex-jogadores (além de Felipão) passeando pelos camarotes, criando conteúdos, representando marcas, participando de ativações, trabalhando como comentaristas. Figuras importantes, cada um à sua maneira, que fazem o papel de embaixadores do nosso país e resgatam memórias afetivas cada vez mais raras. Na internet, foram chamados de “Lendas” e “Realeza”. Exagero? Não. Respeito.

Nomes de peso como Romário, Bebeto, Kaká, Rivaldo, Dunga e Roberto Carlos, entre outros, fizeram o mundo lembrar a todo tempo, a cada imagem, a cada postagem nas redes sociais, das cinco estrelas que estão costuradas na camisa do Brasil.
Isso chamou minha atenção em uma Copa do Mundo bem diferente, antes mesmo do revés para a Noruega. São ídolos não só do povo brasileiro, mas figuras que inspiram reverências pelo mundo e o respeito internacional, algo construído por eles nas últimas décadas. Lembrar de gols, jogadas, confrontos e momentos desses caras em campo foi conversa recorrente entre os amigos assistindo aos jogos e nos grupos de WhatsApp.
Não foram apenas astros brasileiros, claro. Lá estiveram David Beckham, Andrés Iniesta, Zinedine Zidane, Clarence Seedorf e Roberto Baggio, além de dezenas de cantores, atores e figuras emblemáticas como Tom Cruise, Samuel L. Jackson, Jay-Z, Timothée Chalamet, Jimmy Butler e Mike Tyson. Teve até Ferris Bueller com a camisa do São Paulo e Jade Picon entrando com a bola do jogo. Ah, Mick Jagger também esteve lá.
Aliás, por falar em Baggio, lembro bem de quando ele isolou o pênalti em Pasadena. Está viva também aquela madrugada em claro esperando para ver o Ronaldo “Cascão” amassando a Alemanha em Yokohama. Por isso, a cada aparição de um campeão nosso na TV ou no celular, batia aquela nostalgia.

Mas três deles dominaram o dia a dia da Copa do Mundo por uma mesma razão (os títulos mundiais, claro), mas por motivos diferentes: Ronaldo Fenômeno, Cafu e Ronaldinho Gaúcho.
Ronaldo (e sua veia executiva) abriu as portas de sua casa temática, promoveu encontros e protagonizou momentos marcantes ao longo da competição. Foi entrevistado e tietado pela imprensa e pelas celebridades.
Cafu, por sua vez, mostrou sua força como marca e embaixador global da Fifa (além de embaixador da Uefa e do Prêmio Laureus) em momentos icônicos durante a Copa.
Só que o mais “ridículo” de todos (como diria Everaldo Marques) foi o onipresente Ronaldinho Gaúcho. Precisamos falar mais dele.
Ninguém curtiu mais esse Mundial nos Estados Unidos do que o Bruxo. Ninguém. A começar pelas diversas marcas que se associaram a ele: piscou, lá estava ele fazendo embaixadinhas com a cerveja, outra piscada e tome embaixadinha com Lamine Yamal na frente dos arcos dourados, no rolê com a camisa do banco, como rosto (e sorriso) do app de carro, no app da casa de apostas, anunciando a loja de departamentos, a colaboração do chinelo, a carne do churrasco, nas ativações com a empresa de delivery e por aí vai.
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E não parou por aí: teve visita ao estúdio de Romero Britto, aparição em desfile de moda, lançamento de parceria com time de futebol, passeios pelos camarotes e jogo de futebol em uma quadra de tênis do US Open transformada em society. Ah, sim, sem falar que ainda foi o convidado especial da TV Globo rodando pela Copa do Mundo.
E para fechar o rolê aleatório do Mundial subiu o sarrafo quando apareceu ao lado do Fenômeno na carona que deram para Madonna na abertura do Show do Intervalo da final.
Como diria minha filha: Ronaldinho Gaúcho “farmou aura”.

Pelé
Pelé foi lembrado no telão do Nova York/Nova Jersey Stadium e também por mais uma façanha fora dos campos durante o último fim de semana da Copa do Mundo. No intervalo da final, um vídeo do Rei do Futebol pedindo amor (love) em sua despedida do New York Cosmos, em 1977, serviu como homenagem.
Já na Sotheby’s, em Londres, na Inglaterra, a camisa que ele usou na final da Copa de 1958, na goleada por 5 a 2 sobre a Suécia que rendeu o primeiro título mundial ao Brasil, foi arrematada por quase US$ 5 milhões (mais de R$ 26,5 milhões, na cotação do dia).
O artigo acima reflete a opinião do(a) colunista e não necessariamente a da Máquina do Esporte
Samy Vaisman é jornalista, sócio-diretor da MPC Rio Comunicação (@mpcriocom) e cofundador da Memorabília do Esporte (@memorabiliadoesporte)
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